[FOB-DF] Contra o arrocho salarial e a precarização das condições de vida! Unificar as greves e lutas –

  Boletim nº2 do FOB, seção DF/Entorno – Fevereiro de 2015

Contra o arrocho salarial e a precarização das condições de vida! Unificar as greves e lutas

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Bloco da RECC/FOB chama a união das lutas no Ato convocado pelo MPL. Rodoviária do Plano Piloto, Brasília, 23 de Janeiro de 2015.

O ano de 2015 começa com diversos ataques aos trabalhadores, no Brasil e no DF. Todo o discurso eleitoral farsante caiu por terra. O governo federal vai cortar R$ 22,7 bilhões da verba dos ministérios. O maior corte é na Educação, de 7 bilhões. Além disso, a crise da água e da luz (com encarecimento e escassez!) é uma realidade cada vez maior e mais alarmante para o povo.

O governo Dilma (PT-PMDB) dificulta o acesso ao seguro-desemprego. Antes, o trabalhador precisava comprovar 6 meses de carteira assinada. Com a mudança precisará comprovar 18 meses. Essa medida deixará milhares de trabalhadores prejudicados, principalmente nas áreas com alta rotatividade (de contratos curtos). No caso de pensão por morte, o valor da pensão cai para apenas 50% do salário do cônjuge.
Já o Governo Rollemberg (PSB), seguindo o exemplo de Agnelo (PT), está atrasando salários e outros direitos (13º férias etc.) de servidores efetivos, terceirizados, na saúde, na educação, na administração e nos serviços gerais. Na área da educação o GDF impôs uma mudança no calendário escolar que prejudica a comunidade e está retirando coordenadores pedagógicos para coloca-los na sala de aula.

Para piorar a situação, a tarifa de ônibus está aumentando em todo o país, e o DF está na mira. Algumas cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande) já tiveram aumento. Aqui no DF, o secretário de mobilidade urbana afirmou que “Estamos fazendo estudos técnicos. Precisamos calcular qual é o valor ideal. Então, o preço pode se manter no mesmo patamar assim como pode ter um aumento”. Além disso, todos os anos vemos aumentos na tarifa das cidades do entorno, local de importantes rebeliões contra a máfia do transporte.

Os governos federal e distrital querem estabelecer “pactos” (tal como o “Pacto por Brasília”) para enganar o povo e impedir a sua justa revolta. Querem que aceitemos os cortes na educação e na cultura, os calotes nos salários, os aumento de tarifa, “tudo pelo bem comum”, quando na verdade quem está e sempre esteve se beneficiando são os políticos e a burguesia.

Agora nós estamos vendo o verdadeiro “legado da Copa”, tão defendido pela classe dominante e pelas burocracias sindicais e partidárias (CUT, PT, CTB, PCdoB, UNE, UJS, etc.). O estádio Mané Garrincha foi o mais caro do país e os gastos na segurança pública formaram uma máquina de guerra contra a população.

Diante dessa situação caótica, devemos seguir a tradição de junho de 2013. O povo trabalhador e a juventude deve dizer um basta! Chega de sustentar parasitas! Essa crise não foi causada pelo povo e sim pela classe dominante, ela é quem deve pagar a conta!

Qual a resposta das burocracias sindicais e estudantis?

Diante da passividade do Sinpro-CUT, professores da ORC saem às ruas para fazer propaganda entre os trabalhadores/as da cidade!

Frente a estes problemas, diversos sindicatos encenam mobilizações de faz de conta. Por exemplo, desde o início do ano o SINPRO, filiado à CUT, já convocou alguns atos, divulgados apenas pelo site, com 1 ou 2 dias de antecedência, e para quê? Para esperar, do lado de fora do Buriti, a “comissão de negociação” conversar, entre quatro paredes, com o governo, como se isto fosse pressionar alguém. Algumas outras categorias estão paralisadas ou na iminência de paralisar. Entretanto, como sempre, as greves e paralizações estão sendo puxadas por cada sindicato separadamente e de forma burocrática (só se espera “mesas de enrolação”), enfraquecendo assim a luta comum. Esses dois problemas, ação burocrática e fragmentação, é uma das principais marcas do sindicalismo no DF.

As burocracias sindicais e estudantis praticam o “corporativismo”. Quer dizer, sustentam a ilusão de que quanto mais particulares e específicas forem as reivindicações mais chances teremos de vitória. Porém, frente a um inimigo comum (governo e patrões) e a ataques tão gerais e brutais aos nossos direitos, nossa ação também deve ser capaz de unir todo o povo para colocar a classe dominante na defensiva e fazê-la atender as nossas reivindicações. Caso contrário, frente a essa crise geral, teremos várias greves e lutas simultâneas, enfraquecidas, desmoralizadas, onde cada uma se julga mais importante e emergencial que as outras, e onde a “vitória” de uma categoria pode significar o arrocho em outras. Um exemplo é uma escola onde há 3 sindicatos (Sindiserviços, SAE, SINPRO): se cada um entra em greve e sai dela separado do outro, cada um sabota a greve do outro.

Além disso, o modelo de ação das burocracias sindicais (CUT, CTB, NSCT, etc.) e estudantis (UNE, UBES), é a receita para a pior das derrotas: tentar conquistar a “amizade”, a “compreensão” do patrão ou do governo, através de acordos de cúpulas a portas fechadas, desconsiderando toda a iniciativa de mobilização das suas bases e muitas vezes criminalizando-as, fazendo papel de polícia. Enquanto o governo vai “passando o rodo” na população os sindicatos ficam chorando, tal como um “marmanjo bobão” suplicando para acatarem sua vontade. É o que pode ser chamado de “sindicalismo de súplicas”. Tão impotente quanto dependente de seus conchavos com o governo. Ao contrário, nós devemos resgatar nosso poder e nossa dignidade de classe trabalhadora. Chega de chororô! A hora é de lutar!

Infelizmente, a mesma coisa está ocorrendo na luta contra o aumento da tarifa. Essa visão corporativista e burocrática também está sendo defendida pelo MPL-DF. Ao mesmo tempo que divide a luta contra o aumento da tarifa das demais lutas do povo (afirmando que “é necessário ter foco”), o MPL quer ter o “monopólio” da luta pelo transporte (coibindo o uso de bandeiras, faixas e gritos de ordem de outros grupos, fazendo assembleias de faz-de-conta que não deliberam nada e onde eles determinam tudo). Na verdade, o corporativismo do MPL se expressa na atual conjuntura da pior forma, através da coexistência pacífica e colaboração (consciente ou inconscientemente) com a burocracia governista do PT e PSB, uma vez que isentam a militância de tais partidos da coresponsabilidade pelos aumentos de tarifa.

“O QUE ADIANTA SERMOS MILHÕES SE NÃO SOMOS UM?”
UNIFICAR AS GREVES E LUTAS!

Cartaz da Campanha do FOB: “Chega de calote nos salários e direitos! Nenhum aumento de tarifa! Unificar as greves e lutas! Construir o sindicalismo revolucionário!”

Frente a esta situação de arrocho salarial, encarecimento e precarização dos serviços, é preciso parar de insistir nos mesmos erros e propor outro caminho para as lutas do povo.

As centrais sindicais, assim como as entidades estudantis (UNE e UBES), estão descoladas dos trabalhadores e estudantes de base, são aliadas dos governos e patrões. Não adianta esperarmos que mudem de posição: boicotam as lutas propositalmente para manter seus privilégios. Além disso, temos grandes setores do proletariado marginal e da juventude que estão desorganizados: trabalhadores de comércio, garçons, jovens estagiários, desempregados, camelôs, artistas de rua, estudantes secundaristas, etc. É necessário chegar até essas pessoas, até seus locais de estudo, trabalho e moradia para despertar a sua fúria revolucionária!

Por outro lado, não é porque as direções são pelegas que temos que abandonar a luta sindical e o movimento estudantil. Devemos reorganizar a luta da classe trabalhadora, e para isso devemos construir oposições de base, que reúnam em cada categoria (professores, garis, terceirizados, etc.), em cada escola e universidade, grupos de trabalhadores e estudantes dispostos a luta combativa e autônoma.

Além disso, devemos apostar em outros métodos de luta. O limitado receituário de métodos das burocracias sindicais e estudantis deve ser rejeitado! Devemos apostar no protagonismo das massas populares, na ação direta através de piquetes, manifestações de rua, ocupações, sabotagens, dentre outros.

Se a direção do sindicato ou o MPL nega aos jovens e trabalhadores um lugar de fala, temos que exigir isso: assembleia democrática com isonomia de direito de fala, sem horas de blábláblá de parlamentares, diretores ou lideranças. Fazer assembleias descentralizadas por cidade/bairro, elegendo delegados e depois unificar numa assembleia central. Unificar as diversas categorias de trabalhadores em luta, e também estudantes, movimentos e moradores em geral. Tal é o caminho para avançar na construção da greve geral, possível e necessária no Distrito Federal e no Brasil.

VAMOS LUTAR SEM ESPERAR A DIREÇÃO DO SINDICATO NEM BOA VONTADE DO GOVERNO!
CONSTRUIR A GREVE GERAL PELOS DIREITOS DO POVO!
ABAIXO AS BUROCRACIAS SINDICAIS E ESTUDANTIS! RECONSTRUIR UM SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!

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