[RECC-RJ] NOTA SOBRE OS RECENTES CASOS DE AGRESSÕES E ASSASSINATOS A MULHERES E LGBTS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

NOTA DA OPOSIÇÃO CLASSISTA, COMBATIVA E INDEPENDENTE AO DCE DA UFRRJ (OCCI-RECC) SOBRE OS RECENTES CASOS DE AGRESSÕES E ASSASSINATOS A MULHERES E LGBTS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Rio de Janeiro, 07/07/2016

Nos últimos dias, temos visto se intensificar, nas redes sociais e na imprensa, denúncias de casos de violência e assassinatos nas universidades do Brasil. Crimes esses motivados pelo machismo, racismo, homolesbotransfobia, estão sendo cada vez mais comuns em uma sociedade patriarcal e que reproduz a estrutura de classes. No capitalismo, a marginalização desses setores da sociedade faz parte de toda dominação econômica, política e ideológica para manutenção do status quo da burguesia, esta que tem em suas mãos sangue de mulheres, homossexuais, transexuais, jovens negros, indígenas e camponeses.

Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, universidade centenária e que ainda hoje carrega o ranço patriarcal, centenas de casos de estupro são contabilizados extraoficialmente. Em 2016 vários vieram à tona, gerando intensa mobilização de estudantes no intuito de chamar atenção da reitoria e da sociedade para os casos. Além disso, o suicídio de Isadora em maio deste ano, estudante do curso de educação física, demonstra o descaso da universidade com as denúncias de estupro e assédio que são feitas, não prestando nenhum suporte às vítimas, muito menos punição aos agressores. A universidade, o Estado, se isenta de sua culpa. A responsabilização da vítima faz parte do cotidiano da Rural.

cult

Ainda em maio, um jovem homossexual foi agredido na festa Arquitontura, em Seropédica/RJ, onde é o campus sede da UFRRJ, quebrando toda sua arcada dentária e deixando inúmeros hematomas em seu corpo. Além da violência psicológica, a violência física faz parte da estrutura das universidades brasileiras e do Estado, por não criarem mecanismos para combaterem essas agressões e de omissão de suas responsabilidades.

Apenas nesse mês de julho de 2016, dois homossexuais foram assassinados no âmbito de universidades federais. Sexta-feira, 01/07, o professor André Felipe (24) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) foi morto após deixar uma festa do curso de medicina da Unimontes, em Minas Gerais. No último domingo, 03 de julho, Diego Machado, gay, negro, foi brutalmente assassinado dentro da UFRJ, próximo ao alojamento estudantil. Após ameaças realizadas por um grupo fascista via internet, o jovem foi encontrado morto.

Sabemos que, infelizmente, as agressões a mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais, indígenas, camponeses e imigrantes (ou intercambistas de origem africana) são recorrentes nas universidades assim como em toda a sociedade. Não podemos dissociar estes casos citados aos inúmeros outros assassinatos que ocorrem diariamente na periferia. Esses crimes estão enraizados na sociedade capitalista, onde quem morre tem cor e classe.  O Estado promove esses crimes à medida que se cala e omite suas responsabilidades, nos colocando como mais um para as estatísticas.

É por isso que não devemos esperar nada do Estado, pois ele promove diariamente a violência contra nós. Não é através de regimentos burocráticos ou na participação em conselhos superiores autoritários das universidades, que acabaremos com as agressões e assassinatos que nos assombram. É se espelhar em grupos como os Panteras Negras, é se organizar em Comitês de Autodefesa, que garantiremos nossa segurança pessoal e coletiva. Devemos exigir ações práticas das reitorias como a punição e expulsão desses agressores e assassinos, que continuam livremente estudando ou trabalhando em nosso meio. Exigir transporte da universidade, iluminação dos campi, assistência médica e psicológica, são algumas das medidas que ajudam a diminuir o risco que esses grupos sofrem. Somente através de uma luta unificada, calcada na ação direta e na autodefesa, onde todas e todos possam lutar e se defenderem juntos, que seremos capazes de destruir essas formas de opressão.

AUTODEFESA, GREVE GERAL, CONTRA O MACHISMO, O ESTADO E O CAPITAL!
CONSTRUIR COMITÊS DE AUTODEFESA DAS MULHERES E LGBTS!
MACHISTAS, RACISTAS E LGBTFÓBICOS NÃO PASSARÃO!

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