A greve geral do 28-A e suas lições

A greve geral do 28

A greve geral do 28-A e suas lições:

É preciso avançar na organização autônoma para derrotar as reformas neoliberais e o terrorismo de Estado

O dia 28 de Abril, dia da Greve Geral, foi um dia histórico para a classe trabalhadora brasileira. Esse dia explicitou, em termos nacionais, que a classe trabalhadora começa a se libertar das amarras da burocracia sindical e confrontar de forma efetiva o Estado. Começa a se libertar também da letargia. Essa reação, feita pela ação direta, sob a forma de piquetes e barricadas, foi fundamental.

A ação direta, realizada pelas categorias, foi determinante para colocar a luta de classes em novo patamar. A greve geral provocou um prejuízo de cinco bilhões em todo o Brasil, segundo as associações empresariais. Isso mostra que a greve tem um grande poder de pressão. O poder de afetar o capital. Mas é preciso aprender as lições claramente. Porém essa ação é insuficiente. Por isso é preciso compreender como essa luta se dá e como é preciso trava-la. Pois apesar de existir uma tendência, ela não é inevitável. Cabe às minorias ativas elevarem o patamar organizativo

1 – Terrorismo de Estado no Rio de Janeiro: laboratório da política nacional

O Rio de Janeiro está sendo um laboratório da política de reformas e ataques da burguesia comandados pela quadrilha do PMDB. No dia 28 de Abril não foi diferente. O terrorismo de Estado é o método escolhido para lidar com movimentos de massa. A questão social é, de agora em diante, e mais uma vez, caso de polícia.

O dia 28 de Abril foi marcado por três tipos de ato: 1) os piquetes e bloqueios de rodovia e sistema de transporte, realizados por diferentes categorias; 2) a Marcha combativa, com concentração na Alerj; 3) o “Ato Show”, agendado para Cinelândia pelas centrais sindicais.

  Esses três tipos de ato foram resultado da luta de classes dentro do movimento sindical e popular, de que falaremos abaixo. Mas a ação do Estado, sua lógica de repressão, indica um ponto fundamental da conjuntura.

Vivemos sob um regime de terrorismo de Estado. Esse terrorismo de Estado manifesto, construído com apoio do PT e do reformismo nos últimos anos, sempre foi visível nas favelas e periferias urbanas e no campo. Mas agora ele alcançou parcela da classe trabalhadora “protegida”.

 Ficou claro, para todos os ingênuos e indecisos, a polícia atacou uma multidão na Alerj, por volta das 16h, com uma guerra química indiscriminada. Foi um ataque covarde. A manifestação foi atacada pelas costas, quando se dirigia para a candelária. Caiu o mito, de uma vez por todas, de que a polícia “reage” a uma violência de minorias. Ou que qualquer ato isolado explique a violência policial.

Milhares de pessoas foram encurraladas com as armas químicas. Pessoas caiam sufocadas, foram pisoteadas, atingidas na cabeça por bombadas lançadas fumegantes. Só não foi pior porque uma rápida resistência se organizou. A manifestação seguiu combativa. Não foi completamente desarticulada. Ao contrário, a marcha seguiu com a fúria e o senso de unidade que somente a injustiça e opressão é capaz de produzir tão rapidamente. A perseguição e covardia policial não parou. Os manifestantes foram resistindo e se reagrupando. Blindados e motocicletas da polícia disparavam bombas e balas de borracha. Essa resistência, que se prolongou por todo o trajeto, impediu que a polícia chegasse à Cinelândia ainda mais rápido.

Outro episódio: o “Ato Show”, que tinha um palanque armado na Cinelândia, foi atacada covardemente. Milhares de pessoas, despreparadas, devemos dizer, apáticas, assistiam de longe uma repressão brutal como se não tivesse nada a ver com elas. É preciso uma autocrítica profunda de quem, ouvindo o barulho de bombas e vendo uma repressão generalizada, alimenta a ilusão de que não será atingido por ela. Obviamente, a polícia dispersou com violência. Os apelos realizados pelos deputados e burocratas apenas se tornaram patéticos, mostrando que a violência da polícia é uma política de Estado.

O terrorismo de Estado se espalhou pelas ruas. A polícia atirou contra bares e restaurantes, pessoas foram atingidas por bombas em lugares fechados e mesmo ruas estreitas tornaram-se câmara de gás.

A primeira lição é: o terrorismo de Estado seletivo, que vigorava no campo, nas favelas e periferias está se tornando generalizado. Se antes era possível para uma parcela da classe trabalhadora fechar os olhos para ele por não ser diretamente atingido, esse período chegou ao fim.

 As ilusões da democracia liberal foram enterradas no dia 28 de abril de 2017. Quem se apegar a tais ilusões será sepultado politicamente com elas. E permanecer na retórica de que a resistência popular é vandalismo é, efetivamente, adotar um comportamento covarde e criminoso. Vivemos um Estado de Exceção pleno. Somente uma organização séria e profunda será capaz de dar respostas a conjuntura.

2 – “Marcha combativa vs Ato Show”: a luta de classes dentro do movimento sindical e popular
A greve explicitou duas frentes de luta que já existem há tempos: 1) a luta contra a burguesia, o PMDB, e as reformas; 2) a luta contra a burocracia sindical, o reformismo e sua estratégia suicida. 

Para compreender o dia 28 de abril é preciso compreender que a greve geral não foi o resultado de uma ação das centrais sindicais. Ela foi o produto de uma contradição criada em junho de 2013: entre bases (que precisam, por necessidades econômicas defensivas, realizar ações de resistência) versus direções sindicais e burocracias (que negociam com o Estado e as classes dominantes em nome de seus próprios interesses). Essa contradição se manifesta de diferentes formas, inclusive a luta interna dentro das categorias.

A greve geral foi evitada por todos os meios pelas centrais sindicais. Ela deveria ter sido chamada há muito tempo, mas certamente desde o final do ano passado já havia condições objetivas para tal. Em março, depois do 15M, o lógico seria chamar uma greve geral para o dia 28 de março. Mas ocorreu uma total desmobilização da parte da centrais.

A estratégia das centrais sindicais era fazer uma “greve” moderada, mais um blefe. A greve geral, entretanto, foi se impondo a partir de várias categorias e o dia 28 de abril foi convocado e construído pela base. De fato, só é possível uma greve geral efetiva pela base.

No Rio de Janeiro, a política de desmobilização das centrais foi a de convocar um “Ato Show”. O Ato Show, criado pela Força Sindical, símbolo maior do sindicalismo de resultados, é uma festa e um palanque, criado para não produzir nenhum enfrentamento. Essa foi a única ação deliberada pela Plenária das Centrais Sindicais.

Mas aqui foi fundamental o surgimento de dois tipos de oposição: de sindicatos e categorias das bases das centrais, que apontaram para a realização de piquetes e bloqueios do sistema de transporte (e de outras correntes de esquerda); o papel do sindicalismo revolucionário como oposição dentro das categorias.

Foi o FOB que, denunciando há anos o papel da burocracia sindical, denunciou a política de um Ato Show, e levou para diversas categorias a proposta de realizar uma Marcha Candelária-Alerj, exatamente porque entendemos que os atos devem ser marchas combativas contra os centros de poder. Essa proposta, refletindo o estado de espírito das categorias, rapidamente ganhou adesão e arrastou diversas forças políticas.

O Ato na Alerj explicita a necessária dualidade organizacional e de poder sindical: de agora em diante, é preciso que os setores combativos se agrupem em ações autônomas ao controle das centrais sindicais. O ato da Alerj foi uma construção da classe trabalhadora combativa do Rio de Janeiro. A sua proposta surgiu da oposição sindicalista revolucionária, que interpretou corretamente o estado de espírito da massa e formulou uma correta estratégia de ação.

Mas tanto nacionalmente, como localmente, a greve geral foi vitoriosa apenas em uma das frentes: a luta contra a burocracia sindical. As oposições das bases contra as direções, e a vitória pontual e realização de uma grande marcha, no RJ, não são suficientes para ter condições de derrotar a ofensiva burguesa. Isso exige que os trabalhadores estejam mais organizados, mais preparados, mais conscientes dos problemas, mais capazes de tomar decisões.

 
3 – Amanhã vai ser maior… mas somente com estratégia organizacional autônoma e classista

A greve do dia 28 de abril esboçou uma dualidade de poder dentro do movimento sindical. O poder das bases em luta contra o poder da burocracia sindical, primeira linha de defesa do Estado. Mas é preciso que uma parcela crescente dos trabalhadores e trabalhadoras tenham consciência dessa luta, e aprofunde a sua auto-organização.

Somente com um grande poder organizacional seremos capazes de te chance de derrotar as reformas. Mas só teremos esse poder organizacional lutando contra a burocracia sindical, o espontaneísmo e individualismo. A desorganização não é só culpa da burocracia sindical. É fruto do imobilismo e individualismo.

 Por isso é preciso hoje combater nas duas frentes: lutar contra a burocracia sindical e reformista das centrais; derrubar o Governo Temer e quadrilha do PMDB. Temos por isso, no Rio de Janeiro, algumas tarefas práticas.

Primeira tarefa: organizar uma Plenária sindical, estudantil e popular autônoma: essa plenária deve ser composta por todas as categorias de trabalhadores, estudantes e movimento popular que aceitem a necessidade de lutar por meio da ação direta e da greve geral. Deve ser composta por delegados de base das categorias. Essa plenária deve articular diversos sindicatos, ser autônoma do Estado e da burocracia sindical e coordenar as ações de construção da greve geral e da resistência.

A autodefesa de massas deve ser ampliada e generalizada. Cada sindicato, cada universidade, cada movimento popular, deve organizar sua brigada de autodefesa. Devemos ter, em grandes marchas, milhares de militantes nessas brigadas. Essas brigadas de autodefesa devem estar equipadas e preparadas para deter a violência policial e apoiar o movimento de massas na sua ação ofensiva. Também devem ser organizadas equipes de primeiros socorros e de apoio logístico.

Segunda tarefa: denunciar e boicotar o Governo Temer. É preciso denunciar o Estado de Exceção e o terrorismo de Estado, e a cumplicidade de todos os partidos políticos com o mesmo. Devemos organizar dossiês e encaminhar para organizações de trabalhadores em todo mundo, conclamando ações de solidariedade contra a diplomacia brasileira, as empresas brasileiras e a burguesia brasileira. Conclamar o boicote aos produtos das empresas brasileiras e também difundir as denúncias e exigir sanções ao governo brasileiro.

Precisamos intensificar a mobilização. A greve geral de 28 de abril foi uma greve geral de advertência e organização, ou seja, defensiva. É preciso realizar outras greves defensivas e de organização nos meses de maio para culminar com uma grande greve geral ofensiva por tempo indeterminado em junho. Uma grande greve geral com marcha nacional a Brasília na semana do dia 17 de Junho.

 Por isso conclamamos todos os setores combativos a adotar essa plataforma de luta. Somente aprofundando a organização autônoma seremos capazes de resistir.

Greve Geral contra a Terceirização e as Reformas da Previdência e Trabalhista!
Organizar uma Plenária Sindical, Estudantil e Popular Autônoma!!!

CONSTRUIR O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!!
PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA!!

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