[FOB-RJ] Da capitulação das centrais ao silêncio dos reformistas: a Greve Geral de 30 de junho

FOB-RJ

Um balanço da greve geral do dia 30 de junho é necessário. Apesar de importante, ela representou um claro declínio em relação ao movimento de ascenso de abril e maio. Esse declínio não foi consequência de uma queda da atividade e disposição de luta da classe trabalhadora. Foi, ao contrário, o resultado de uma política deliberada de desmobilização conduzida pela cúpula da burocracia sindical em conluio com o Governo Federal. Mas para isso colaboraram também a fragilidade de organização de base e o próprio papel titubeante das correntes de “oposição” (ligadas ao PSOL, PSTU, PCB). Também colabora a fragilidade organizativa dos setores autonomistas e libertários, que pouco avançaram na organização de base consequente, deixando esse terreno quase que livre ao reformismo e oportunismo.

A greve geral convocada para o dia 30 de junho vai ficar marcada pela capitulação das centrais sindicais(CUT, Força Sindical, UGT, CTB) e pela reação pouco efetiva das correntes sindicais de oposição (como a CONLUTAS), em especial no Rio de Janeiro. Essa fraqueza da reação se dá em razão do reboquismo histórico em relação às centrais e em razão da fragilidade da organização de base das categorias, fragilidade esta também induzida por estes mesmos grupos e correntes, que optam por ação de cúpula e desorganizam as organizações de base com muita frequência.

Como no 28A, a greve geral do dia 30 também foi marcada por fechamento de vias importantes da cidade, embora com menor força em função de todo desmonte realizado pelas centrais. O ato da tarde, embora cheio, com pelos menos umas 20 mil pessoas, não teve o mesmo impacto e folego que o 28A ou o 24M em Brasília. Aqui o silêncio dos reformistas diz mais que mil palavras. O ato marcado para às 17:00 h na candelária deveria seguir em direção à Cinelândia, e depois de muito tempo de concentração (que foi montado para ser um palanque, que demorou começava a rumar a rio branco, quando do nada parou após 200 metros de caminhada e parado ficou por cerca de 1 hora. Após todo este tempo, o carro de som composto tanto pelas centrais quanto por dirigentes dos partidos citados anunciam que o ato iria andar rumo a Central do Brasil. Essas manobras expuseram grande parte da massa presente à ação de provocadores e a repressão policial, e de forma, digamos, suspeita, deixou o bloco autônomo e combativo do ato exposto durante um longo tempo aos olhares da repressão e depois, com a manobra de redirecionar o ato para a Central do Brasil, procurou-se reforçar a ideia de que os mesmos não fazem parte do“ato legítimo” (campanha de desqualificação iniciada em Junho de 2013). Mesmo que isso não tenha sido intencional, sejamos ingênuos, essas decisões de cúpula dificultam a organização da resistência e mostra um profundo descolamento entre as direções (que tomam decisões sem qualquer debate justificativa) e as bases, que são jogadas de um trajeto para outro sem saberem a razão, ficando assim à mercê da repressão policial. Na rua, a mudança do trajeto do ato gerou confusão e mostrou a inexistência de uma tática clara, e as decisões de mudar o trajeto do ato são feitas quase sempre para desqualificar os “Black Bloc”, o grande bode expiatório para os crimes do reformismo.

A capitulação das centrais evidencia duas coisas: 1) todo o seu apego ao Estado; 2) e o medo de perder o controle das bases que controlam, tendo em vista o acirramento cada vez maior entre base e direção e a disposição da massa para a luta radical que ficou evidente nas últimas mobilizações no Rio e no país. O reboquismo frente às centrais pelos reformistas fica claro pelo silêncio frente ao ocorrido pelo chamado a unidade com as centrais sindicais.

Após a greve geral do dia 28 de abril e o ocupa Brasília de 24 de maio, onde as bases demonstraram sua real disposição para luta e os trabalhadores romperam a barreira policial e destruíram vários ministérios, as principais centrais sindicais do país convocaram uma nova greve geral para 30 de junho. Embora esta greve tenha demorado a sair, era necessária sua convocação. Nesse intervalo de tempo, as centrais sindicais, através da negociação de cúpula com o governo federal, conseguiram a promessa de veto a alguns pontos da reforma sindical, em especial o ponto que acabava com o imposto sindical, fator que garante a reprodução da burocracia sindical no controle dos sindicatos. A partir deste momento, elas começaram a destruir e desmobilizar a greve geral, inclusive mudando o nome para “dias de paralisações e lutas”.

Aqui no Rio de Janeiro, diversas categorias (SEPE, SINDISCOPE, CEFET, UFRJ, ADUR, entre outras) decidiram pela manutenção da chamada da greve geral e através do Sepe foi convocada uma plenária de entidades para organização da mesma. Foram realizadas duas plenárias, sendo a última realizada no dia 27 de junho. Nesta, nós do FOB e o SOS EMPREGO foram os únicos a defender a necessidade de garantir um grande ato combativo no final do dia e que este se dirigisse à ALERJ, em função desta casa não somente ser o centro de poder do governo estadual, como também os grandes protagonistas da aprovação de reformas de austeridade que prejudicam os trabalhadores públicos do Estado e consequentemente a classe trabalhadora usuária dos serviços públicos. As demais correntes políticas presentes (PSOL, PSTU, PCB) nada indicaram de ação para a greve geral, embora tenha de forma genérica criticado o desmonte da greve pelas centrais sindicais. Essa postura, na prática induz ao reboquismo em relação à política das centrais, reproduzindo os ecos da famigerada política de unidade de ação que imobilizou as resistências desde há muito tempo.

Esse silêncio mostra que tanto as centrais, quanto essas correntes reformistas, não querem imprimir uma estratégia e uma tática a greve geral. As centrais sindicais temem a greve geral. Elas não querem também ações radicais contra o Governo temer. Por isso, limitam a greve geral a um dia e não organizam ações radicalizadas. Por sua vez, as correntes sindicais reformistas, mesmo chamando a greve geral, consideram que esta só pode ser construída pela cúpula, com as centrais. Como as centrais não formulam uma estratégia, e a estratégia dessas correntes é seguir as centrais, ficamos presos num círculo vicioso. E esse círculo conduz a inefetividade do principal instrumento de luta da classe trabalhadora, a greve geral. Precisamos reconhecer: a greve geral do 30J não alcançou seus objetivos. Mesmo que tenhamos tido importantes momentos de resistência, isso não é suficiente. Uma greve geral não deve e não pode ser apenas um momento para demonstrar numero. Uma greve geral e a ofensiva, deve realizar resultados concretos, ou ela se desmoraliza. E a greve geral não fez isso porque ela foi meticulosamente desorganizada pelas centrais, e não encontrou nas bases outro centro organizador.

A greve geral precisa de uma estratégia e uma tática. A greve geral deve ter como estratégia, a paralisação não apenas da produção, mas a paralisação das condições de funcionamento dos centros de poder. Em termos táticos, uma greve geral tem de ser ofensiva, suas ações devem ser realizadas por meio de piquetes e marchas que garantam seus objetivos estratégicos. Marchas sem objetivos táticos claros (como no dia 28 de abril e 30 de junho) e shows não são as táticas para uma greve geral. Marchas para demonstrar número, atividades culturais são aceitáveis apenas em momentos de preparação, de educação das bases, não no momento da ofensiva. Toda greve geral deve ser convocada com movimentos de Ocupa os centros de poder e deve ter uma preparação real para realizar ocupações de fabricas e tomar o controle da produção.

Greve geral precisa ter tática e estratégia. As Centrais não irão elaborar essa tática e estratégia, pois elas sabotam a greve geral, elas temem a greve geral tanto ou mais que a própria burguesia. A tática e a estratégia da greve geral será elaborada somente a partir da base. Das direções sindicais temos visto desmobilização e capitulação.

Romper com as centrais sindicais e o sindicalismo de Estado: construir plenárias de base autônomas e construir a greve geral pela base!

Não podemos ficar a mercê da política das centrais sindicais que visa apenas se manter controlando a burocracia sindical e fortalecer a campanha eleitoral do PT e Lula em 2018 ou mesmo o chamado para uma nova eleição através do slogan “diretas já”. Ao mesmo tempo, não podemos nos submeter a política dos partidos reformistas, seja na formação de um bloco classista e combativo (termos usados apenas como fraseologia por estes setores), muito menos na palavra de ordem “Fora Temer”, que sem uma estratégia coerente é tão vazia quanto “diretas já”. Ambas as políticas levaram o povo a derrotas, perda de direitos e o aumento considerável da precarização da vida.

Nesse sentido, nós do FOB chamamos a construção da greve geral pela base agregando diferentes categorias, movimentos sociais e estudantes para organizar a luta e a resistência contra as reformas de austeridade. Essa greve não pode ser uma greve de 24 horas numa sexta-feira com um trajeto aleatório, que caminha de uma praça para outra. Devemos caminhar para uma greve geral por tempo indeterminado, combinado com ações de ocupa para uma verdadeira paralisação dos centros de poder e produção, fechando as vias centrais do centro da cidade, parando a produção de petróleo e os bancos, além dos serviços públicos. Tomar o controle da produção efetivamente. Essa greve somente será construída por uma Plenária Autônoma de Delegadas e Delegados de Base, e não por centrais e mesmo reuniões de dirigentes, por mais sinceros que estes possam ser.

 

28-A: Viva à Greve Geral!

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28-A: Viva à Greve Geral!

Avançar na Organização Autônoma das Trabalhadoras e Trabalhadores!!!

O dia 28 de Abril, dia da Greve Geral, foi um dia histórico para a classe trabalhadora brasileira. Esse dia explicitou, em termos nacionais, que a classe trabalhadora começa a se libertar das amarras da burocracia sindical e confrontar de forma efetiva o Estado. Começa a se libertar também da letargia. Essa reação, feita pela ação direta, sob a forma de piquetes e barricadas, foi fundamental. A ação direta, realizada pelas categorias, foi determinante para colocar a luta de classes em novo patamar. A greve geral provocou um prejuízo de cinco bilhões em todo o Brasil, segundo as associações empresariais. Isso mostra que a greve tem um grande poder de pressão. O poder de afetar o capital. Mas é preciso aprender as lições claramente.

A primeira lição é: o terrorismo de Estado seletivo, que vigorava no campo, nas favelas e periferias está se tornando generalizado. Se antes era possível para uma parcela da classe trabalhadora fechar os olhos para ele por não ser diretamente atingido, esse período chegou ao fim. Vários setores, em vez de combater o fascismo e o terrorismo de Estado, viram as suas armas contra a resistência popular, acusando-a de vandalismo. Todos, em todo o Brasil, puderam ver que a polícia agiu para incapacitar e matar: em Goiás, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em todos os lugares.

A segunda lição é, apesar de fundamental, a greve geral foi apenas o início de uma luta prolongada. Nessa luta será decisiva a capacidade de auto-organização e a formação de uma nova moral de classe, aquela que não tolere a transigência com o Estado, com o fascismo e a covardia. As grandes ações de rua e de massa são fundamentais. Mas é preciso um processo de auto-organização que possa dar resposta mais duradouras à longa luta que se coloca.

Por isso viva a greve geral do dia 28-A!

Avançar na organização autônoma dos trabalhadores e trabalhadoras!

Somente a Greve Geral pela base vai impedir o avanço do capital contra os direitos da classe trabalhadora!

  Os limites do sindicalismo tutelado pelo Estado chegaram ao seu nível máximo de deterioração! As centrais sindicais são incapazes de organizar a classe pela base! Chegaram ao fundo do poço, deixando o arqui-pelego traidor, Paulinho da Força, ser porta voz de um suposto “ocupa Brasília”. Quem vai ocupar Brasília atendendo o chamado desses burocratas pelegos? Os 13 milhões de desempregados do país? Os outros 13 milhões de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados? A multidão que vive na informalidade? Os indígenas, os camponeses, a juventude negra, que vem sendo assassinada pelo Estado ou com a cumplicidade deste?

Para a população precarizada, as reformas trabalhistas e da previdência não mudam sua condição imediata de miséria, apenas a aprofundam no longo prazo. Esse arremedo de tentativa de organizar a classe trabalhadora por cima, não dialoga com os trabalhadores da cidade e  também não amplia horizontes para quem luta pela vida, nos campos e nas favelas. É preciso denunciar a burocracia sindical em todos os espaços! É preciso fortalecer os comitês de base e politizar os debates nas

assembleias, para a construção coletiva de uma pauta classista, contra o ajuste fiscal. As trabalhadoras e trabalhadores deste país precisam se unir em solidariedade, para provocar grandes perdas ao capital!!! Isso só é possível com a realização de uma grande GREVE GERALl! Não aceitaremos continuar sendo tutelados pelas centrais traidoras, que sem ouvir as bases, determinam um “ocupa Brasília”, que demandará energias e gastos importantes à estrutura sindical, minando a capacidade de resistência da classe trabalhadora e desviando o foco da greve geral. Então não devemos ocupar? Sim, devemos ocupar! Mas devemos ocupar tudo, em decisão tomada pela base, e no contexto da Greve Geral. Além de Brasília, devemos ocupar todos os espaços de produção e de circulação de mercadorias! O 28A só foi possível por que diversas categorias assumiram o protagonismo de ser organizar pela base a Greve Geral. A direção do movimento deve ser do conjunto da classe, pela base. Faremos isso de forma sincronizada e sem a presença desses malditos conciliadores do capital. Devemos fazer tremer aqueles que nos querem de joelhos!

Fora CUT, CTB, UGT, FORÇA, NSCT, CSB!! Construir o Poder Popular!!!

Não aceitaremos que nossa luta se transforme em palanque eleitoral!

Viva o Sindicalismo Revolucionário! 

[ACS] Greve Geral Já!

Acesse PDF: GREVEGERAL

O Brasil enfrenta uma grave crise provocada pela classe dominante. Essa crise é usada como meio para roubar os trabalhadores, por meio das reformas trabalhista, da previdência e pela expansão da terceirização.

Somente um forte movimento de massas é capaz de derrotar esses ataques. Somente uma grande greve geral, acompanhada de um levante popular, pode parar  o ataque capitalista.

Mas além dos ataques do grande capital enfrentamos também a traição das centrais sindicais: CUT, CTB, Força Sindical atuam para sabotar e enfraquecer a resistência.  Chamaram uma greve geral para o dia 28 de abril por pressão das bases. Mas fazem tudo para tirar do dia 28 o caráter de “greve” e de “geral”.

No Rio de Janeiro as centrais convocaram de comum acordo um “showmício”, um ato Candelária-Cinelândia seguido de um Show. Esse método, típico do sindicalismo pelego e patronal, só irá desmoralizar o movimento. Além disso, uma greve geral de um dia, convocada para uma véspera de feriado, cairá no vazio. Os atos e mobilizações que estão programadas para parte da manhã, bem como a Marcha definida para Alerj, às 14hs, só acontecerão devido à pressão das organizações, como o FOB. É preciso transformar o blefe em manifestação real. É guerra.

A estratégia é clara: querem fazer um showmício para virar um ato de campanha eleitoral. Uma greve que não tenha nenhum impacto real na acumulação de capital no Brasil. E depois dirão que greve geral foi “sem efeito”, que as massas não estão “preparadas”. Essa estratégia derrotista é uma estratégia oportunista, visa apenas preservar a burocracia sindical e realizar o trabalho de apoio a campanha “Lula 2018”.

Por isso dizemos: é hora de construir uma greve geral pode tempo indeterminado. Para a produção nas fábricas, para as escolas, para a produção no campo, parar os aeroportos. É hora de parar os transportes, as universidades, as escolas. É hora de ocupar as ruas, ocupar as assembleias legislativas e expulsar os políticos corruptos do poder. É hora de uma greve geral.

Greve geral pela suspensão e anulação das reformas da previdência.

Pela anulação da lei da terceirização.

Greve Geral pela Base!

Abaixo as centrais sindicais pelegas e oficialistas.

Greve geral já! Pára tudo, ocupa Tudo! 

 

[ACS] Construir Comitês de Mobilização Pela Base

Por Aliança Classista Sindical

Panfleto ACS (Panfleto atualizado sobre a greve geral)
CONSTRUIR COMITÊS DE LUTA E MOBILIZAÇÃO POR LOCAL DE TRABALHO! AVANÇAR NA ORGANIZAÇÃO DE LOCAL POR TRABALHO E RAMO!

O Comitê de Luta e Mobilização (CLM) é um espaço para organizar a luta política conjunta das trabalhadoras e dos trabalhadores (servidoras e servidores estatutárias e terceirizadas) e estudantes contra os problemas práticos e cotidianos existentes nos locais de estudo e trabalho. É a ação direta das trabalhadoras e trabalhadores para melhorar sua vida e condição de trabalho e estudo.
O objetivo é lutar contra os ataques aos nossos direitos (salários dignos, previdência social, pagamento dos salários em dia, etc) e contra a precarização das condições de estudo e de trabalho, como assédio moral, e as discriminações (racismo, homofobia, transfobia, sexismo, machismo e outros). Nesse sentido o CLM realiza a unidade das trabalhadoras e trabalhadores por local de trabalho, e não por acordo de correntes e grupos políticos.
O CLM tem autonomia do Estado, dos Partidos Políticos, das Centrais Sindicais e dos Empresários. É muito importante o comitê ter autonomia das direções sindicais e promover o associativismo e solidariedades nas bases. Também é fundamental se articular com os movimentos sociais, do campo e da cidade, que possuem objetivos e estratégias comuns.
Os CLM se organizam a partir das assembleias e reuniões. Podem participar das assembleias e reuniões de maneira igualitária (com direito a voz e voto) servidoras e servidores estatutários e terceirizados e estudantes. As reuniões são para executar as medidas decididas coletivamente na assembleia do ComitÊ!

Consturir o Sindicalismo Revolucionário!!! Greve Geral pela Base!! Todo poder ao Povo!!

[ACS] GREVE GERAL SE CONSTRÓI PELA BASE!

Por Aliança Classista Sindical (ACS)

PANFLETO

greveA classe trabalhadora e as/os estudantes encontram-se sob uma grande ofensiva burguesa, na forma do Ajuste Fiscal do Governo Temer. O Ajuste Fiscal está sendo imposto pelo Governo Federal a partir do PLC 54/16 (antigo PL 257) e pela “PEC do Fim do Mundo”, a PEC 241. Esse projeto de lei e esse projeto de emenda constitucional representam o corte drástico nos investimentos públicos em saúde, educação, cultura,
assistência social, previdência, ou seja, em todos os setores fundamentais para trabalhadoras, trabalhadores e estudantes.
Na Educação os ataques do Governo Federal ainda são representados de Medida Provisória do Ensino Médio (MP 746/16), que reduz, na prática, os currículos escolares em três disciplinas obrigatórias: Português, Matemática e Inglês. Isso é o primeiro
passo para a privatização da Educação Pública, pois o Governo irá impor a gestão das OSs nas escolas. Diante dessa ofensiva, trabalhadoras, trabalhadores e estudantes começam a organizar sua resistência. As servidoras e os servidores da educação
do Paraná estão em greve, as/os estudantes paranaenses já ocupam cerca de 600 escolas. As redes municipais de Angra dos Reis e Duque de Caxias
estão em greve. A Rede Federal de Ensino encontra-se em mobilização, com greves deflagradas e Institutos Federais ocupados pelas e pelos estudantes.
As pautas são as mesmas, contra o Ajuste Fiscal, contra a MP do Ensino Médio, em defesa dos serviços públicos e pela garantia dos salários e direitos trabalhistas e estudantis.
É o momento de construção da greve geral! As greves se complementam, se fortalecem, se unem as ocupações, tomam as ruas! Trabalhadoras, trabalhadores e estudantes tem se revoltado e resistido aos ataques contras nossos direitos!

O QUE É A GREVE GERAL?
A greve geral é um instrumento histórico da classe trabalhadora na luta pelos seus direitos. É um instrumento que rompe com o corporativismo e com o isolamento das categorias, pois permite a luta conjunta de todos os setores.
Sempre que o Estado e a burguesia promovem ofensivas contra os direitos das trabalhadoras e trabalhadores, a classe converge suas lutas em greve geral. As pautas são as mesmas, as mobilizações são conjuntas, as greves são deflagradas nas bases das diversas categorias, trabalhadoras, trabalhadores e estudantes se unem na luta por
reivindicações comuns, como a luta contra o ajuste fiscal, contra o genocídio do povo negro e indígena e por terra e liberdade.
Portanto, a greve geral é construída pela base, ou seja, de baixo para cima, nos locais de trabalho, nas escolas, nas universidades, nas ocupações, nos bairros, favelas e periferias.
A greve geral não é tutelada pelas burocracias sindicais, afastadas da base e presas ao corporativismo, nem se resume a um dia de “desfile cívico”. Muito pelo contrário, a greve geral é a concretização da luta coletiva das trabalhadoras, dos trabalhadores e estudantes, é o movimento que se organiza pela base, rompendo o isolamento e assumindo a forma de uma resistência de massa. É a classe trabalhadora e os estudantes assumindo o protagonismo das suas lutas.
O movimento em curso hoje no Brasil, realizado por professores, servidoras e servidores públicos e estudantes contra o Ajuste Fiscal, é o início da greve geral! A conjuntura exige a unificação das lutas e das greves, como a etapa fundamental na deflagração da nossa greve geral!
Greve Geral, contra o Ajuste Fiscal!

#ocupatudo #grevegeral

[FOB] Contra a falsa polarização, é fundamental se concentrar nas pautas populares e fortalecer as organizações de base

Comunicado Nacional nº4

Documento em PDF

A conjuntura política brasileira atual impõe às organizações combativas a urgente necessidade de se construírem saídas alternativas às que estão sendo propostas pelos setores das esquerdas oficiais e eleitoreiras. Diante da polarização partidária, que é falsa no que diz respeito à vida da classe trabalhadora, principalmente a mais precarizada, a maior parte da esquerda opta por defender um governo que só fez avançar na precarização das condições dos trabalhadores, na demissão em massa em benefício do lucro dos patrões, na expulsão e no confinamento de camponeses e indígenas de suas terras, no genocídio da juventude negra, na criminalização das lutas populares, na manutenção do pagamento da dívida pública que só beneficia grandes empresários, latifundiários, investidores de capital especulativo e banqueiros, na militarização das favelas, no incremento do Estado policial e por aí vai.

Para garantir a manutenção de privilégios em meio à nova crise do capitalismo mundial, iniciada em 2008, o governo vem implementando reformas alardeadas meramente como “enxugamento do Estado”, mas que na verdade implicam um aprofundamento da exploração e do roubo de trabalhadoras e trabalhadores, atacando nossos direitos mais básicos! Implica, como sempre, que a conta da crise está sendo enviada única e exclusivamente para ser paga pela classe trabalhadora. A Agenda Brasil, pacote de reformas proposto no ano passado (2015), mas já em curso, é um novo conjunto de medidas para cumprir um ajuste fiscal pré-estabelecido pela grande burguesia nacional e aplicado por seu gerente atual, o Partido dos Trabalhadores, como estratégia para atrair investimentos privados para o país. Desobriga ainda mais o governo a investir nas áreas sociais, prevê o aumento para idade mínima de aposentadoria, a privatização e a cobrança de procedimentos hospitalares na saúde pública, a regulamentação da terceirização no serviço público, além da regulamentação da exploração de áreas indígenas por empresas privadas (o que, na prática, significa o fim da demarcação territorial). Os efeitos do ajuste fiscal já são notórios: quando escolas e hospitais públicos não são sumariamente fechados, são mantidos às mínguas; desemprego em massa; acirramento dos conflitos por terra, com execuções de lideranças do campo; remoções urbanas para a realização de grandes eventos que servem principalmente de vitrine eleitoral e política; piora drástica das condições de vida com o aumento de preços, somada à recente proposta de diminuição do salário mínimo; por fim, perseguição e criminalização das lutas populares. Em suma, a generalização da violência e a ampliação do Estado policial é a principal estratégia para implementar as reformas neoliberais, sufocando os focos de resistência.

asAs inúmeras eclosões de insatisfação popular que vêm ocorrendo no país, sobretudo as que se iniciaram em 2013, são um contundente sinal de que o PT vem perdendo definitivamente o posto de mediador/controlador padrão da conciliação de classes no Brasil. Diante do acirramento de conflitos, caminha-se para uma solução distracionista perfeita: uma disputa e transição partidárias que opõem sujos e mal lavados. Essa falsa polarização tem, no entanto, dragado as energias políticas das massas para as únicas e vazias respostas apresentadas pelo parlamentarismo burguês – impeachment, renúncia, prisões, plebiscito, assembleia constituinte, “reforma política” etc.

A esquerda oficial (PSOL, PSTU, PCO, PCB), por sua vez, recai nos velhos vícios e reproduz o mesmo senso comum que supõe combater, ao resumir o atual conflito entre fascistas e democratas, além de se autoproclamar defensora do Estado democrático de direito, como se esta democracia fosse para todos. Para grande parte da população, o que está valendo é um regime ditatorial mesmo (basta lembrarmos da militarização das favelas). Não adianta fazer “voto crítico” e permanecer na defesa de uma estrutura que deve ser combatida na sua essência. Também não se trata de negar a existência de setores de direita e extrema-direita dentre trabalhadores e trabalhadoras – sobretudo dentre a pequena-burguesia falida –, mas consideramos convenientemente míope classificar automaticamente o setor das pautas imediatistas, dos “contra PT/bandeira vermelha”, como um bloco econômica e ideologicamente coeso: “a direita adormecida prestes a acordar e tomar o poder”. Apesar de uma parte desse setor apontar para medidas difusas e autoritárias, outra parte reivindica a ampliação e melhoria de direitos sociais básicos – saúde, educação e transporte. E, convenhamos, o golpe da direita já foi dado pelo próprio PT, que acaba de sancionar uma lei que visa cercear, impedir e criminalizar ações de resistências populares – a chamada lei antiterrorismo!

Guiada por um preconceito elitista e um extremo receio das forças insurgentes populares, as quais anseia controlar, a esquerda reformista recua a cada levante que não lidera, tampouco apresenta caminhos organizativos de enfrentamento incisivos, colaborando, assim, com a manutenção de um sistema político-econômico responsável pelas muitas formas de opressão e violência cotidianas. Dizem que temos que nos unir contra o “avanço da direita”, mas não veem que para a imensa maioria dos trabalhadores a direita nunca parou de avançar, retirando direitos quando não resistimos com greves, passeatas, ocupações de prédios públicos etc.

É urgente romper com esses simplismos e construir formas de enfrentar o conjunto de ataques que a cada dia ceifam mais direitos da classe trabalhadora.

Temos convicção de que só as organizações de base – comitês, conselhos, coletivos, associações – de companheiros de trabalho, de escolas e universidades e, nos locais que moramos, de vizinhos que compartilham os mesmos problemas que nós, são espaços onde nossa voz pode ser ouvida e as mudanças que queremos podem ser debatidas e levadas a sério. E só a união dessas organizações de base poderá realizar a força e o poder do povo, através da ação direta, manifestando-se em greves, grandes passeatas e tudo mais que for necessário para fazer governos e patrões se curvarem à vontade da maioria. Para construirmos essas organizações, é preciso que os trabalhadores e trabalhadoras que já avançaram nas reflexões e já compreendem essa necessidade se unam, discutam, decidam e ajam para efetivá-las. Levando as experiências que já têm nas suas bases e aprendendo com as experiências alheias, podemos fortalecer a luta de todas e todos.

Defendemos a continuidade, ampliação, intensificação e aprofundamento das pautas que já vêm norteando nosso trabalho de base e nossa resistência, sem que entremos no jogo binário e ilusório que se montou em nível institucional, em que ambas as posições não são benéficas para a classe trabalhadora, principalmente para aquelas frações mais precarizadas.

Tais pautas seriam a tarifa zero, a desmilitarização das favelas, extinção da força nacional, terra e liberdade, contra o genocídio da juventude negra, a auditoria da dívida pública e sua moratória, a defesa da educação, saúde e cultura públicas, defesa da ocupação de prédios para moradia popular, contra a lei antiterrorismo, entre outras. E, de forma prática, para o debate e a ampliação da luta por tais pautas, defendemos a criação de conselhos populares e a construção de uma greve geral, com ocupação dos espaços, como vêm sendo feito nas escolas pelos estudantes secundaristas e pelos trabalhadores da empresa Mabe.

Construir o Sindicalismo Revolucionário!

Construir os Conselhos Populares e a Greve Geral contra o Ajuste Fiscal e o Estado de Exceção!

 

A luta contra a terceirização avança em todo o Brasil: contra o ajuste fiscal do PT-PMDB-SDB!

Por ACS-FOB

Trabalhadores terceirizados da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro entraram em greve no dia 10 de dezembro. Sofrendo com problemas crônicos de falta de direitos e pagamento de salários, além de assédio moral e outros abusos, essa greve só foi possível graças ao trabalho do Comitê de Mobilização, organismos de luta unificada de base.
O FOB tem defendido como sua linha a construção de Comitês de Mobilização de Base para lutar contra a burocracia sindical e a exploração. A greve dos terceirizados na UFRRJ é resultado do avanço dessa política, que contribuiu para desencadear a luta dos terceirizados com a unidade de docentes e técnico-administrativos. Essa unidade se refletiu também nas entidades locais da Fasubra e Andes, que graças a atuação do Comitê de Mobilização, estão fortalecendo esse processo de luta. Outras greves surgem por todo o país, como na UFPR e na UERJ. Essa luta tende a se intensificar.
Mas cabe aos ativistas classistas multiplicarem os comitês de mobilização de base. A unidade entre categorias será o único meio de construir uma greve geral de resistência contra o ajuste fiscal. O exemplo da UFRRJ nos ajudar a encontrar caminhos para reproduzir esse modelo de luta do sindicalismo revolucionário por todo o país, rompendo o corporativismo legalista do sindicalismo brasileiro.

Todo apoio à luta dos terceirizados! Avante a luta contra a terceirização!

20151211055953 (1)Terceirizadas e terceirizados da UFRRJ aprovam Greve em Assembleia Comunitária.

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