[FOB] II ENOPES (2017)

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Camaradas, a conjuntura atual, nacional e internacionalmente, é de graves ataques ao povo trabalhador. No Brasil, o quadro de ajuste fiscal tem aprofundado a retirada de direitos historicamente conquistados e precarização dos serviços públicos com o encaminhamento de diversas medidas como  congelamento de investimentos públicos com a PEC55, na Educação a Reforma do Ensino Médio, no trabalho com a Lei de Terceirização, Reforma da Previdência e propostas de alteração no sistema de demarcação de terras indígenas. Junto à estas medidas também se opera o recrudescimento do aparato repressivo e de criminalização das e dos lutadores através da Lei Antiterrorismo.

Entre as reformas neoliberais do governo PMDB e a campanha “Lula 2018”, o povo se vê diante do aprofundamento da crise social no país. Com a expulsão da esquerda reformista do bloco de alianças estratégicas do grande capital, o reformismo tem buscado novas formas de se moralizar frente aos trabalhadores, mesmo mantendo sua estratégia política centrada no Estado burguês, através da convocação de manifestações de fachada para desgastar seus opositores no parlamento e impedir a ocorrência de lutas autônomas que poderiam assumir formas insurrecionais (como o levante de 2013) e ameaçar o espetáculo eleitoral que está por vir.

II ENOPES-3É urgente que se construa vias revolucionárias e combativas de massa que rompam com este ciclo de ilusões reformistas e impulsione a organização autônoma do povo, arrancando pela ação direta de massas suas vitórias. No centenário da greve geral de 1917, é preciso retomar sua combatividade e mobilizar toda a classe para ser protagonista de sua própria luta. Para tanto, é preciso construir esta alternativa revolucionária, consolidando e ampliando uma organização de massa nos diversos níveis da luta de classes, no movimento estudantil, popular e sindical. É com este objetivo que preparamos, em outubro de 2017, o II Encontro Nacional de Oposições Populares, Estudantis e Sindicais, retomando a tradição do sindicalismo revolucionário contra a precarização da vida e do trabalho e em defesa da liberdade e justiça ao povo.

CONSOLIDAR A TENDÊNCIA CLASSISTA E INTERNACIONALISTA!

RECONSTRUIR O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!

[FOB] Comunicado Nacional nº6 – PARA BARRAR O AJUSTE FISCAL, CONSTRUIR A GREVE GERAL!

por Fórum de Oposições pela Base – FOB

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Comunicado Nacional do FOB, nº 06 – Abril de 2017

PARA BARRAR O AJUSTE FISCAL, CONSTRUIR A GREVE GERAL!

Nos últimos anos a classe trabalhadora tem sofrido duros golpes. O governo Temer/PSDB tem aprofundado radicalmente as medidas anti-povo iniciadas ainda no governo Dilma/PT.

Tivemos em 2015 cortes bilionários na verba para Educação, posteriormente, em 2016, a aprovação da PEC 55, que congela por 20 anos os gastos com saúde e educação, ou seja, são duas décadas com congelamento de salários e sem investimentos nas estruturas de escolas e hospitais, que já são precárias. Ainda neste ano foi sancionada a reforma do ensino médio, que precariza ainda mais o professor e reafirma à escola um caráter de produção de mão-de-obra para o mercado capitalista. Em 2017, os golpes continuaram com a Lei da Terceirização, que permite empresas e órgãos públicos contratarem funcionários terceirizados em caráter temporário para toda as atividades realizadas na empresa/órgão. A terceirização é a extrema precarização do trabalho, pois o funcionário terceirizado ganha menos e trabalha mais, esta mais suscetível a assédios devido à fragilidade da sua relação trabalhista, segundo a lei os contratos de terceirização só podem durar 09 meses, ou seja, o contrato temporário retira do trabalhador a possibilidade de estabilidade e planejamento financeiro.

Ainda estão sendo orquestrados mais ataques como a MEGAReforma da Previdência que ao aumentar a contribuição previdenciária para 49 anos retira a possibilidade de aposentadoria, decreta, literalmente, que o trabalhador irá trabalhar até morrer. Está também por vir a Reforma Trabalhista, chamada pelos políticos de “modernização das leis trabalhistas” é na verdade a flexibilização das leis trabalhistas, de forma que os empregadores possam aumentar o seu poder de exploração do trabalhador. A CLT será rasgada.

Em todas essas medidas o governo alega que os direitos do povo são onerosos ao Estado e por isso é preciso “economizar nos gastos públicos” para superar a crise. O governo quer que nós paguemos pela crise dos ricos. Mas, ao mesmo tempo que nossos direitos são roubados, os bancos triplicam sua margem de lucro, e o governo perdoa uma divida bilionárias, como por exemplo, a de 25bilhões de reais do banco Itaú.

Frente a todos esses ataques, as centrais sindicais CUT, Conlutas, CTB etc, todas dentro da lógica reformista e eleitoreira do Estado, convocam paralisações de um dia, as nomeando de “Greve Geral”. Essas paralisações demonstram que a intenção dessas centrais não é barrar as reformas neoliberais, mas desgastar o governo Temer para cavar um espaço na disputa eleitoral e para criar terreno para um possível retorno de Lula nas eleições de 2018.

O Fórum de Oposições pela Base não considera que a Greve Geral seja um mecanismo que dura apenas um dia, e nem é um processo construído de um dia para o outro, muito menos deva servir para interesses eleitoreiros. A Greve Geral é a demonstração da força organizativa dos trabalhadores, é a paralisação total e completa da economia: todo sistema de produção, de circulação, de comércio e serviços, tanto no campo quanto na cidade, dos setores públicos e privados.

Para efetivar a Greve Geral, precisamos construir experiências de unidade do povo e condições reais: assembleias comuns nos locais de trabalho que reúnam categorias representadas por sindicatos diferentes; marchas unificadas; seminários de formação política; criação de fundos de Greve; greves parciais; agitação e propaganda; ocupação de órgãos públicos e empresas; criação de mecanismos de autodefesa contra a repressão, e outros.

O Fórum de Oposições pela base (FOB) acredita que só a classe trabalhadora pode, com sua força organizada, barrar os ataques do Estado burguês. Para tanto, é preciso superar as burocracias sindicais e construir verdadeiramente a greve geral. O FOB se coloca como instrumento desta construção, e chamamos toda classe trabalhadora e juventude deste país a unir nossos esforços na luta organizada e combativa contra o ajuste fiscal. 

CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, GREVE GERAL JÁ!

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TODA SOLIDARIEDADE AOS MUNICIPÁRIOS DE CACHOEIRINHA (RS)!

CONTRA A REPRESSÃO E OS ATAQUES AOS DIREITOS DO POVO!

por Oposição de Resistência Classista – ORC, filiada ao FOB

Nós trabalhadoras/es da educação organizados na Oposição de Resistência Classista (ORC-DF), e em greve no DF desde o dia 15 de abril, viemos declarar nosso apoio irrestrito aos trabalhadores e trabalhadoras municipais de Cachoeirinha (RS) que estão em uma greve histórica à cerca de um mês contra uma série de propostas do prefeito do município, Miki Breier (PSB), que pretende retirar direitos e precarizar ainda mais os serviços públicos. Nessa luta os municipários ocuparam a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, fizeram greve de fome. Queremos dizer aos camaradas que a sua luta também é nossa, é de toda a classe trabalhadora que nesse momento busca construir formas de luta para resistir contra os ataques aos direitos do povo nos níveis federal, estadual e municipal!

No dia 30 de março os municipários de Cachoeirinha foram brutalmente reprimidos pela Brigada Militar durante uma manifestação na Câmara de Vereadores. A Brigada reprimiu professores, assistentes sociais, serventes de escolas, técnicos de enfermagem, auxiliares de serviços gerais e o conjunto da categoria, que resultou em dezenas de pessoas feridas. Além disso, alguns trabalhadores foram presos, mas foram libertos.

No DF nós também estamos enfrentando a ação repressiva (policial, judiciária e midiática) do governo de Rodrigo Rollemberg, também membro do PSB, partido oportunista e inimigo do povo, que de socialista só tem o nome. Só com a ação popular faremos esses oportunistas dobrarem a língua e pagarem pelos seus crimes contra o povo!

A luta de Cachoeirinha não está descolada da construção da greve geral e da defesa mais ampla dos direitos da classe trabalhadora do campo e da cidade. Além disso, demonstra que para barrar os projetos anti-povo em curso será necessário enfrentar outro problema: a repressão, perseguição e criminalização por parte do Estado brasileiro. O poder popular se enfrentará com o poder burguês! Nessa guerra devemos unir os batalhões da classe trabalhadora em uma grande corrente de solidariedade e resistência. CHEGA DE APANHAR CALADO! Cada sindicato e movimento popular deve organizar a autodefesa, como direito inalienável de todos e de cada um.

SOMOS TOD@S MUNICIPÁRI@S DE CACHOEIRINHA!
É BARRICADA, GREVE GERAL, AÇÃO DIRETA QUE DERRUBA O CAPITAL!

[RECC] 28M: Em memória de Edson Luis, organizar a luta estudantil pela base!

COMUNICADO NACIONAL DA REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA

28 de março: Em memória de Edson Luis, organizar a luta estudantil pela base! Contra as Reformas Neoliberais e a Precarização da Educação!

2015 e 2016 foram anos de luta para os/as estudantes das escolas de educação básica e um grande exemplo para aqueles que acreditam na organização pela base. Iniciadas em São Paulo contra a reorganização escolar de Alckmin e em Goiás contra o projeto de militarização e terceirização via Organizações Sociais (OS’s) do governador Marconi Perillo, 2016 foi a vez de mais de mil escolas e universidades públicas em todo o país serem ocupadas e se unirem na luta contra a Reforma do Ensino Médio (MP 746) e a PEC 241.

Estudantes de todas as idades e segmentos buscavam barrar as propostas do governo. A PEC 241 limita os gastos públicos por 20 anos e congela os investimentos na Educação e a Medida Provisória reformula todo o ensino médio. Iniciada no governo Dilma (PT/PMDB) a Reforma traz a implementação de um ensino tecnicista, voltado para a mecanização do trabalho nos meios de produção. No governo Temer, em formato de Medida Provisória, esta proposta foi votada e aprovada a toque de caixa, ignorando os estudantes e todas as discussões anteriores sobre os rumos da educação.

Frente ao atual cenário de sucateamento já vivido há anos no ensino público, os filhos da classe trabalhadora serão privados do acesso a diferentes áreas do conhecimento e estarão limitados em suas escolhas, pois nem todas as escolas terão condições de oferecer as diferentes modalidades de ensino. Muito semelhante ao modelo educacional vivido durante a Ditadura Civil – Militar, com os acordos MEC/USAID (Ministério da Educação e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), que tinham o objetivo de repetir no Brasil a mesma estrutura educacional tecnocrata americana, a Reforma agravará as desigualdades, dividindo os estudantes entre quem tem formação operária e formação intelectual, beneficiando apenas os que não precisam trabalhar.

As ocupações das escolas e das ruas foram decisivas neste processo de resistência e vitoriosas em conjunturas locais como São Paulo e Goiás. Mesmo com uma repressão policial massiva, a postura combativa e independente de muitos estudantes, que não caíram no discurso eleitoreiro de grupelhos do Movimento Estudantil, foi de fundamental importância para o avanço da ação direta pelas escolas do país. Saudamos com convicção a todas e todos estes e convidamos a reivindicarem o dia 28 de março como o dia Nacional da Luta dos Estudantes!

A Reforma do Ensino Médio e a PEC foram aprovadas, o que nos coloca em estado permanente de luta! Outras Reformas estão em processo, como a Reforma da Previdência, que será votada neste dia 28. Ela completa o pacote de austeridade colocado em nossos ombros, comprometendo diretamente nosso futuro e direitos. Em memória da morte de Edson Luis, secundarista brutalmente assassinado pela Polícia Militar em 1968, façamos deste dia um momento de luta e organização pela base em nossos espaços de trabalho, estudo e moradia. Por ele e por todos que foram perseguidos, torturados e assassinados enfrentando a sanguinária ditadura civil-militar da burguesia. Lembremos também de Guilherme Irish, estudante morto em Goiás em 2016 no período das ocupações, vítima do extremismo e ódio por aqueles que acreditam na construção de um mundo novo. Contra as Reformas neoliberais, tomar as ruas!

Em memória e justiça aos mortos pela ditadura!

Não esquecemos nem perdoamos!
O companheiro Edson Luís vive!

O companheiro Guilherme Irish vive!

AVANTE!

 

[ORC-Nacional] GREVE NACIONAL E 15M: Derrotar as reformas neoliberais e destruir a burocracia sindical, uma só tarefa!

DERROTAR AS REFORMAS NEOLIBERAIS

E DESTRUIR A BUROCRACIA SINDICAL, UMA SÓ TAREFA!

Boletim Nacional da Oposição de Resistência Classista (O.R.C.), nº2, Março de 2017

Clique para abrir o Boletim Nacional em PDF

Nós trabalhadores/as da educação estamos diante de um momento decisivo para a defesa dos nossos direitos.É também um momento complexo onde fatores de diversas ordens influenciam positiva e negativamente o processo de resistência.

Primeiramente, devemos apresentar uma contradição. Todos nós sabemos e sentimos que hoje existe uma necessidade inadiável de ação e resistência. Os projetos anti-povo (reforma do ensino médio, trabalhista, previdenciária, PEC 55, aumentos de tarifas de ônibus e outros) estão sendo votados com urgência no parlamento brasileiro. Por outro lado, fica perceptível a impotência da atual estrutura sindical (especialmente CUT/CNTE, CTB e FS, mas também CSP-Conlutas e Intersindical) em construir os meios de ação e organização para barrar tais projetos e defender os direitos.

Dessa contradição fundamental temos presenciado tendências negativas de ordem pessoal (derrotismo, impaciência, individualismo) e coletivas (esvaziamento de assembleias, maior burocratização e acovardamento dos sindicatos, dentre outros). Porém, contraditoriamente se aprofundam tendências positivas de ordem pessoal (crítica à burocracia sindical, fim das ilusões com a democracia burguesa, coletivismo, autonomismo) e de ordem coletiva (criação de grupos autônomos nas bases das categorias, greves insurgentes, protestos radicais e métodos de autodefesa de massas). A própria palavra de ordem da “greve geral” virou um apelo popular, mas as burocracias apenas a utilizam para “belos” discursos e blefam, com medo de um levante popular que fuja ao controle e comprometa seus interesses eleitorais em 2018.

Todo esse cenário tem gerado uma nova experiência para o povo brasileiro e para os trabalhadores da educação. Essa nova etapa teve início com o levante popular de junho de 2013. Para nos posicionar de forma correta nessa greve nacional devemos conhecer nossos inimigos e nossas tarefas.

1) Como a Reforma da Previdência atinge a Educação?

A proposta de emenda constitucional (PEC) 287, vem com o intuito de modificar as regras de aposentadoria para os trabalhadores. A proposta, além de estipular uma idade mínima, 65 anos, prevê o fim das aposentadorias especiais que ocorrem atualmente.

Os professores, por terem uma condição de trabalho considerada nociva para a saúde, tem direito a aposentarem 5 anos mais cedo do que as demais profissões. As mulheres, por exercerem dupla jornada de trabalho, também aposentam mais cedo do que os homens. Todas essas conquistas estão sendo desconsideradas na nova proposta da previdência.

As maiores impactadas pela reforma serão justamente as mulheres professoras que podem ter adicionadas ao tempo de serviço quase 15 anos! Ora, muitos professores não conseguem concluir as carreiras até o final sem adoecer física ou psicologicamente nas regras atuais, imagina com mais 10 ou 15 anos de trabalho?  A ideia do governo é forçar a aposentadoria antes, para que reduza as aposentadorias integrais, assim muitos irão recorrer a previdência privada para tentar complementar a renda, enriquecendo os empresários desse setor. Continuar lendo

[RECC] 8 de março: A LUTA DA MULHER TRABALHADORA – PELA GREVE GERAL

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Flores, exaltação da beleza, elogios pela garra e dedicação ao cuidado dos filhos e da casa, agradecimentos pelo empenho no trabalho e muito mais formas de comemorar o dia 8 de Março. Porém, nesse dia festivo e de exaltação à mulher, é posto de lado o dia-a-dia da maioria das mulheres, além de tratá-las como se todas fossem iguais. Como todas as mulheres podem ser iguais quando a sociedade em que vivemos é dividida entre aqueles que trabalham exaustivamente e mesmo assim tem uma vida miserável e aqueles que só mandam e não trabalham, mas mesmo assim tem uma “vida de rei/rainha”?

O dia-a-dia de todas as mulheres é marcado pelo medo de ser agredida, abusada sexualmente e ser vítima de feminicídio, ou seja, violentada apenas por ser mulher. Porém a violência não ocorre da mesma forma para todas as mulheres, porque a sociedade em que vivemos é dividida em classes sociais que são demarcadas pela raça: há um grupo que possui grandes fortunas, pois são donos/donas de fábricas, multinacionais, grandes empresas, bancos e fazendas, também desfrutam de influência e controle da política. Ou seja, quando eles não são os próprios políticos, financiam a candidatura e os partidos daqueles que concorrem aos cargos no parlamento.

Por outro lado, há uma classe social que tem a sua realidade marcada pelo acesso mínimo às condições básicas para sobreviver (educação, saúde, transporte público, alimentação e moradia) mesmo trabalhando 8h por dia, para receber um salário mínimo e, quase sempre, complementá-lo com horas extras ou bicos. Essa configuração da sociedade é demarcada pela raça, pois não é apenas coincidência as pessoas dessa classe social serem, em sua maioria, negras ou indígenas, especialmente porque no Brasil por mais de 300 anos, os povos africanos foram escravizados, e os indígenas assassinados e também submetidos a escravidão.

Ora, quem são as mulheres que prestam serviços terceirizados? Quem são as mães que choram a morte de seus filhos pelas “balas perdidas” da polícia? Quem são as mulheres que assistem as ordens de despejos de suas casas? Quem são as mulheres que para conseguir uma vaga na creche ou escola precisam madrugar em filas? Quem são as mulheres que cumprem tripla jornada de trabalho, pois trabalham, estudam e cuidam da casa? Quem são as mulheres que odeiam a sua cor, seu cabelo e seu traços? Quem são as mulheres que deixam seus filhos para cuidar dos filhos da patroa? Quem são as mulheres que veem sua aldeia sendo queimada por pistoleiros? Quem são as mulheres que passam por situações vexatórias todas as vezes que vão visitar os filhos/esposos/parentes nas penitenciárias? Quem são as mulheres que precisam se prostituir para ter o que comer? Quem são as mulheres ameaçadas por outras mulheres quando essas são patroas?

Assim, as mulheres da classe trabalhadora, inclusive as que estão desempregadas ou na informalidade, seja do campo ou da cidade, são em sua maioria negras ou indígenas, sobre as quais também perpassam as opressões causadas pela sexualidade e identidade de gênero, no caso das violências sofridas por mulheres lésbicas e/ou trans.

Neste dia, não devemos comemorar, mas sim resgatar a combatividade das mulheres do povo, pois nossos direitos cada vez mais têm sido negociados para gerar lucros aos homens e mulheres da classe que nos explora – eles enriquecem às custas da nossa miséria que vai desde privação a condições básicas para viver ao encarceramento e morte! Precisamos nos organizar junto aos nossos nos locais de trabalho, estudo e moradia, sem ilusão com partidos políticos eleitoreiros, governos e Estado.

Garantir a nossa autodefesa, nos armarmos na teoria e na prática contra machismos e misoginias cotidianos, reconhecer o machismo, o racismo e a homolesbotransfobia no interior da classe trabalhadora auxiliando no processo pedagógico de autocrítica e, pela base, construir a Greve Geral. Não apenas a paralisação simbólica de um dia, mas sim nos utilizarmos desse instrumento de luta histórico da classe trabalhadora para garantir e conquistar direitos e convergir nossas lutas. Não se trata de uma opção, mas uma condição para nos mantermos vivas e construirmos, ombro a ombro, a emancipação do nosso povo.

A LUTA DA MULHER É A LUTA DO POVO, A LUTA DO POVO É A LUTA DA MULHER!

MULHERES DO POVO NA LINHA DE FRENTE CONTRA O ESTADO RACISTA E BURGUÊS!

CONSTRUIR A AUTO-DEFESA DAS MULHERES DO POVO!

[FOB] FOB saúda a Conferência Internacional de Barakaldo com objetivo de refundar a Associação Internacional de Trabalhadores de caráter Sindicalista Revolucionária

por Fórum de Oposições pela Base

Ocorreu entre os dias 26 e 27 de novembro no município de Barakaldo, Espanha, uma Conferência Internacional com o objetivo de refundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). O Fórum de Oposições pela Base (Brasil) enviou uma mensagem de saudação e manifesto (leia abaixo), abrindo diálogo para a reconstrução de uma Internacional de Trabalhadores de caráter sindicalista revolucionário.

A Conferência foi convocada pela CNT (Espanha), FAU (Alemanha) e USI (Itália), e além da presença destas contou com delegados da IWW (Estados Unidos e Canadá), IWW (Reino Unido e Irlanda), IWW (Alemanha), IP (Polônia), ESE e Rocinante (Grécia), CNT-GAP e CNT-Vignoles (França) e da FORA (Argentina), e mensagens de adesão da Sociedad Obrera de Paraguay, CNT-STCPP (França) e do FOB (Brasil).

A convocação da Conferência entendeu que “hoje em dia a AIT se desviou de seus princípios e práticas e, ao invés de concentrar-se na atividade sindical, se converteu em uma organização burocrática, dogmática e sectária”, sendo necessário reconstruí-la.

Alguns dos princípios propostos à refundação da AIT foram: que seus participantes sejam organizações anarcosindicalista ou sindicalistas revolucionárias não verticais; não ser financiada pelo Estado; não apoiar nenhum projeto eleitoral de partidos ou candidaturas individuais; e contar com um trabalho de massas, de modo que suas seções tenham pelo menos mais de 100 filiados.

O FOB desde o Encontro Nacional de Oposições Populares, Estudantis e Sindicais em 2013 entendeu a necessidade de se construir como uma Tendência Classista Internacionalista. Travamos hoje no Brasil a luta pela reconstrução do sindicalismo revolucionário, ou seja do protagonismo e combatividade dos trabalhadores, da greve geral como ação de resistência e construção do autogoverno dos trabalhadores, oportunidade dada pela Conferência de fazê-lo a nível internacional.

Ir ao combate sem temer! Ousar lutar, ousar vencer!

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Manifesto FOB

Estimados companheiros e companheiras. Enviamos saudações desde o Brasil a Conferencia Internacional de organizações anarcosindicalistas e sindicalistas revolucionárias.  O Fórum de Oposições pela Base é uma organização sindicalista revolucionária, sem recorte teórico ideológico específico, constituída em 2010, para agrupar ativistas sindicalistas que realizavam oposição ás correntes socialdemocratas e ao sindicalismo de Estado no Brasil. Em 2013 realizamos o Encontro Nacional de Oposições Sindicais, Populares e Estudantis que definiu como  orientação estratégica a construção de uma Confederação Sindicalista Revolucionária no Brasil e construção de uma Internacional de Trabalhadores. Somos hoje algumas centenas de ativistas, especialmente sindicalistas que atuam na área de educação, estudantes, operários, e membros de organizações populares de bairro, com incipientes contatos na luta do campo. Recebemos com entusiasmo a notícia da realização de tal Conferencia.

Entendemos que a reconstrução da AIT, para ser bem sucedida, deve observar três passos fundamentais:

  • Uma profunda e rigorosa autocritica histórica, que aponte as causas da capitulação e burocratização do sindicalismo revolucionário. Essa autocritica e também uma ruptura com uma tendência anti-sindical contemporânea, que emperra que o sindicalismo revolucionário torne-se uma força de massas como outrora;
  • Que o método coletivista e mutualista de associação e luta sejam o fundamento da organização sindical antiestatista, ou seja, o sectarismo e o burocratismo se combatem ao retomarmos as bases da AIT histórica (fundada em 1864), que a luta economica e reivindicativa e acao direta são as bases da unidade da classe e a condição necessária, apesar de não suficiente, para sua constituição como sujeito revolucionário.
  • Que a AIT seja uma resposta de luta para confrontar a crise do capitalismo inicada em 2007-2008 e a guerra imperialista e neocolonial no centro e na periferia, por meio da difusão em escala mundial de confederações/associações sindicalistas revolucionarias unidas por uma rede de solidariedade militante.

As bases de acordo são enviadas em anexo a esta carta que manifesta nosso interesse em abrir uma discussão com outras organizações sindicais do mundo. Enviamos nossas teses para que possam contribuir também para o debate de autocritica e de estratégia de organização. Esperamos que a Conferencia possa dar um salto qualitativo para o sindicalismo revolucionário, permitindo seu crescimento em todo mundo, no centro e na periferia do capitalismo.

Site: http://www.lutafob.wordpress.com


(español) Manifiesto FOB

Estimados compañeros y compañeras. Les enviamos saludos desde Brasil a la Conferencia Internacional de organizaciones anarcosindicalistas y sindicalistas revolucionarias. El Foro de Oposición por la Base (FOB) es una organización sindicalista revolucionaria, sin corte teórico ideológica específica, fundada en 2010, para asociar los activistas sindicales que luchaban en contra las corrientes socialdemócratas y del sindicalismo Estado en Brasil. En 2013 se celebró el Encuentro Nacional de Oposición Sindical, Popular y Estudiantil (ENOPES) que se ha definido como la dirección estratégica construir una confederación sindicalista revolucionaria en Brasil y la construcción de una Internacional de los Trabajadores. Ahora estamos a unos cientos de activistas, especialmente sindicalistas que trabajan en la educación, estudiantes, obreros y miembros de organizaciones vecinales populares, con algunos contactos entre los pueblos del campo. Hemos recibido con entusiasmo la noticia de la celebración de esta Conferencia.

Creemos que la reconstrucción de la AIT, para tener éxito, debe observar tres pasos básicos:

  • Un profundo y riguroso autocrítica histórica, que señale las causas de la capitulación y la burocratización del sindicalismo revolucionario. Esta autocrítica y también una ruptura con la tendencia “antisindical” contemporánea, que obstruye que el sindicalismo revolucionario se convierta en una fuerza de masas como antes;
  • Que el método colectivista y mutualista de asociación y lucha sean el fundamento de la organización sindical anti-estatista, es decir, combatimos el sectarismo y el burocratismo luchando para volver a tomar la base de AIT histórica (fundada en 1864), donde la lucha económica y acción directa son las bases de unidad de clase y condición necesaria, aunque no suficiente, para su constitución como sujeto revolucionario.
  • Que la AIT sea una respuesta de lucha para hacer frente a la crisis del capitalismo comenzada en 2007-2008 y la guerra imperialista y neocolonial en el centro y la periferia, mediante la difusión en escala mundial de las confederaciones/ asociaciones sindicalistas revolucionarios unidas por una red de solidaridad militante.

La base de acuerdo se envía adjunto a esta carta que expresa nuestro interés en abrir una discusión con otras organizaciones sindicales del mundo. Enviamos nuestras tesis para que ellas también puedan contribuir a la discusión de la autocrítica y de la estrategia de la organización. Esperamos que la Conferencia pueda dar un salto cualitativo para el sindicalismo revolucionario que le permita crecer en todo el mundo, en el centro y en la periferia del capitalismo.