[ACS] O Congresso da ANDES reafirma linha corporativista e lealdade à direção.

por Aliança Classista Sindical (ACS) afiliada ao Fórum de Oposições pela Base (FOB)

            O 34º Congresso do ANDES-SN foi marcado pela reafirmação da posição da atual diretoria e dos grupos que a compõe, vinculados a partidos como PSTU, PSOL e PCB. Direção essa que acabou com a greve de 2012 e conseguiu atrair parcela da base para sua dinâmica política sem vitórias importantes para a categoria. È, também, na aliança desses grupos que se estabelece as pequenas tensões que tem crescido na medida em que as políticas desses partidos para o movimento de massa são subordinadas a sua autoconstrução. Por exemplo, PSOL e PCB não constroem a CSP-Conlutas e no congresso isso ficou evidente quando foi colocada em pauta a participação do ANDES na central.

            O congresso se iniciou com a discussão e decisão do tema “Centralidade da Luta”. Isso determina em grande parte o restante do congresso. A discussão no 34º congressos do ANDES girou no primeiro dia em torno da Tese da Direção do ANDES que não apontava rumos para a luta e mantinha as mesmas determinações genéricas em torno da unidade e da composição com outros setores. Havia ainda teses governistas que colocava como centro da luta as disputas estatais entre PT e PSDB conclamando a agenda governista de reforma política. A tese da Aliança Classista Sindical (ACS-FOB) destacou a crise de organização, do modelo de organização sindical, e da necessidade de se construir a greve nacional da educação com vista não só a barrar as medidas anti-populares, como a terceirização, como organizar uma luta coletiva popular por uma educação pública gratuita e de qualidade.

            Nesse sentido a aprovação da proposta direção, que passou apertada, foi de reafirmação de propostas anteriores como: a “defesa do caráter público da educação e a garantia da função social das Instituições Federais de Ensino em prol da classe trabalhadora; projeto de carreira única do ANDES-SN para o magistério federal, condições de trabalho, salário e luta contra a reforma” e a “unidade” com o Fórum das Entidades do SPF’s criado pelo PT-CUT para impedir a mobilização pela base dos servidores públicos. Neste sentido, o principal item da pauta de reivindicação, o aumento linear dos servidores públicos federais, não dialoga com as mobilizações populares que tomaram conta do país em 2013 e 2014 cujo um dos pontos principais era a educação pública. E ao mesmo tempo não tem um apontamento claro para a categoria. A direção amarrou os acordos com as entidades nacionais dos SPF’s, em sua maioria governistas, e defendeu no congresso a articulação com este setor.

            A direção nacional do ANDES e seus delegados leais rechaçaram a proposta de construção de uma greve nacional dos trabalhadores da educação organizada pela base. Nesse sentido, a centralidade da luta é a campanha salarial em conjunto com o governismo e o corporativismo das entidades dos servidores públicos federais. Na verdade é preciso uma reorientação completa na prática política do ANDES-SN.

            O lançamento da campanha salarial dos SPF’s foi um total fracasso. Sequer as direções sindicais foram recebidas pelo secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, que mandou recado telefônico pela secretária. Sem pressão popular não haverá vitórias.

            Assim, a direção do ANDES-SN preferiu uma articulação burocrática com o Fórum dos SPF’s do que a tarefa de construir uma greve nacional dos trabalhadores da educação. É preciso que os professores universitários compreendam que são parte de uma categoria nacional, muito maior do que eles, e que a postura de um sindicato classista e combativo e tomar para si a capacidade de articulação desse setor para construção de uma greve por melhores condições de ensino, estudo e trabalho. Mas a perspectiva ainda é de atrelamento ao sindicalismo de estado e ao corporativismo.

          Isso ficou evidente quando os grupos de discussão negaram proposta de organização e mobilização de trabalhadores precarizados do Ensino a Distância e dos terceirizados das universidades, se domesticando a estrutura sindical oficial.

            A direção do ANDES-SN e os delegados presentes no congresso preferiram se acomodar nas articulações entre as entidades sindicais dos SPF’s que cada vez mais se afundam em seu corporativismo controlado em grande parte pelo governismo.

            As disputas internas e entre seções sindicais se deram especialmente no debate sobre a participação do ANDES-SN no interior da CSP-Conlutas, hegemonizada pelo PSTU, e que não tem apoio de outros partidos políticos, como PSOL e PCB. Além dos militantes e ativistas governistas no interior do sindicato.

        Neste sentido, foi aprovado um CONAD Extraordinário, cujo tema será “Contribuições do ANDES – SN para o 2º Congresso da CSP Conlutas”. Apesar de aparecer nas resoluções como uma questão consensual as discussões reais passaram pela criticas a participação do Sindicato Nacional na CSP_Conlutas, inclusive com propostas de vários delegados para que as seções se filiam-se ou não.

            Assim, saímos no congresso do ANDES sem uma verdadeira indicação de construção de mobilização e greves pela base. Muito pelo contrário. A articulação por cima, pela cúpula, pelas direções e correntes sindicais ficou evidente na organização de um ato no final de março pela Educação Pública construída pelo Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública (FEDEP) que não passou em nenhum momento pela construção de fato junto às bases. A realização de várias greves dos trabalhadores da educação só confirma a tese correta da necessidade de articulação com a base desses setores, em sua maioria dirigidos pelo governismo.

            Aliás, a proposta de um Encontro Nacional de Educação organizado com delegações de base para construção de um Plano Nacional de Luta dos Trabalhadores da Educação foi ignorado em prol da aliança com setores governistas e pelegos, como o PROIFES.

            É preciso repensar o modelo de organização sindical. Não se trata apenas de uma crise econômica e ambiental, mas de uma crise de organização, de concepção de organização, que o levante de 2013 expressou e que os sindicatos ficaram paralisados. É preciso apostar na mobilização da categoria em aliança com outros setores da educação, na ação direta, e não nas negociações e intermediações estatais e parlamentares.

Construir o Sindicalismo Revolucionário!

Construir a Greve Geral pela Base!

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