[MS] CONTRA O DESPEJO DE LARANJEIRA NHANDERU II: SOLIDARIEDADE E RESISTÊNCIA!

No dia 31 de outubro, famílias da retomada de Laranjeira Nhanderu decidem avançar em sua caminhada pela recuperação do tekoha, como se referem a suas terras ancestrais, e ocupam a sede da fazenda Santo Antônio, no município de Rio Brilhante. Rompendo as cercas do latifúndio, ergueram suas casas de lona preta em meio ao gado, principal atividade econômica dos fazendeiros que usurparam a terra hoje recuperada.

Realizada com mais de 120 pessoas, a retomada foi motivada pelas difíceis condições de existência na área em que estavam anteriormente, confinados em uma reserva legal de floresta onde não se pode plantar, no interior de fazenda produtora de soja. Em meio a constantes ameaças, ataques químicos por avião e máquinas agrícolas, ataques de pistoleiros e seguranças privados, resistem na floresta há 11 anos. Sofreram despejo em 2009, sendo obrigados a viver na beira da estrada, a BR-163, por 1 ano e 8 meses, retomando a floresta do tekoha novamente em 2011.

Agora, após nova caminhada de luta contra o Estado colonizador e o latifúndio, desde as crianças até anciãs centenárias que resistem em mais uma parte do tekoha retomado, a comunidade recebe ordem de despejo, cujo prazo para saída foi encerrado na segunda-feira, dia 19 de novembro de 2018. Os próximos dias e semanas, portanto, serão de constante tensão e incerteza. A nova retomada de Laranjeira Nhanderu já anunciou que não irá recuar, que não abrirão mão de seu território, colocando-se na linha de frente do combate às investidas dos de cima. Nos últimos dias, pistoleiros foram contratados pelos fazendeiros e realizaram ações de terrorismo e tentativas de assassinato, disparando tiros contra a cabeça de anciãs.

Não iremos nos calar frente ao aprofundamento da repressão à luta pela terra! Contra o genocídio, luta e resistência! É preciso construir solidariedade em cada local, entre todos os povos e movimentos combativos, para impedir que mais um massacre ocorra. Cada guerreiro que cair sobre a terra será semente: muitos se levantarão.

ABAIXO O DESPEJO CONTRA O AVANÇO DE LARANJEIRA NHANDERU!

TODO APOIO ÀS RETOMADAS GUARANI E KAIOWÁ!

MORTE AO LATIFÚNDIO!

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III Assembleia da Retomada Aty Jovem

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Entre os dias 10 a 14 de setembro, ocorreu a III Grande Assembleia da Juventude Guarani e Kaiowá, nomeada Retomada Aty Jovem (RAJ), na aldeia de Porto Lindo.

A aldeia está localizada no extremo sul do estado do Mato Grosso do Sul, fazendo fronteira com o Paraguai e o Paraná entre os municípios em suas proximidades. A aldeia é composta majoritariamente pela etnia Guarani. Em suas cercanias, está a retomada do Tekoha Yvy Katu, que também nomeia a Terra Indígena que abrange a aldeia Porto Lindo.

Yvy Katu é considerada a “mãe de todas as retomadas”, pelos processos históricos que conduziram a luta pela sua recuperação, onde estão presentes 13 retomadas abrangendo mais de 9.000 hectares.

A RAJ está ativa desde 2016, quando ocorreu seu primeiro encontro na retomada de Paraguassu e vem mobilizando os jovens Guarani e Kaiowá para a luta pela terra, assim como, para a recuperação de si mesmos, para que se reconheçam enquanto povo e em suas lutas.

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Eles vivem em um contexto onde a falta de perspectivas de vida se mescla aos processos de proletarização marginal, conduzindo consideráveis massas do povo para o corte de cana-de-açúcar, a construção civil, a colheita de maçãs, a coleta de lixo, prostituição, trabalho doméstico não remunerado, entre outros.

Esse contexto reflete os efeitos devastadores da colonização, associados a um número elevado de suicídios e da guerra fratricida, que divide importantes frações da juventude em meio a inserção do tráfico e do uso de drogas e álcool nas Reservas.

Compreendemos que este quadro é consequência da desterritorialização imposta pelo Estado e da reterritorialização em condições precárias, que através da entrada de empresas e da consolidação do agronegócio causou a expulsão dos Guarani e Kaiowá de suas terras tradicionais, gestando a guerra produzida pelo latifúndio.

A RAJ aponta no documento final da assembleia que “o modo de vida que se tem nas reservas é o objetivo do Estado para nos controlar, mas nesses espaços, como o da RAJ, aprendemos com os jovens das retomadas que precisamos lutar”.

O fragmento acima, que consta na carta final, coloca em evidência o intenso e permanente trabalho de base que resulta na construção e nas resoluções finais das assembleias, para o estabelecimento de uma atuação contínua no seio do povo.

Como parte dos objetivos da RAJ, a juventude Guarani e Kaiowá se levanta pela recuperação de suas terras e expandindo suas reivindicações para o campo da educação, da saúde, da luta antirracista e anticolonial, e pela autodemarcação dos Tekoha, expressando a sua consciência da falência do Estado brasileiro no que diz respeito ao cumprimento dos processos de demarcação e respeito ao modo de vida Kaiowa e Guarani.

Todos esses elementos, assim como suas reivindicações centrais, foram debatidas longamente nos Grupos de Trabalho durante a assembleia.

Nesse processo floresce também a construção da insurgência das mulheres jovens, pautando reivindicações de seus direitos e construção da autonomia frente ao sistema patriarcal.

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Esta mesma juventude, como linha de frente das grandes revoltas de seu povo, também batalha por uma outra ecologia, reivindicando floresta e água em oposição a destruição promovida pela territorialização da monocultura, pelas empresas multinacionais e indústrias que devastam o território indígena através de ataques químicos com agrotóxicos, envenenando a terra e as nascentes, como anunciam também na carta final do encontro do RAJ.

A assembleia definiu que será criada uma Rede de Jovens Kaiowá e Guarani em cada Tekoha, acompanhando o movimento com as lideranças locais, os rezadores (Nhanderu) e as rezadoras (Nhandesy), assim como uma rede de comunicação através de materiais audiovisuais.

A RECC/FOB esteve presente na assembleia, através de nosso Comitê de Propaganda e de outros núcleos do país, saudando a resistência jovem Guarani e Kaiowá, e participando dos espaços concedidos, respeitando a autonomia dos companheiros e companheiras da RAJ, que abriram as rodas dos Grupos de Trabalho para nossa participação nos debates sobre território, saúde, educação e autonomia.

Nosso intuito foi nos solidarizar às ações do povo na luta pela terra, e aprender junto ao povo, por considerarmos a resistência indígena uma das expressões mais radicais da luta contra o capital que avança sobre os últimos territórios para promover a barbárie da exploração.

Desde suas crianças, até os mais antigos anciões e anciãs, a luta cotidiana e o conhecimento de sua história nos ensinaram valiosas lições para a luta revolucionária. Com a força de suas rezas e da mobilização de base, a luta continuará.

Cada conversa ao redor da escuridão das noites de celebração e partilha após longos dias de debate e formação, nos faz recordar a frase de um pequeno guerreiro, que nos afirmou: “não tenho medo de morrer. Se eu morrer na luta, outro vai nascer no meu lugar. O que eu temo é a morte do meu povo. Mas nós vamos lutar até o último sangue derramado”.

Defendemos a construção de comitês de apoio à luta indígena em cada local de estudo e trabalho, para a efetivação de uma rede de solidariedade nacional entre os povos do campo e da cidade, com o intuito finalista da revolução social, que não pode escapar a aliança operário-camponesa-indígena.

Viva a resistência da juventude Guarani e Kaiowá!

Por um mundo onde caibam muitos mundos!

Terra e Liberdade!

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[RECC-MS] Saudação à Juventude Terena – VII Assembleia do Povo Terena

Por Oposição Classista e Combativa ao DCE da UFMS (filiada à RECC-FOB)

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Entre os dias 6 e 9 de maio, ocorreu na Terra Indígena (T.I.) Cachoeirinha, localizada no município de Miranda, a VII Assembleia do Povo Terena. Além da reafirmação de que o povo Terena não transigirá de seus direitos, as lideranças que compõem o Conselho Geral deste povo, instância legitimada pela base, reafirmaram o firme compromisso com a retomada e a autodemarcação dos territórios tradicionais.  Na ocasião, a OCC-MS (RECC/FOB) se fez presente a convite de lideranças e levou uma saudação especialmente dirigida à juventude Terena. Segue a carta apresentada durante o evento.

Viva a Retomada!!! Por terra e liberdade!
Em defesa da autodeterminação dos povos e do autogoverno da classe trabalhadora!