SIGA-RJ | Boletim Especial CHEGA DE ESCRAVIDÃO – Nº 4

CHEGA DE ESCRAVIDÃO

Pelo direito à saúde, ao trabalho e à renda

Boletim do Sindicato Geral Autônomo do Rio de Janeiro – SIGA/RJ | Edição Especial em tempos de pandemia | número 4 | Maio de 2020

 

Editorial

Na publicação do nosso segundo número especial, registramos os dados da Covid-19 do dia 10 de maio: 162.699 casos e 11.123 mortes. Ao finalizar o nosso quarto número, registramos os dados de 26 de maio: 391.222 e 24.512mortes.

Apesar desses números alarmantes, as autoridades continuam tratando nossas vidas com descaso. A divulgação do vídeo da reunião ministerial mostrou que ali não havia nenhum ministro preocupado com a vida das trabalhadoras e trabalhadores. Muito pelo contrário, o ministro Paulo Guedes estava preocupado em salvar as grandes empresas aéreas.

Os discursos dos generais ministros são uma tentativa de justificar as próprias ações do presidente Bolsonaro, que é contra as medidas de isolamento social, argumentando que prejudica a economia, e defendendo o uso indiscriminado de um medicamento, cuja eficácia não é reconhecida nem pelos médicos e nem pelos cientistas, podendo provocar mais mortes.

Na verdade, Bolsonaro e seus ministros estão mancomunados com os empresários para pressionar que os trabalhadores deixem o isolamento social e voltem a trabalhar. O ministro Augusto Heleno, o carniceiro do Haiti, está preocupado em defender a familícia Bolsonaro. Não importa que nossas vidas estão em risco, os políticos e poderosos só se preocupam com seus próprios interesses, ou seja, aumentar a exploração sobre o trabalho e conseguir mais e mais lucros, mesmo que isso provoque um verdadeiro genocídio.

A cada dia enfrentando essa pandemia, nossa certeza só aumenta: só o povo salva o povo!

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Veja também: Boletim Especial Chega de Escravidão – Número 3

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Genocídio da juventude pobre, preta e periférica é política oficial no Rio de Janeiro.

Erro colateral? Falta de planejamento? Treinamento ruim das policias? Nada disso.

Matar a juventude pobre e preta é uma política pública oficial comandada por Wilson Witzel (PSC) e suas secretarias de polícia. No ano de 2019, 1.814 pessoas perderam a vida em decorrência da ação policial, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, em sua grande maioria são jovens(34%) e pretos ou pardos (66,6%).

Em meio a pandemia do COVID-19, as operações policiais foram responsáveis por assassinar 17 pessoas, 13 delas num chacina realizada na manhã de sexta feira, 15 de maio, no Complexo do Alemão.

Dois assassinatos (dos 17) ocorreram, enquanto aconteciam ações sociais de amparo às famílias que estão sofrendo de carestia nas favelas da cidade. Na Cidade de Deus, Zona Oeste, enquanto voluntários distribuíam cestas básicas, policiais do BOPE entraram na favela e executaram João Vitor Gomes da Rocha, 18 anos, e ainda ameaçaram os componentes da Frente CDD, responsável pela ação social. No Morro da Providência, policiais assassinaram Rodrigo Cerqueira, 19 anos, enquanto voluntários do Pré Vestibular Social Machado de Assis distribuíam cestas básicas para a população.

Além destes casos, na segunda-feira (18/05), tivemos a execução de João Pedro, 14 anos, em sua casa no Complexo do Salgueiro, São Gonçalo. Enquanto brincava com primos e amigos, policiais da CORE invadiram a casa, o executaram e ocultaram seu cadáver durante longas horas, forçando a família a proceder numa busca agoniante que só foi resolvida na manhã de terça-feira. A casa ficou com 72 marcas de tiros

Em menos de uma semana, tivemos um exemplo claro da política de extermínio de Wlson Witzel, genocida que hoje ocupa o posto de governador. Ao mesmo tempo que aparece nas TV’s falando de “defende a vida” no contexto da epidemia, o genocida ordena o assassinato sistemático de jovens pretos e pobres nas favelas do Estado.

Como está no início do texto, não são erros. São fatos de um genocídio, bem planejado e estruturado com um alvo bem definido: a população pobre, negra e trabalhadora do Estado do Rio de Janeiro.

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Veja também:
João Pedro, 14 anos, assassinado pelo EstadoRodrigo Cerqueira, 19 anos, assassinado pelo Estado **************************************

2 EMPRESÁRIOS DOS SUPERMERCADOS SE APROVEITAM DE MEDIDA DO GOVERNO PARA OBTER VANTAGENS SOBRE OS TRABALHADORES E TRABALHADORAS

 No dia 13 de maio, na publicação do segundo número do nosso Boletim Especial (https://lutafob.wordpress.com/2020/05/13/siga-rj-boletim-chega-de-escravidao-2/), denunciamos que as grandes redes de supermercados não estão recolhendo os valores referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e segundo as denúncias que estão chegando, esta prática continua.

Conforme já destacamos, no dia 22 de março, o governo Bolsonaro, afirmou que queria “salvar as empresas com dificuldades por causa das medidas de combate a Covid-19, publicou a medida provisória 927, que, dentre outras providências, permitiu que as empresas depositem os meses de abril, maio e junho, a partir de julho e de forma parcelada (seis vezes), sem juros e sem multa.

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Mas é importante fazer alguns questionamentos: 1) Se a desculpa da publicação de tal medida seria socorrer empresas, os supermercados precisam de socorro? A resposta é NÃO. Os supermercados estão entre aquelas empresas que mais estão faturando nessa crise. 2) Os supermercados fazem algo fora da lei? Não. 3) Do ponto de vista dos trabalhadores dos supermercados essa medida é justa? Com toda certeza NÃO! Nós, trabalhadores e trabalhadoras dos supermercados, estamos colocando nossa saúde e nossas vidas em risco para garantir um serviço essencial para a população em geral, e os empresários estão se aproveitando da situação para postergar o depósito dos valores do nosso FGTS.

Os empresários pensam exclusivamente nos seus lucros, não importa como. Por isso, nós temos que estar sempre organizados na defesa dos nossos direitos e na luta por justiça!

Denuncie as irregularidades, o anonimato é garantido:

E-mail do SIGA-RJ: sigarjfob@protonmail.com

Ministério Público do Trabalho, ligue 0800-0221331

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Veja tambén

Guanabara Obriga os trabalhadores a trabalharem doentes *****************************************

A COVID-19 AMEAÇAS VIDAS NAS FAVELAS DO RIO

No dia 25 de maio, o projeto SOS Favela divulgou o resultado da pesquisa desenvolvida entre os dias 9 e 16 de maio nas favelas do estado do Rio de Janeiro, 332 ao todo em 29 municípios, com objetivo mapear o avanço da Covid-19 entre os moradores.

A realidade retratada na pesquisa nós, infelizmente, conhecemos de perto. Nas favelas do Rio de Janeiros 20% das pessoas infectadas pela Covid-19 morreram nas próprias residências, sendo que 75% não procuraram ajuda médica. 8,8% das famílias residentes nas favelas têm, no mínimo, uma pessoa infectada. 50% dos moradores de favelas e periferias perderam alguém próximo com suspeita de Covid-19 e 75,5% das pessoas que tiveram sintomas da doença não procuraram atendimento de saúde.

O portal Vozes da Comunidade (https://painel.vozdascomunidades.com.br/) informa que, no dia 25 de maio, foram confirmados 842 casos de infecção e 202 mortes por Covid-19 nas favelas da cidade do Rio de Janeiro.

Enquanto os números da Covid-19 aumentam em todo o estado do Rio de Janeiro, no dia 25 de maio o número de infectados chegou a 39.298 e o número de óbitos chegou a 4.105, o descaso das autoridades com a saúde e a vida do povo continua. Os profissionais da saúde estão trabalhando em condições precárias e muitos com salários atrasados, entretanto, as denúncias de corrupção na saúde pública se multiplicam.

A nossa alternativa é a auto-organização, nós por nós, sem governo, sem autoridades, sem políticos, sem padrinhos! Somente a luta independente em defesa de nossos direitos e nossas vidas.

Somente o povo salva o povo

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Veja também:

Programa pela Vida do Comitê de Solidariedade Popular de Feria de Santana 

SIGA-DF: Criar brigadas em defesa da saúde pública em cada bairro

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Trabalhadores da saúde protestam e são presos pela Polícia de Witzel

No dia 23 de maio com as faixas “Quarentena geral para não adoecer. Renda mínima para sobreviver. Leitos para todos para não morrer” e “Fora Bolsonaro!“.ocorreu uma manifestação na Linha Amarela, Zona Norte do Rio de Janeiro, na altura do pedágio.

Com pouco tempo de manifestação a Polícia Militar (PM) chegou e conduziu dez trabalhadores da saúde para a delegacia e dois militantes foram fichados: Maria Lúcia Pádua, da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde (Fenasps) e Carlos Vasconcellos, do Sindicato de Médicos do Rio (Sinmed).

Importante lembrar que além dos altos números de casos e óbitos no Rio tem uma fila de  335 pessoas aguardando transferência para uma vaga pública de terapia intensiva.

As trabalhadoras da saúde vem denunciando durante todo o período da pandemia a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), principalmente para as trabalhadoras da enfermagem (técnicas, auxiliares e enfermeiras). Dados do Conselho de Enfermagem (COFEN) mostram que já tivemos156 enfermeiras e enfermeiros mortos por COVID-19 sendo 36 no Rio de Janeiro, o estado com mais mortes. Não podemos esquecer que esse número é ainda maior pois não contabiliza  trabalho da limpeza, recepção, serviços administrativos e segurança das instalações de saúde.

Denuncie as irregularidades, o anonimato é garantido:

E-mail do SIGA-RJ: sigarjfob@protonmail.com

Ministério Público do Trabalho, ligue 0800-0221331

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Veja também:

 Profissionais da Saúde pública do Rio de Janeiro denunciam atraso de salários em plena pandemia

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Pelo Brasil

Condição dos Presos

Segundo o Governo Federal já morreram 37 e foram confirmados 1135 casos de COVID nas prisões brasileiras. No Rio de Janeiro foram 8 mortes. No entanto, só 4255 testes foram feitas em toda população que vive em cárcere.  Com péssimas condições sanitárias a tendência é a situação ser ainda pior. Atualmente, o Brasil tem 750.000 presos, grande parte sem sequer ter sido julgada. Além disso, os presídios estão fechados. Familiares e advogados tem denunciado a falta de equipamento básico de proteção, higiene e informação dos governos.

Ataque as trabalhadoras e os trabalhadores do IBAMA

O governo Bolsonaro através de seu ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, continua atacando os trabalhadores do meio ambiente com todo tipo de ameaça A política de “passar a boiada” tem significado:  a redução da autonomia de servidores, cortes em orçamento dos órgãos de controle e proteção ambiental do país, afrouxamento das regras de controle e fiscalização. As empresas como BRF (Sadia, Perdigão e Qualy), Seara, Batavo, Friboi e Marfrig  e as organizações burguesas seguem apoiando a política de destruição ambiental do governo Bolsonaro, o que tem significado perseguições, exonerações de funções e assédios aos trabalhadores do IBAMA e ICMBio.

Rodoviários

As demissões no setor de transporte continuam. Depois da 1001 ( incluir matéria) agora foram as empresas COESA e Rio ITA. Além das demissões, as empresas estão encerrando linhas intermunicipais e municipais, como o caso da linha 43 da Ingá, em Niterói. Isso prejudica ainda mais os trabalhadores que continuam a trabalhar.

Trabalhadores Rurais

Os/as trabalhadores/as rurais e camponeses/as são ainda mais essenciais nesses tempos de pandemia para garantir a segurança alimentar. O alimento que chega na mesa de cada trabalhador na cidade. Mas suas condições de trabalho continuam ruins,  além de sofrerem com a violência no campo, cada vez mais contaminação direta e indireta pelo uso de agrotóxicos e a mecanização do campo.

Veja também:

Faz três anos da Chacina de Pau D’Arco, PA. Não Esquecemos, Não Perdoamos!!!

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