[RECC-RJ] CONTRA A PRECARIZAÇÃO, OCUPAÇÃO!

Nota da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC)
Oposição Classista Combativa e Independente/UERJ

No dia 26/09, estudantes independentes se organizaram e ocuparam o bandejão da UERJ maracanã, que se encontrava há mais de 1 ano fechado. A ocupação aconteceu por volta das 18h e contou com a presença de mais de 50 pessoas, cantando palavras de ordem contra o sucateamento da educação pública, cobrando a reabertura do bandejão no Maracanã e a implantação do bandejão nos campi externos.

Seguindo os métodos de democracia que defendemos(democracia de base), realizou-se uma assembleia para definir os moldes da ocupação. A partir dessa assembleia, os estudantes se organizaram para garantir a segurança, limpeza e preservação do espaço da ocupação e dos ocupantes. Por unanimidade, a assembleia decidiu que é proibida a entrada da UNE no espaço.

No dia 27/09, às 14h, ocorreu a assembleia docente da UERJ, onde a base da categoria votou apoio à ocupação e foram recebidos no bandejão pelos estudantes com palavra de ordem e agradecimento. Durante a assembleia docente, o DCE da UERJ (PT/PCdoB) fez uma fala apontando a ocupação como ilegítima e sectária. É importante ressaltar que esse mesmo DCE foi convidado a participar da ocupação, mas não se movimentou nem para apoiar, mostrando assim que só atravancam a luta e servem aos interesses do estado burguês.

Hoje, a Ocupação do Bandejão (Ocupação Bruno Alves), pode afirmar com toda certeza de quem constrói verdadeiramente a luta,que o bandejão funciona de modo autônomo e suficiente, com opção vegana, e que com tal ação faz também evidenciar quais caminhos são de fato acertados para impedir o avanço da iniciativa privada e os ataques neoliberais em nossa Universidade. Combatemos qualquer atitude sectária e de atravancagem de luta. Nesse período, fizemos um chamado a todos os alunos e pessoas em geral que fazem parte direta ou indiretamente da vida uerjiana. E assim,viemos superando as dificuldades e conquistando vitórias que são apenas um esboço para barrarmos de fato o avanço neoliberal,que tem como laboratório para tal política no plano da educação o sucateamento sistemático da UERJ,universidade pioneira de cotas e uma das mais populares do país.

Entendemos que não é a estagnação e o comodismo que produzirão resultados para o avanço e amadurecimento da nossa luta. É através da mobilização pela base que vamos alcançar nossas pautas reais.

Contra a burocratização do movimento estudantil!
Por uma luta independente construída pela base!
Ocupar, resistir, lutar pra garantir!

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[RECC] O mercado da educação: O que o capital deseja ensinar aos filhos do povo?

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O mercado da educação: O que o Capital deseja ensinar aos filhos do povo?

“Em suma, se queremos que o país seja mais competitivo, teremos que fazer com que nossas escolas preparem os alunos para enfrentar a competição”

Fábio Giambiagi (economista do BNDES)[1]

Ser estudante não é uma tarefa tão simples, especialmente quando a maioria vem de família pobre, além de estudar e trabalhar. No Brasil, há cerca de 8.027.297 alunos matriculados no ensino superior, sendo 82,63% em cursos presenciais e 17,36% em cursos a distância (EaD)[2]. Destes, 14,5% concluem a graduação e apenas 3,8% de estudantes estão na pós-graduação (mestrado e doutorado).

As pessoas que estão no ensino superior, em sua maioria, estão na faixa etária de 18-24 anos correspondendo a 43,5%, seguido 20,1% com 25-29 anos dos alunos matriculados. Nessa faixa etária, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) cerca de 60% cumprem uma dupla jornada, trabalhando e estudando. Quando não cumprem tripla jornada por serem mães, pois além de estudar, trabalhar fora de casa também realizam as tarefas domésticas de cuidar da casa, dos filhos e até mesmo do marido.

Os empregos que os estudantes universitários pobres conseguem, geralmente são os informais ou terceirizados. Estes são os empregos com a carga horária mais flexível para poderem, minimamente, conciliar o trabalho com o estudo. Já que o emprego é a condição para poder ter o básico para sobreviver (pagar aluguel, ter o que comer, beber e vestir, pagar o transporte) e permanecer estudando, custeando o material que vai das xerox aos equipamentos mais técnicos, dependendo do curso.

Essa flexibilização quer dizer: trabalhar aos finais de semana e feriado, horário de almoço reduzido, desconto no salário quando fica doente e falta, turnos na madruga, dobras/plantão, freelancer, vender comida na universidade, corrigir trabalhos acadêmicos, revender cosméticos, dentre tantas outras formas encontradas para permanecer estudando. Inclusive porque as políticas de permanência na Universidade funcionam para serem insuficientes: burocratização dos processos de assistência estudantil (você tem que provar que é pobre e precisa de assistência!), faltam bolsas e aqueles que conseguem as vezes precisam cumprir uma carga horária de trabalho na universidade, moradia estudantil inexistente ou com infraestrutura ruim, bolsas de pós-graduação sem critério socioeconômico e unicamente por produção acadêmica/notas.

A terceirização para o estudante pobre que, na sua maioria gritante são negros, indígenas e descendentes destes, é a condição de emprego para se manter na universidade. E aqueles estudantes que conseguem bolsas e auxílio de permanência estudantil e/ou também são cotistas, também são majoritariamente negros e pobres. E mais do que isso, estar cursando uma graduação ou pós-graduação é a forma para qualificar a mão-de-obra e assim se manter no mercado de trabalho para ter como sobreviver. Diferentemente, daquela minoria de estudantes que ao estarem no Ensino Superior, é para se capacitarem melhor e serem gestores, além de tomar seus cargos de comando. Afinal, a carreira profissional destes está sempre estável e em ascensão antes mesmo de conseguir um diploma.

Tem se tornado comum aos estudantes pobres, mesmo depois de formados, terem empregos precarizados e vínculos cada vez mais informais. Esses empregos não garantem (e quando fazem isso é mínimo) os direitos trabalhistas conquistados, anos atrás, por outros trabalhadores. A carteira assinada, o 13º terceiro salário, a licença maternidade, o auxílio alimentação e vale transporte, o pagamento de hora extra, entre outros, estão indo para o ralo e o único beneficiado com isso é o patrão, empresários, banqueiros, políticos e governos – todos os nossos sanguessugas!

Portanto, não nos enganemos: o que passamos na universidade expressa a luta de classes que vivemos na sociedade e essa luta de classes é demarcada pela cor! Os estudantes negros, indígenas e seus descendentes apesar de ser a maioria da população do Brasil são expulsos sistematicamente pela porta de trás das universidades! Continuar lendo

[SP] NOTA DE REPÚDIO CONTRA AS 35 SINDICÂNCIAS NA UNESP DE MARÍLIA

Comunicado nº2 da Ação Direta Estudantil (ADE) – Filiada a RECC/FOB

Na noite de ontem (05/07/17), 35 militantes ativos da esfera política do M.E. de Marília, entre estudantes regulares de graduação e pós-graduação, foram notificados, através de um e-mail institucional, sobre uma reunião com a Direção da FFC nesta tarde (06/07/2017). O corpo da mensagem não descriminava o motivo do chamado encontro, ao se fazerem presentes, nossos companheiros foram informados da continuidade de seus processos de sindicância, abertos em 2015 por razão de um piquete realizado pelo M.E. da FFC em apoio às ocupações escolares de 2015 e pelas pautas de Permanência Estudantil.

Tal piquete foi deliberado nas instâncias válidas e reconhecidas do M.E., em Assembleia Geral dos Estudantes no dia 03/12/2015 – anterior ao dia do piquete –, aprovado devidamente pelos estudantes a partir das necessidades de luta pontuadas pelas bases. Agora, quase dois anos após o ocorrido, em um momento de novo acirramento das disputas e conflitos políticos da faculdade, a Direção volta a ameaçar os estudantes com processos de sindicância que podem resultar em sua perda de vínculo com a própria instituição, além da perda de bolsas acadêmicas e de permanência e a suspensão de suas atividades regulares para com a instituição. Esse processo, levado a portas fechadas desde sua abertura, foi uma das principais pautas do movimento de Greve e Ocupação de 2016, que exigia seu cancelamento imediato. Da maneira tão comum ao burocratismo universitário, a Direção da FFC informou não ter conhecimento do andamento desses processos, negando qualquer conhecimento de causa sobre os fatos relacionados a esse. Agora, após a organização estudantil contra a repressão policial no Campus e os atos da Greve Geral dos dias 28/05 e 30/06 – ambos compostos pelo bloco de estudantes da UNESP – a Direção volta a adotar a tática de intimidação direta sobre nossos camaradas.

Manifestação dos estudantes da UNESP em solidariedade aos 35 estudantes perseguidos políticos (13/07/2017)

A criminalização da luta estudantil, dos estudantes organizados e da ação direta através da intimidação, de processos institucionais e assédio moral é um sempre presente na vida dos que se colocam em luta. Mais uma vez, os estudantes combativos da FFC são chamados às barricadas da luta por nossa resistência na universidade. É necessário, nesse momento, compreendermos que tais ações repressivas não são isoladas ou terminadas em si, mas parte de um processo político que atravessa os anos e vem ganhando balanço nas lutas populares. O piquete de apoio às ocupações escolares de 2015 – que se colocavam contrárias à nefasta reorganização escolar do governo PSDB do Estado – e às pautas de permanência, não é uma criação local de uma vanguarda descolada das bases estudantis, a Ação Direta é uma forma de luta histórica do trabalhador contra os ataques burgueses impostos de cima para baixo.

Cabe compreendermos nosso lugar no corpo estudantil da universidade e, para além disso, na sociedade de classes: somos estudantes e membros da classe trabalhadora. Enquanto tanto, somos frequentemente chamados a defender aqueles que se põe ao lado da luta do proletariado. Aqueles que na universidade se põe ao lado das lutas por Permanência – moradia, alimentação, etc. – merecem nosso apoio e solidariedade em todo seu processo de lutas. É chegado o momento dos estudantes da FFC compreenderem que, aos ataques institucionais aos nossos, devemos apresentar respostas contundentes, enérgicas e baseadas na Ação Direta. É preciso organizar os estudantes para combater a repressão institucional e garantir a continuidade da luta estudantil na faculdade. A chamada de atos de protesto, trancaços e piquetes se comprovam, historicamente como formas efetivas da resistência estudantil e trabalhista. Se, em algum momento, é necessário superar o imobilismo e o burocratismo estudantil para garantir a continuidade de nossa luta, a hora é chegada!

A chamada para Assembleia Estudantil, dia 12/07/2017, é parte integrante desse necessário momento de organização dos estudantes. É nesse espaço que podemos nos fazer presentes e pensar, coletivamente, as saídas combativas para os Estudantes. Esse não é o momento de escondermo-nos nas inefetivas esquinas do burocratismo, mas sim de organizar a luta direta e combativa dos nossos pelos nossos. É o momento de paralisar a faculdade, de ocupar seus espaços e de não retroceder, nem mesmo um passo, na defesa de nossos camaradas. Somente a organização estudantil por via da ação direta pode garantir a efetividade e a vitória de nossas lutas. O momento é de ação , cabe a nós tomarmos em nossas mãos as lutas que nos pertencem, sem medo da repressão de nossos inimigos, que só visam nos desarticular e silenciar.

SÃO 30 ANOS SEM DITADURA E A REPRESSÃO AINDA CONTINUA!
NINGUÉM FICA PRA TRÁS, MEXEU COM UM MEXEU COM TODOS!
LUTAR NÃO É CRIME!

ASSINAM ESSA NOTA:
Ação Direta Estudantil – RECC/FOB
Nós Por Nós – Santa Catarina – RECC/FOB
Oposição Classista Combativa e Autônoma – Mato Grosso do Sul – RECC/FOB
Oposição Combativa Classista e Independente ao DCE da UNB – Distrito Federal – RECC/FOB
Oposição Classista Combativa e Autônoma ao DCE da UFG – Goiás – RECC/FO
B
Coletivo Tempo de Luta – Mato Grosso do Sul – RECC/FOB
Coletivo Tempo de Luta – Goiás – RECC/FOB
Coletivo Pedagogia em Luta – Brasília – RECC/FOB
Coletivo Pedagogia em Luta – Goiás – RECC/FOB
Rede Estudantil Classista e Combativa – Rio de Janeiro – RECC
Oposição de Resistência Classista – Distrito Federal – FOB
Oposição de Resistência Classista – Rio de Janeiro – FOB
Aliança Classista Sindical – Rio do Janeiro – FOB
Liga Sindical Operária e Camponesa – LSOC

Liga de Defesa da Educação- LDE

[GO] FORMAÇÃO SOBRE O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO

O Coletivo Pedagogia em Luta – UFG e o Coletivo Tempo de Luta – História UFG que compõem a OCCA / UFG Oposição Classista Combativa e Autonôma fizeram nesta última semana uma formação histórica sobre o Sindicalismo Revolucionário, desde a Associação Internacional dos Trabalhadores até a Confederação Operária Brasileira na Primeira República.

A formação teve caráter mais restrito, contando com a presença de um companheiro do DF e um secundarista. O objetivo da formação é elucidar e aperfeiçoar a teoria e a prática das formas de luta mais avançadas que surgiram no seio do proletariado, de resistência e solidariedade de classe, extremamente necessários no contexto atual de Ajustes Fiscais e ataques deliberados à classe trabalhadora, em especial a fração do proletariado marginal, que são os que mais necessitam de formas eficientes e combativas de organização.

Desta forma, o Movimento Estudantil dos filhos e filhas da classe trabalhadora deve agir de forma conjunta com o movimento classista e combativo sindical e popular, na busca por vitórias contra o Estado e os capitalistas pela construção de uma nova sociedade. Como a ação deve orientar a teoria e a teoria aperfeiçoar a ação, é fundamental o estudo e a formulação prática do Sindicalismo Revolucionário.

LUTAR PARA ESTUDAR, ESTUDAR PARA LUTAR!
AVANTE O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!

[RECC] Violência, encarceramento e racismo: 4 anos da prisão de Rafael Braga Vieira.

Comunicado Nacional da Rede Estudantil Classista e Combativa, julho de 2017.


“VOCÊ SÓ OLHA DA ESQUERDA PARA A DIREITA, O ESTADO TE ESMAGA DE CIMA PRA BAIXO” Violência, encarceramento e racismo: 4 anos da prisão de Rafael Braga Vieira.

“Que se espalhe a fúria e a ira,
que se levantem as vozes e as piras que iluminam a luta
Que não se calem as turbas quando a dor surgir em pilhas
Que não se acovardem os meninos e as meninas quando surgir a trilha,
Façam ação nas entradas das cadeias, desmanchem celas com seus punhos” (Hamilton Borges Onirê – Ira)

          A realidade Brasileira sempre foi – e segue sendo – a da desigualdade social, reconhecer o enorme abismo imposto entre as classes em nossa nação é o primeiro passo para compreendermos como o Estado estrutura e operacionaliza a contenção da luta pela libertação dos trabalhadores. Como bem sabemos, é papel principal de qualquer militante revolucionário comprometido combater com feracidade tal desigualdade imposta de cima para baixo. Devemos, para além de entender a efetiva e precária situação da classe trabalhadora em nosso país, nos dedicarmos em encontrar as saídas combativas para a estruturação da luta pela libertação do trabalhador, contra seu assassinato e aprisionamento. Porém, junto ao avanço e a radicalização da luta de classes no país, o Estado responde, cada vez mais, à mesma moeda. A violência policial, enquanto ferramenta para o assassinato irrestrito, o encarceramento e a repressão dos trabalhadores, intensifica-se cada vez mais. Exemplo patente disso é o genocídio cotidiano dos moradores de diversas favelas e periferias pelas mãos da polícia e, também, a ofensiva policial nos atos de rua contra manifestantes. A polícia que mais mata no mundo, segundo a própria Anistia Internacional, segue com um perfil sistemático de alvo: pretos e pobres. O documento exposto da PM de Campinas, que orienta a priorização de abordagens em negros, desvela essa realidade a quem quiser ver. A repressão diária sofrida pelo povo negro e pobre se escancara nos períodos onde a contradição da nossa sociedade de classes mais se acirra. O caso de Rafael Braga Vieira é exemplo disso.

   A polícia no Brasil surge, historicamente, como um braço armado, primeiramente dos grandes fazendeiros escravistas e do Estado colonial, e, posteriormente, da burguesia e do Estado burguês. Sua função primária é defender os mais ricos, exploradores da sociedade, e, ao mesmo tempo, reprimir cotidianamente e violentamente os mais pobres. Se, em um passado colonial e Imperial, perseguiam-se os escravizados, indígenas e quilombolas, hoje se reprimem os descendentes diretos desses: negros, indígenas e pobres,favelados e periféricos. Tal repressão, que sempre aconteceu às margens da sociedade, emerge com o acirramento da luta de classes e desce para o asfalto, onde tropas de choque e batalhões de operações especiais de vários cantos do país mostram seu verdadeiro dever: espancar, torturar e perseguir o povo. Assim foi nasJornadas de Junho de 2013, nas lutas contra os Megaeventos de 2014 e 2016 e nas paralisações gerais de 2017, nas quais, novamente, se colocou diante das câmeras o massacre exercido pelos novos capitães do mato.

      A política do Estado brasileiro está mais do que posta a quem quiser vê-la: encarcerar ou matar. Porém, enquanto o Lobby financeiro da segurança pública segue lucrando com suas pesquisas sobre aumento da violência, criminalidade e afins, a marcha fúnebre do trabalhador assassinado prossegue!Isso porque as pesquisas parciais escondemos verdadeiros criminosos: o Estado e o Capital. Documentos oficiais e pesquisas relativamente apresentam, mas pouco alteram, a realidade racista e violenta do cotidiano.Afinal, essa não é uma questão passível de resolução através das saídas de conciliação de classes oferecidas pela Política Institucional e a Burguesia: políticas públicas assistencialistas, filantropia, caridade, etc. Tais violência e a insegurança são resultados da Guerra de Classes e, nessa Guerra bem sabemos que não podemos contar com o estado e seus operadores, é ‘nós por nós’.

rafa braga

        A violência policial se intensifica após grande incentivo, financiamento e militarização do setor de segurança nos últimos anos. A criação da Força Nacional pelo Governo Lula/PT, a aprovação da Lei Antiterrorismo pelo Governo Dilma/PT e os recentes investimentos gigantescos no setor de Segurança pelo governo Temer/PMDB, bem como a convocatória do Exército para reprimir a manifestação do dia 24 de maio em Brasília, nos mostram que essa não é uma questão de um ou outro governo, mas sim de uma política sistemática de Estado. As inúmeras chacinas ocorridas por todo o país, realizadas por grupos de extermínio e milícias, demonstram a quem realmente servea militarização. A chacina em Manaus em 2015, que causou a morte de 37 pessoas em um fim de semana, as recorrentes chacinas no Pará, como a mais recente de Pau D’Arco – que resultou na morte de 10 camponeses -,a Chacina de Messejana no Ceará, Chacina do Cabula na Bahia, de Osasco em São Paulo, a Chacina de Acari e as cotidianas mortes nas favelas do Rio de Janeiro expressam que nossos mortos não têm lugar nas estatísticas do estado!

       Ainda assim, os partidos da ordem seguem saindo em defesa dessa mesma polícia genocida, bem como as políticas de (in) segurança pública, como exemplo: PSTU, PSOL, PCR, PCB, PC do B e congêneres. Esses grupos apoiam as greves policiais por melhores condições para repressão, controle e extermínio. É possível citar como exemplo o PSOL e seu apoio à implantação de UPP’s nas favelas do RJ. Não bastasse o PT e a direita oficial (PMDB, DEM, PSDB, etc) apoiando a militarização e tornando a questão de segurança pública cada vez mais como uma questão de Estado, as linhas auxiliares deixam a marca da sua covardia e de sua face anti povo.

         Além desse genocídio aberto, execuções sumárias, chacinas e massacres, outra característica dessa guerra contra o povo é o encarceramento. A completa submissão de seres humanos aos interesses e vontades do Estado. E não há garantia constitucional que efetive melhores condições, isso por que as prisões não são uma crise, mas sim um projeto. O Brasil possui hoje a 4º maior população carcerária do país, contando com 646,6 mil presos em 2016 – segundo o Conselho Nacional de Justiça -, onde 56% são jovens entre 18 e 29 anos e desses mais de 60% são negros. E apesar de estarmos em 4º lugar em quantidade de pessoas presas, seguimos sendo o país que mais prende no mundo.

            As prisões são máquinas de moer gente, por isso todas as tentativas de “humaniza-las” são falhas, assim como as tentativas de “humanizar” a polícia. A superlotação das penitenciárias, a falta de condições mínimas de higiene e os abusos sofridos dentro das cadeias são alguns dos problemas que os internos sofrem. Tais problemas não serão sanados com políticas públicas, pois fazem parte da nossa sociedade de classes e da lógica punitivista estatal em relação aos pobres, considerados insubordinados por sua brava resistência cotidiana aos ataques do Estado e do Capital. Reformar o sistema de genocídio do povo não é a solução!

            As tentativas de humanização do sistema prisional são falhas, pois ignoram, ou colocam como apenas mais um elemento, as contradições de classe do nosso sistema. Logo, a via reformista de mudança do sistema prisional é geralmente debatida entre altos cargos do Sistema Judiciário e apoiado pelos setores reformistas da política nacional. Em 2013 a Campanha “Cárcere cidadão” reuniu, em campanha pela humanização das prisões, um ministro do STF e o diretor do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (DEPEN) onde se discutiram formas de reintegração dos presos à sociedade e uma nova organização do sistema penitenciário. Até em privatização do setor se falou, mostrando mais uma vez o projeto político que é o encarceramento da população. As prisões não estão passando por problemas, elas são o problema! São resultado de um projeto estatal que pretende controlar o ódio e revolta gerados pelos desmandos do Capital e do Estado.

            Dentro dessa política de “Segurança Pública”, racista e que criminaliza a pobreza, temos o caso emblemático de Rafael Braga Vieira, que no dia 20 de junho de 2013, em meio às combativas Jornadas que se estenderam por todo o país, foi abordado por policiais, e após revista foi levado preso. Segundo a mesma polícia que mais mata no mundo, seus crimes eram portar duas garrafas de desinfetante Pinho-Sol e um frasco de água sanitária. Rafael ficou cinco meses preso até o julgamento, e mesmo após um laudo detalhado que atestava que os produtos encontrados por Rafael não poderiam ser usados na criação de nenhum tipo de arma (como dito pelos seus algozes), ele foi condenado a cinco anos de prisão, sob a alegação de que Pinho-Sol e água sanitária seriam utilizados para fabricar uma bomba.

            Assim, em 2014, após uma acirrada disputa judicial, Rafael passou para o regime semiaberto, onde começou a trabalhar como auxiliar de serviços gerais. Porém, no dia 30 de outubro, quando voltava ao presídio de Niterói, posou para uma foto, ao lado de uma pichação em um muro que continham os seguintes dizeres: “Você só olha da esquerda para a direita, o Estado te esmaga de cima pra baixo”. Rafael foi punido por essa foto com 10 dias na Solitária, além da tentativa de regressão na sua pena.

            Em 2015 foi permitido que Rafael Braga cumprisse o restante de sua pena, fora da prisão, com a utilização de uma tornozeleira eletrônica, mas no dia 12 de janeiro de 2016 voltou a ser preso por policiais/milicianos da UPP (a mesma defendida pelos partidos da ordem) da Vila Cruzeiro, por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Segundo a acusação, o jovem estaria portando 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão. Rafael negou estar em posse desses materiais desde o seu primeiro depoimento,na 22º Delegacia da Penha, alegando que as drogas e o rojão teriam sido plantados pelos próprios policiais, após dizer que não teria informações sobre supostos traficantes da região. O Kit-flagrante é algo extremamente comum no meio policial, e inúmeras pessoas inocentes foram presas por conta disso todas com o mesmo perfil: pretos e pobres. Após essa prisão, no dia 20 Abril de 2017, Rafael Braga Vieira foi condenado a 11 anos de cárcere por tráfico de drogas e associação ao tráfico, sendo as únicas testemunhas de acusação os policiais que o prenderam. Houve também uma testemunha de defesa, que viu Rafael ser agredido pelos policias, e disse não ter avistado nenhum dos objetos que o acusavam de portar. Essa testemunha não foi aceita pelo juiz sob a justificativa de que esta seria parte interessada, por ser vizinha de Rafael.

            A condenação de Rafael Braga confirma o caráter racista do Estado, que condena um jovem pelo fato dele ser negro e favelado. O genocídio do povo negro, pobre e favelado não é programa desse governo, ou daquele: é um programa de Estado. Os pobres são empurrados para periferia e depois sumariamente assassinados, ou presos. A violência policial contra o povo trabalhador se torna cada vez mais forte, e só com organização e luta poderemos avançar. Como disse Malcom X: por qualquer meio necessário. É preciso demarcar o inimigo do povo, e esse é o Estado. O mesmo Estado que promove o genocídio, esse que entra nas favelas e assassina nossos filhos e filhas, irmãos e irmãs. Precisamos ter em mente que a polícia é o Estado, pois é seu braço armado. Por isso, não podemos nos iludir com a disputa eleitoreira, o objetivo dela é só dar cargos para partidários e gerenciar o Estado contra o povo. Eleição é farsa! Logo é preciso combater aqueles que defendem os agentes desse genocídio, partidos como: PT, PC do B, PSTU, PSOL, PCR, PCB e afins, que dizem estar ao lado do povo, mas defendem greve de policiais e demais políticas genocidas. Fazer esse verdadeiro “jogo da direita” é gritar por melhores armas para matar o povo, melhores salários pelos assassinatos em massa.

            Rafael Braga Vieira está preso há 4 anos, injustamente, longe de sua mãe Adriana Braga e de sua família, sem poder ajudá-la, como fazia antes. Ele é mais uma vítima do racismo estrutural e da violência de classe. Como Rafael, existem milhares nos presídios brasileiros, pois a justiça burguesa só serve ao burguês. A história nos mostra que a organização popular é o caminho da resistência, nos mostrou a quem servem os partidos eleitoreiros, e quais as consequências de suas politicas covardes de conciliação e de disputa do Estado. As favelas são os quilombos modernos, e é necessário queimar a Casa Grande, e não disputá-la!


LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA VIEIRA, PRESO POR SER POBRE E PRETO!
CRIAR COMITÊS DE SOLIDARIEDADE A RAFAEL BRAGA VIEIRA!
CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO: AUTONOMIA E COMBATIVIDADE!
A JUSTIÇA NÃO É CEGA, É RACISTA E BURGUESA!
ABAIXO A FARSA ELEITORAL! NÃO VOTE, LUTE!

 

 

 

 

[RECC-DF] A Luta pela permanência

Por Oposição Combativa, Classista e Independente (CCI) ao DCE-UnB

Lutar pela assistência estudantil é a lutar pela sobrevivência dentro da universidade, daqueles que necessitam do beneficio para continuar estudando. Compreendemos a necessidade de uma assistência que busca garantir a estabilidade emocional e econômica dos estudantes, para que possamos ter força para travar as demais lutas e garantir uma universidade que esteja a serviço do povo e não do capital.

A precariedade que permeia a assistência estudantil não é uma situação exclusiva em nossa instituição, mas também ocorre em diversas universidades nos fazendo entender um pouco da complexidade do problema. Atualmente mais de 10 Universidades Estaduais já declaram risco de falência, mas afinal o que nós temos haver com isso?

A precarização nas universidades, a falsa “crise econômica”, leva ao corte de gasto, aos ajustes, mas claro as elites não serão afetadas, quem sofrerá as conseqüências desta crise, que não criamos, somos nós trabalhadoras/res e filhas/os da desigualdade social. O corte de gasto, com recorte elitista, nos atinge diretamente e de forma cruel e desumano, o que leva no âmbito universitário evasão de alunas/os por falta da assistência. Em situações constrangedoras vivem as/os alunas/os da assistência. Atualmente em nossa universidade existem casos de alunxs em situação de rua, calouros que já caminham para o final do semestre sem se quer ter o resultado do seu estudo socioeconômico, o que infelizmente não é um problema novo, afinal essa “crise econômica” para pobre sempre existiu. Continuar lendo

[RECC-SC] TODA FORÇA À CAMARADA LORENA CASTILLO!

A Oposição Nós por Nós (RECC/UFSC) considera de fundamental importância posicionar-se diante do processo de perseguição política movido pela reitoria da UFRGS contra a estudante Lorena Castillo, desligada da instituição sob acusações fraudulentas, e contra a organização da qual a camarada faz parte, a Federação Anarquista Gaúcha.

Manifestações de autoritarismo como as da UFRGS não devem ser entendidas de maneira isolada, mas como componentes de um quadro geral de acirramento da crise política e social em que se observa um aumento da ferocidade dos ataques da burguesia contra o povo e a intensificação da caçada aos opositores desta ordem social desigual.

Há anos e, principalmente depois de 2013, a Federação Anarquista Gaúcha sofre com a perseguição por parte do Governo Estadual e das elites que o controlam. Há anos os companheiros resistem à detração pública, criminalização de suas atividades, invasões à sua sede, prisão de militantes e diversas outras investidas. Agora, o Governo Sartori (PMDB) e a reitoria de Rui Oppermann (PCdoB) se articulam para coibir a atuação combativa no movimento estudantil universitário, através da humilhação e expulsão da camarada Lorena, em um processo forjado e inquisitório que a condena à interrupção dos estudos simplesmente por ser pobre e militante.

Sabemos bem que a perseguição política se coloca como tentativa de aplacar o empenho daqueles que não fogem à luta, que não se afastam da guerra de classes encastelados em gabinetes, protegidos no alto dos carros de som e atrás de bate paus contratados para conter a insubmissão autônoma. Por isso, nos declaramos solidários à companheira Lorena e à Federação Anarquista Gaúcha, repudiamos as medidas tomadas pela UFRGS e corroboramos a exigência da imediata reintegração da companheira ao corpo discente da universidade.

Mais do que nunca, é imprescindível defender a liberdade de organização e atuação política em nossos locais de estudo, pois cada vez mais se agudiza a perseguição aos lutadores que não abaixam as vozes mediante financiamento de campanha e não sujam as mãos no lamaçal das burocracias sindicais, partidárias e estudantis que são cúmplices da burguesia. Mas a resistência nas universidades e nas ruas tem dado o recado: As perseguições não podem deter a reorganização da revolta popular! Não permitiremos que sigam roubando nossos direitos, nem que tentem silenciar nossos lutadores!

Greve geral contra as reformas e contra a repressão!

Toda solidariedade à companheira Lorena!