[RECC-SC] Boletim nº 4 – Balanço e propostas ao ME da UFSC

cabecalho03-17

por Oposição Nós Por Nós (NPN-UFSC), filiado à RECC/FOB

boletim nº 4, março de 2017

UMA ALTERNATIVA CLASSISTA E COMBATIVA NA UFSC

É com enorme entusiasmo que anunciamos o ingresso do coletivo Nós Por Nós na Rede Estudantil Classista e Combativa. A RECC é uma corrente nacional do Movimento Estudantil que surge em 2009, na Plenária dos Estudantes Classistas e Combativos, paralela ao Congresso Nacional de Estudantes. Sua fundação é marcada pela necessidade de uma força dentro do ME que atue como classe trabalhadora, com independência frente a partidos e governos, e que defenda a ação direta como método legítimo do povo em sua luta contra os exploradores. Seguindo sua concepção classista, a RECC constrói o Fórum de Oposições pela Base (FOB), que aglutina nacionalmente organizações autônomas dos trabalhadores e do movimento popular.

 É visando consolidar uma corrente classista e combativa que seja uma alternativa frente às organizações burocráticas e eleitoreiras e organize os estudantes desde a base, que nos lançamos hoje na construção da RECC em nossa universidade.

Para lutar enquanto classe, entendemos que a organização deve ser plulutar-para-estudar-editadoral assim como é a classe trabalhadora e, devido a isso, não fazemos recorte ideológico (anarquista ou comunista), religioso, sexista, de gênero ou raça, agregando estudantes que possuam acordo com nossos princípios, são eles:

CLASSISMO: Entendemos que a sociedade é dividida entre possuidores(capitalistas) e despossuídos de riquezas (trabalhadores em geral). Nossa concepção é de que os estudantes (força de trabalho em formação) constituem uma fração da classe trabalhadora. Por isso, acreditamos que os estudantes filhos e filhas do povo trabalhador devem se organizar e lutar junto a essa classe. A vitória dela será a sua e vice-versa.

COMBATIVIDADE: Para conquistar direitos e alcançar mudanças, os estudantes e os trabalhadores devem tomar o destino em suas mãos. Ou seja, a luta deve ocorrer através de protestos, ocupações, greves, bloqueio de vias públicas, organização de assembleias etc. É uma oposição a meios indiretos, tal como a eleição de representantes políticos nos governos.

AUTONOMIA FRENTE A PARTIDOS, GOVERNOS E EMPRESAS: o vínculo com o governo implica a necessidade de defendê-lo em troca dos cargos e benefícios. Mesmo quando os governos estão aplicando medidas que prejudicam a vida da população, vemos que os setores atrelados ao governo deixam em segundo plano as reivindicações estudantis. Para garantir que nossos objetivos sejam atendidos, não podemos nos vincular a nenhum governo, partido ou empresa. Acreditamos que os coletivos, oposições e movimentos devem ser autossuficientes e autogeridos pelos próprios indivíduos associados. Além disso, a autonomia contribui para a não reprodução do germe do parlamentarismo estudantil, que opta por atuar nos espaços institucionais burgueses, ficando preso aos limites impostos pelo Estado.

logos-reccANTI-GOVERNISMO: É o entendimento de que além de mantermos a autonomia frente aos governos, devemos lutar contra eles e suas medidas anti-povo, mesmo que estes se digam de “esquerda”. Isso foi o que não aconteceu com a UNE, defensoras dos projetos governamentais desde 2003, recebendo verbas até mesmo para a realização dos seus congressos. O “governismo estudantil” da UNE e da UBES representa alinhamento à burguesia e traição das lutas estudantis, por isso deve ser criticado e combatido.

ANTIRREFORMISMO: O sistema capitalista é um sistema baseado na opressão e na desigualdade, sem ricos e pobres o sistema capitalista acabaria. Sendo assim, se quisermos o fim das desigualdades não temos que lutar simplesmente para reformar o sistema capitalista, mas para que ele acabe. Isso não significa ser contra reformas que melhorem a vida dos estudantes e trabalhadores, mas a compreensão de que elas são e sempre serão insuficientes enquanto se mantiver a estrutura desse sistema.

ANTICORPORATIVISMO: Para somar forças, se faz necessário unificar na luta diversos setores da classe, ao invés de reproduzir a lógica fracionista promovida pelo sistema capitalista, pelo Estado e pela socialdemocracia. A ruptura com o corporativismo se dá na unificação a partir da organização de base de estudantes de graduação e pós-graduação e trabalhadores efetivos e terceirizados.11698707_705503972910702_6359551561873959714_n22

DEMOCRACIA DE BASE: A prática burocrática e cupulista de grupos e partidos que dominam algumas organizações estudantis é hegemônica hoje. Nós defendemos que o ME devem se articular de baixo para cima, e não o contrário. Isso quer dizer que os estudantes, através das assembleias, devem ter maior poder de decisão do que a diretoria das entidades representativas. Desta forma os estudantes se integram aos processos decisórios, e aumentam sua capacidade política de auto-organização.

INTERNACIONALISMO: Nosso projeto de reorganização da classe trabalhadora não conhece fronteiras ou pátria. Em todo o mundo, os explorados e oprimidos constituem uma só classe e, portanto, devem combater juntos nas mesmas trincheiras, estejam onde estiverem, unidos pela solidariedade de classe.

Guiados por estes princípios e sabendo que só através da ação direta de massas e organização pela base é possível avançar na luta contra a exploração do capital e a opressão do Estado, que nos juntamos aos companheiros e companheiras que compõem a RECC, fortalecendo sua atuação em mais um estado brasileiro.

Conheça e construa a RECC, acesse: https://avanterecc.wordpress.com e https://lutafob.wordpress.com

VIVA A REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA!

VIVA O FÓRUM DE OPOSIÇÕES PELA BASE!

VIVA A LUTA DO POVO!


Chega de tutela: a luta estudantil deve ser feita pela base!

(breve balanço crítico do ME da UFSC)

Consideramos que avaliar os acontecimentos anteriores é o ponto de partida para novas perspectivas, necessárias ao Movimento Estudantil (ME) da UFSC. Em 2016, a Federal experimentou um aumento no ingresso de estudantes provenientes das camadas mais precarizadas da nossa sociedade: o estabelecimento da política de 50% das vagas para ações afirmativas, junto aos ingressos via Sistema de Seleção Unificada (SiSU), gerou uma mudança no perfil – até então jovem, branco e classe média – dos calouros e calouras na universidade. Esse cenário se mostra frutífero para uma crescente nas lutas de reivindicação por melhores condições de ensino para a classe trabalhadora não somente acessar a universidade, mas se manter e conseguir concluir sua formação – o que fica exemplificado pelas proporções inicialmente tomadas pela luta por permanência no ano passado.

Infelizmente, os momentos de aquecimento do combate de classe na universidade nos apresentam as limitações de um ME enraizado em práticas burocráticas e corporativistas. Pautas como a permanência, reformas estruturais e curriculares, entre outras são apenas instrumentalizadas pelas organizações político-partidárias eleitoralistas como trampolim para a disputa das entidades institucionais.

Tanto o Diretório Central dos Estudantes (DCE) quanto o Conselho de Entidades de Base (CEB) hoje existem enquanto espaço de representação oficial, mas não real. O que vemos na UFSC é a substituição do dever político das gestões por uma disputa de poder entre os programas (diga-se de passagem, bastante similares) das organizações que disputam entre si o aparelhamento das entidades e os privilégios dessas estruturas. Essa característica implica em incapacidade de organizar estudantes para lutar por suas demandas sentidas mais imediatamente em seu cotidiano de estudo.

Exemplificamos: A ocupação da reitoria em 2015 durante a gestão Roselane, puxada por estudantes independentes, pobres e pretos, é o tipo de situação que faz com que as organizações sejam obrigadas a mostrar a sua cara. No momento de intensificação da luta e de pressão de uma reitoria que implementou diversos ataques os estudantes, em que se poderia avançar na conquista de direitos para os estudantes mais precarizados dentro da universidade, organizações como a JCA, Brigadas Populares e PSTU/ANEL são acionadas com o intuito de defender os interesses dos traidores da classe trabalhadora, votando em bloco pelo término da ocupação.

Em 2016, em especial no 2º semestre, ocorre uma aceleração da aprovação de medidas de ajuste fiscal por parte do governo federal, acompanhada por governos estaduais e municipais. Desde o primeiro momento, a área da educação é o principal alvo dos cortes e o ME se viu diante da necessidade de grande mobilização em curto prazo para resistir às investidas. Com as debilidades relatadas, especialmente as amarras contrárias à efetiva participação das bases nos processos decisórios, não foi tarefa fácil concretizar a resistência, mas o exemplo das ocupações de escolas e universidades em todo o país deu novo fôlego ao ME da UFSC. O modelo de ocupações por centro se mostrou bastante acertado, por efetivamente paralisar as atividades ordinárias, além de aproximar o movimento do local e rotina cotidiana dos estudantes, garantindo uma adesão mais ampla e proporcionando uma série de aprendizados a uma nova geração de lutadores.

Apesar disso, os fantasmas do movimento Fora Temer que rondavam (e continuam rondando) a Universidade, prontos para desviar o foco da luta entre as classes pela educação para as infames disputas entre diferentes frações da mesma burguesia pelo controle do Estado, foram verdadeiros obstáculos para que as ocupações aproveitassem a concentração de forças para garantir conquistas locais, urgentes e imediatas, o que só ocorreu timidamente em alguns centros, como no CFH. Apesar dos parcos ganhos concretos, sem dúvida alguma, afirmamos que foi possível obter resultados positivos com o processo de ocupações, principalmente na medida em que reafirmamos o caminho da autonomia, da democracia de base e do enfrentamento direto como forma de luta. Reabrir as possibilidades do ME para além da colaboração de classes tornou a experiência extremamente favorável para o próximo período.

A Oposição Nós por Nós, entende que é mural_2-3necessário combater as formas viciadas com que o ME está estruturado devido a influência do parlamentarismo e da disputa político eleitoreira. Entendemos que só através de uma cultura assembleária desde os cursos, que cria uma horizontalidade real em que o poder decisório emana das bases (o que neutraliza a atuação dos partidos traidores da classe trabalhadora) e de modos de ação alternativos às negociatas com reitorias e diretores de centro burocratas, baseadas na ação direta dos estudantes, é que se constrói um Movimento Estudantil de luta.

POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR: TODO PODER ÀS BASES!

CHEGA DE CONCILIAÇÃO, É HORA DA AÇÃO!


NOVAS PRÁTICAS E NOVOS RUMOS PARA O ME DA UFSC

O Movimento Estudantil (ME) como um todo, e particularmente na UFSC, encontra-se sem fôlego para grandes vitórias. A linha de transição pacífica do ME para o controle do Estado – implementada pela UNE (PT/PCdoB) e reforçada pela postura dúbia e conivente da Oposição de Esquerda (PSOL) e ANEL (PSTU) – teve como resultado a burocratização e estagnação das organizações estudantis. A marca dessa linha hegemônica é a reprodução da política parlamentar, a articulação pela cúpula, que privilegia instâncias em que prevalecem os acordos entre partidos e correntes, gerando afastamento paulatino dos estudantes, perda de legitimidade e definhamento do ME. A política parlamentar-eleitoral tem como colateral a organização burocrática.

Desde seu surgimento, a RECC defende a mural-1-2necessidade de uma reorganização do ME brasileiro a partir da lógica inversa, desde a base. Essa proposta não passa pela criação de “frentes de esquerda” ou comitês amorfos (de participação individual e descompromissada) que se perdem em divagações idealistas sobre a conjuntura. Trata-se de uma crítica propositiva, que identifica os efeitos desmobilizadores das negociatas com reitorias e direções sindicais e propõe uma nova prática político-organizativa que coloca definitivamente o poder nas bases estudantis.

Parte disso exige que as instâncias centrais do movimento sejam:

Assembleias de turma/curso/linha: espaço periódico de debate e deliberação acerca de questões particulares (políticas e acadêmicas), como discussão de currículo e projeto político-pedagógico, questões departamentais, problemas com professores, coordenadores, bolsas, etc. Organizar a luta para intervir na realidade imediata de seu curso ou linha de pós-graduação é fundamental para criar uma cultura de mobilização.

Conselho de representantes de turma (CORETUR): órgão de encaminhamento político composto exclusivamente por delegados eleitos em Assembleias de turma/período. Nesta instância, os representantes têm a função de encaminhar/executar as deliberações das Assembleias e fazer repasses para seus colegas. Estrutura superior à diretoria do Centro Acadêmico (CA), responsável por assessorar e fiscalizar esta última, garantindo que os representantes eleitos não se afastem dos interesses dos estudantes do curso.

Assembleias de centro: órgão deliberativo intermediário, subordinado à Assembleia Geral. Encaminhamentos das assembleias de curso são trazidos a essa instância para articular pautas e mobilizações a serem impulsionadas a nível de centro e/ou encaminhadas para a Assembleia Geral.

Assembleia geral de estudantes da UFSC: Órgão máximo de deliberação acerca das resoluções políticas que nortearão o movimento. As pautas e propostas debatidas nessa instância devem ser aquelas definidas em assembleias de curso, linha e centro (e não em reuniões de coletivos) para garantir que o ME tome o direcionamento definido democraticamente nas bases. Deveria contemplar estudantes de graduação e pós-graduação, pois o ME não deve reproduzir o discurso institucional que simula hierarquizações entre estudantes de graduação e pós, pois seu efeito na prática é o fracionamento e enfraquecimento do próprio movimento. Ainda que existam especificidades, grande parte das pautas é comum.organograma-pela-base-externo

Sabemos que esse processo de reorganização não se dará a curto prazo, pois será preciso travar uma luta ferrenha contra a hegemonia governista, reformista e legalista que subordina o ME às regras do jogo da política burguesa. Ainda assim, acreditamos firmemente em um Movimento combativo que polarize realmente com os governos, ressaltando os métodos de ação direta em detrimento das vias burocráticas. A tarefa é longa e árdua, e deve ser iniciada imediatamente!

SEM ORGANIZAÇÃO PARA A LUTA, NOS TORNAMOS REFÉNS DA BURGUESIA E DO OPORTUNISMO DE ESQUERDA!

VIVA A AÇÃO DIRETA ESTUDANTIL!

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