[FOB-RJ] Por que a classe trabalhadora brasileira precisa de uma Federação Sindicalista Revolucionária?

Por que a classe trabalhadora brasileira precisa de uma Federação Sindicalista Revolucionária?

Por FOB-RJ

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            Por ocasião da realização do II ENOPES (Encontro Nacional de Oposições Populares, Estudantis e Sindicais), em outubro de 2017, os(as) participantes, delegados e delegadas das oposições e coletivos do FOB (Fórum de Oposições pela Base), seus convidados(as), militantes combativos(as) e classistas de nove estados do Brasil, debateram e deliberaram pela construção de uma Federação Sindicalista Revolucionária no Brasil – a Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil, mantendo a sigla FOB.

            Mas qual é o significado dessa deliberação? Por que construir uma federação sindicalista revolucionária? O que é uma federação sindicalista revolucionária? Por que a classe trabalhadora brasileira precisa de uma federação sindicalista revolucionária?

            Vamos tentar responder essas perguntas numa série de artigos. E vamos começar pela história e pelos princípios que consagraram o Sindicalismo Revolucionário – SR.


  1. O que é o Sindicalismo Revolucionário?

Como dizia o operário e anarquista Edgard Leuenroth, não existe um “sindicalismo puro”, os princípios, as concepções, as práticas e as organizações sindicais assumem sempre determinadas características das correntes e tendências políticas e ideológicas dos contextos sociais e históricos em que estão inseridos. Assim, podemos falar em sindicalismo socialdemocrata, sindicalismo corporativista, sindicalismo cristão, sindicalismo liberal, anarcossindicalista, sindicalismo comunista, e, a mais importante concepção sindical: o sindicalismo revolucionário – SR.

Consideramos o SR a concepção mais importante da história do sindicalismo, porque é aquela que entendeu o verdadeiro lugar das lutas e das organizações sindicais nos processos revolucionários. Para os sindicalistas revolucionários, as lutas sindicais têm como objetivo a destruição da exploração e da dominação burguesa, ao mesmo tempo em que as organizações sindicais, ao lado das demais organizações da classe trabalhadora, constituem o embrião da sociedade socialista, cujo programa é a federação livre das comunas e organizações proletárias o autogoverno dos trabalhadores.

As lutas revolucionárias são protagonizadas pelos trabalhadores e trabalhadoras e suas organizações, por isso, a ação direta é um dos princípios centrais do SR, isto é, a classe trabalhadora por si mesma, com suas lutas e organizações, será responsável pela destruição do sistema capitalista. Por isso, as greves devem se converter em greves gerais insurrecionais. A deflagração de greves gerais insurrecionais depende da organização de uma confederação operária, capaz de reunir o conjunto da classe trabalhadora na luta revolucionária.

A forma de organização do SR é o seguinte: os sindicatos autônomos e as demais organizações proletárias se reúnem em federações sindicalistas revolucionárias, que por sua vez, se unificam em uma confederação sindicalista revolucionária.

  1. Quais são as origens do Sindicalismo Revolucionário?

A história do SR se confundi com a própria história das organizações e lutas da classe trabalhadora contra a exploração e a opressão capitalistas. Por isso, podemos afirmar que as origens do SR se encontram no processo de construção da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores), na Europa em 1864.

Os operários reunidos na AIT se aglutinavam a partir da concepção de que a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores, ou seja, a classe trabalhadora assume para si a missão de destruir os grilhões que lhe aprisionam.

Aqueles operários defensores do socialismo coletivistas, sustentaram e conseguiram aprovar que a luta da classe operária era a luta pela propriedade coletiva. É importante ressaltar que os coletivistas entendiam que as organizações operárias, como suas associações, cooperativas, sindicatos, sociedades de resistência, associações de socorro mútuo, eram o germe da sociedade socialista futura.

Os coletivistas queriam colocar em prática a concepção da AIT – a emancipação dos trabalhadores, será obra dos próprios trabalhadores, portanto, afirmavam que as greves isoladas e parciais, aquelas das categorias por aumento dos salários e melhores condições de trabalho, eram insuficientes. A alternativa era a construção de greves gerais que assumissem o caráter de greves insurrecionais, capazes de destruir o poder capitalista pela revolução social.

            Assim, as concepções coletivistas podem ser resumidas em quatro princípios: 1) a defesa da propriedade coletiva; 2) as organizações da classe trabalhadora são consideradas o germe da sociedade futura; 3) a organização da sociedade socialista significa a livre federação das comunas e associações da classe trabalhadora; 4) a Greve Geral é a estratégia principal da luta pela emancipação dos trabalhadores. Ou seja, trata-se de uma concepção sindicalista revolucionária, porque são as organizações dos trabalhadores que protagonizam toda a luta revolucionária.

  1. Quais são os princípios do SR?

No final do século XIX e início do século XX, o movimento operário internacional passa por um novo processo de reorganização: a fundação de confederações nacionais de caráter sindicalistas revolucionárias: CGT francesa, CNT espanhola, IWW norte-americana, USI italiana, COB brasileira, FORA argentina, FAU alemã, Casa del Obrero Mundial mexicana, FORU uruguaia, FTCH chilena, dentre outras.

Foi a declaração do Congresso de Amiens de CGT francesa (1906) que marcou o SR, pois a resolução declarava que:

Por obra da reivindicação cotidiana, o sindicalismo procura a coordenação dos esforços obreiros, o aumento do bem-estar dos trabalhadores através da realização de melhorias imediatas, tais como a diminuição das horas de trabalho, o aumento dos salários, etc.; Mas esta tarefa não é senão um flanco da prática do sindicalismo; ele prepara a emancipação integral; que não pode realizar-se senão através da expropriação capitalista; preconiza como meio de ação a greve geral e considera que o sindicato, hoje agrupamento de resistência, será no porvir o agrupamento de produção e de repartição, base da organização social. (Carta de Amiens, 1906).

Por isso, afirmamos que os princípios do SR são: 1) a revolução social, ou seja, a emancipação dos trabalhadores e trabalhadoras, é o resultado das lutas das organizações sindicais e demais movimentos da classe trabalhadora; 2) defender o socialismo é defender a propriedade coletiva; 3) o socialismo é a livre federação das comunas e das associações da classe trabalhadora; 4) a greve geral é um instrumento para a emancipação da classe trabalhadora.

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[RECC-RJ] CONTRA A PRECARIZAÇÃO, OCUPAÇÃO!

Nota da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC)
Oposição Classista Combativa e Independente/UERJ

No dia 26/09, estudantes independentes se organizaram e ocuparam o bandejão da UERJ maracanã, que se encontrava há mais de 1 ano fechado. A ocupação aconteceu por volta das 18h e contou com a presença de mais de 50 pessoas, cantando palavras de ordem contra o sucateamento da educação pública, cobrando a reabertura do bandejão no Maracanã e a implantação do bandejão nos campi externos.

Seguindo os métodos de democracia que defendemos(democracia de base), realizou-se uma assembleia para definir os moldes da ocupação. A partir dessa assembleia, os estudantes se organizaram para garantir a segurança, limpeza e preservação do espaço da ocupação e dos ocupantes. Por unanimidade, a assembleia decidiu que é proibida a entrada da UNE no espaço.

No dia 27/09, às 14h, ocorreu a assembleia docente da UERJ, onde a base da categoria votou apoio à ocupação e foram recebidos no bandejão pelos estudantes com palavra de ordem e agradecimento. Durante a assembleia docente, o DCE da UERJ (PT/PCdoB) fez uma fala apontando a ocupação como ilegítima e sectária. É importante ressaltar que esse mesmo DCE foi convidado a participar da ocupação, mas não se movimentou nem para apoiar, mostrando assim que só atravancam a luta e servem aos interesses do estado burguês.

Hoje, a Ocupação do Bandejão (Ocupação Bruno Alves), pode afirmar com toda certeza de quem constrói verdadeiramente a luta,que o bandejão funciona de modo autônomo e suficiente, com opção vegana, e que com tal ação faz também evidenciar quais caminhos são de fato acertados para impedir o avanço da iniciativa privada e os ataques neoliberais em nossa Universidade. Combatemos qualquer atitude sectária e de atravancagem de luta. Nesse período, fizemos um chamado a todos os alunos e pessoas em geral que fazem parte direta ou indiretamente da vida uerjiana. E assim,viemos superando as dificuldades e conquistando vitórias que são apenas um esboço para barrarmos de fato o avanço neoliberal,que tem como laboratório para tal política no plano da educação o sucateamento sistemático da UERJ,universidade pioneira de cotas e uma das mais populares do país.

Entendemos que não é a estagnação e o comodismo que produzirão resultados para o avanço e amadurecimento da nossa luta. É através da mobilização pela base que vamos alcançar nossas pautas reais.

Contra a burocratização do movimento estudantil!
Por uma luta independente construída pela base!
Ocupar, resistir, lutar pra garantir!

[RMC-RJ]DUQUE DE CAXIAS: PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO COMBATEM O AJUSTE FISCAL!

Profissionais da Educação de Duque de Caxias enfrentam o Ajuste Fiscal do prefeito Washigton Reis com paralisações, ocupação, atos e panfletagens.

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Desde a primeira semana de agosto, os profissionais da educação da cidade de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio, lutam contra os atrasos de salários e os projetos de ajuste fiscal do município.

O pacotaço da prefeitura atacam vários direitos adquiridos pelos servidores municipais, como a gratificação para os profissionais que atuam em escolas de difícil acesso. Se prevê ainda a diminuição da taxa de reajuste salarial e o aumento da contribuição previdenciária para ativos e aposentados, repetindo as medidas nos inúmeros ajustes fiscais que estão se dando na esfera nacional e estadual.

Na noite do dia 04 de agosto para barrar a votação do pacotaço, os professores ocuparam a Câmara de Vereadores e lá permaneceram sob constantes ameaças, até serem retirados pela Polícia Militar com bombas e spray de pimenta.

Como continuidade das mobilizações uma nova assembleia, na manhã de segunda feira, dia 07, decidiu por uma paralisação de 48 horas e com diversos atos e panfletagens por todo o município. Uma grande marcha percorreu as ruas do centro da cidade em direção à Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Educação.

Na manhã de quarta-feira, dia 09, os servidores se reuniram na porta da Prefeitura de Caxias, em Jardim Primavera, e protestaram novamente contra a autoridade municipal que recebeu uma comissão de professores. Nas falas de cada representante era possível notar o grau de precariedade e abandono da educação de Duque de Caxias com relatos de falta de material, violência escolar e problemas de saúde entre alunos e profissionais.

Na parte da tarde uma nova assembleia determinou paralisação de 72 horas, com assembleia a ser realizada no dia 14 para decidir os rumos do movimento, e os professores ocuparam uma pista da rodovia Washington Luís no final de tarde.

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Segue o calendário de mobilizações deliberado pela assembleia do dia 09 de agosto:

Dia 11 (sexta): Ato pela manhã (9 h) no IPMDC e à tarde (17 h) em Parada Angélica;
Dia 12 (sábado): Panfletagem no Caxias Shoping, às 14h;
Dia 14 (segunda): Conselho de Representantes às 9h e assembleia às 13 horas (centro de Caxias).

 

[RMC – RJ]MANIFESTAÇÃO DE SERVIDORES ESTADUAIS TERMINA EM REPRESSÃO.

Servidores estaduais realizaram um Ato às portas do Palácio Guanabara contra Pezão, os atrasos do pagamento dos salários e as políticas de ajuste fiscal.

Ato Professores Palacio Guanabara 2

No dia 08 de agosto, as categorias do funcionalismo estadual se reuniram no Largo do Machado, zona sul carioca e marcharam em direção ao Palácio Guanabara em Laranjeiras.

O ato contava com a presença de profissionais da educação, estudantes e servidores da UERJ, funcionários da saúde e pesquisadores bolsistas das instituições de pesquisa do Rio de Janeiro.

Ao chegar às portas do prédio governamental, os manifestantes que reivindicavam a normalização da folha de pagamento, a melhoria das condições de trabalho e contra as medidas de fechamento de turmas e escolas, receberam a informação que não havia nenhum representante do governo para dialogar. Os manifestantes então decidiram iniciar uma vigília.

Cansados de esperar os servidores buscaram romper as grades e entrar no Palácio e foram reprimidos pela Polícia Militar que, em sua rotina sanguinária, começou uma ação desproporcional com bombas e spray de pimenta que pôs fim ao ato.

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) convocou nova assembleia para a categoria no dia 12 de agosto, sábado, as 14 horas na ABI. Um dos pontos de pauta será a discussão sobre o indicativo de greve. A categoria se mobiliza para barrar as resoluções que buscam o fechamento de turmas e escolas.

[FOB-RJ] Da capitulação das centrais ao silêncio dos reformistas: a Greve Geral de 30 de junho

FOB-RJ

Um balanço da greve geral do dia 30 de junho é necessário. Apesar de importante, ela representou um claro declínio em relação ao movimento de ascenso de abril e maio. Esse declínio não foi consequência de uma queda da atividade e disposição de luta da classe trabalhadora. Foi, ao contrário, o resultado de uma política deliberada de desmobilização conduzida pela cúpula da burocracia sindical em conluio com o Governo Federal. Mas para isso colaboraram também a fragilidade de organização de base e o próprio papel titubeante das correntes de “oposição” (ligadas ao PSOL, PSTU, PCB). Também colabora a fragilidade organizativa dos setores autonomistas e libertários, que pouco avançaram na organização de base consequente, deixando esse terreno quase que livre ao reformismo e oportunismo.

A greve geral convocada para o dia 30 de junho vai ficar marcada pela capitulação das centrais sindicais(CUT, Força Sindical, UGT, CTB) e pela reação pouco efetiva das correntes sindicais de oposição (como a CONLUTAS), em especial no Rio de Janeiro. Essa fraqueza da reação se dá em razão do reboquismo histórico em relação às centrais e em razão da fragilidade da organização de base das categorias, fragilidade esta também induzida por estes mesmos grupos e correntes, que optam por ação de cúpula e desorganizam as organizações de base com muita frequência.

Como no 28A, a greve geral do dia 30 também foi marcada por fechamento de vias importantes da cidade, embora com menor força em função de todo desmonte realizado pelas centrais. O ato da tarde, embora cheio, com pelos menos umas 20 mil pessoas, não teve o mesmo impacto e folego que o 28A ou o 24M em Brasília. Aqui o silêncio dos reformistas diz mais que mil palavras. O ato marcado para às 17:00 h na candelária deveria seguir em direção à Cinelândia, e depois de muito tempo de concentração (que foi montado para ser um palanque, que demorou começava a rumar a rio branco, quando do nada parou após 200 metros de caminhada e parado ficou por cerca de 1 hora. Após todo este tempo, o carro de som composto tanto pelas centrais quanto por dirigentes dos partidos citados anunciam que o ato iria andar rumo a Central do Brasil. Essas manobras expuseram grande parte da massa presente à ação de provocadores e a repressão policial, e de forma, digamos, suspeita, deixou o bloco autônomo e combativo do ato exposto durante um longo tempo aos olhares da repressão e depois, com a manobra de redirecionar o ato para a Central do Brasil, procurou-se reforçar a ideia de que os mesmos não fazem parte do“ato legítimo” (campanha de desqualificação iniciada em Junho de 2013). Mesmo que isso não tenha sido intencional, sejamos ingênuos, essas decisões de cúpula dificultam a organização da resistência e mostra um profundo descolamento entre as direções (que tomam decisões sem qualquer debate justificativa) e as bases, que são jogadas de um trajeto para outro sem saberem a razão, ficando assim à mercê da repressão policial. Na rua, a mudança do trajeto do ato gerou confusão e mostrou a inexistência de uma tática clara, e as decisões de mudar o trajeto do ato são feitas quase sempre para desqualificar os “Black Bloc”, o grande bode expiatório para os crimes do reformismo.

A capitulação das centrais evidencia duas coisas: 1) todo o seu apego ao Estado; 2) e o medo de perder o controle das bases que controlam, tendo em vista o acirramento cada vez maior entre base e direção e a disposição da massa para a luta radical que ficou evidente nas últimas mobilizações no Rio e no país. O reboquismo frente às centrais pelos reformistas fica claro pelo silêncio frente ao ocorrido pelo chamado a unidade com as centrais sindicais.

Após a greve geral do dia 28 de abril e o ocupa Brasília de 24 de maio, onde as bases demonstraram sua real disposição para luta e os trabalhadores romperam a barreira policial e destruíram vários ministérios, as principais centrais sindicais do país convocaram uma nova greve geral para 30 de junho. Embora esta greve tenha demorado a sair, era necessária sua convocação. Nesse intervalo de tempo, as centrais sindicais, através da negociação de cúpula com o governo federal, conseguiram a promessa de veto a alguns pontos da reforma sindical, em especial o ponto que acabava com o imposto sindical, fator que garante a reprodução da burocracia sindical no controle dos sindicatos. A partir deste momento, elas começaram a destruir e desmobilizar a greve geral, inclusive mudando o nome para “dias de paralisações e lutas”.

Aqui no Rio de Janeiro, diversas categorias (SEPE, SINDISCOPE, CEFET, UFRJ, ADUR, entre outras) decidiram pela manutenção da chamada da greve geral e através do Sepe foi convocada uma plenária de entidades para organização da mesma. Foram realizadas duas plenárias, sendo a última realizada no dia 27 de junho. Nesta, nós do FOB e o SOS EMPREGO foram os únicos a defender a necessidade de garantir um grande ato combativo no final do dia e que este se dirigisse à ALERJ, em função desta casa não somente ser o centro de poder do governo estadual, como também os grandes protagonistas da aprovação de reformas de austeridade que prejudicam os trabalhadores públicos do Estado e consequentemente a classe trabalhadora usuária dos serviços públicos. As demais correntes políticas presentes (PSOL, PSTU, PCB) nada indicaram de ação para a greve geral, embora tenha de forma genérica criticado o desmonte da greve pelas centrais sindicais. Essa postura, na prática induz ao reboquismo em relação à política das centrais, reproduzindo os ecos da famigerada política de unidade de ação que imobilizou as resistências desde há muito tempo.

Esse silêncio mostra que tanto as centrais, quanto essas correntes reformistas, não querem imprimir uma estratégia e uma tática a greve geral. As centrais sindicais temem a greve geral. Elas não querem também ações radicais contra o Governo temer. Por isso, limitam a greve geral a um dia e não organizam ações radicalizadas. Por sua vez, as correntes sindicais reformistas, mesmo chamando a greve geral, consideram que esta só pode ser construída pela cúpula, com as centrais. Como as centrais não formulam uma estratégia, e a estratégia dessas correntes é seguir as centrais, ficamos presos num círculo vicioso. E esse círculo conduz a inefetividade do principal instrumento de luta da classe trabalhadora, a greve geral. Precisamos reconhecer: a greve geral do 30J não alcançou seus objetivos. Mesmo que tenhamos tido importantes momentos de resistência, isso não é suficiente. Uma greve geral não deve e não pode ser apenas um momento para demonstrar numero. Uma greve geral e a ofensiva, deve realizar resultados concretos, ou ela se desmoraliza. E a greve geral não fez isso porque ela foi meticulosamente desorganizada pelas centrais, e não encontrou nas bases outro centro organizador.

A greve geral precisa de uma estratégia e uma tática. A greve geral deve ter como estratégia, a paralisação não apenas da produção, mas a paralisação das condições de funcionamento dos centros de poder. Em termos táticos, uma greve geral tem de ser ofensiva, suas ações devem ser realizadas por meio de piquetes e marchas que garantam seus objetivos estratégicos. Marchas sem objetivos táticos claros (como no dia 28 de abril e 30 de junho) e shows não são as táticas para uma greve geral. Marchas para demonstrar número, atividades culturais são aceitáveis apenas em momentos de preparação, de educação das bases, não no momento da ofensiva. Toda greve geral deve ser convocada com movimentos de Ocupa os centros de poder e deve ter uma preparação real para realizar ocupações de fabricas e tomar o controle da produção.

Greve geral precisa ter tática e estratégia. As Centrais não irão elaborar essa tática e estratégia, pois elas sabotam a greve geral, elas temem a greve geral tanto ou mais que a própria burguesia. A tática e a estratégia da greve geral será elaborada somente a partir da base. Das direções sindicais temos visto desmobilização e capitulação.

Romper com as centrais sindicais e o sindicalismo de Estado: construir plenárias de base autônomas e construir a greve geral pela base!

Não podemos ficar a mercê da política das centrais sindicais que visa apenas se manter controlando a burocracia sindical e fortalecer a campanha eleitoral do PT e Lula em 2018 ou mesmo o chamado para uma nova eleição através do slogan “diretas já”. Ao mesmo tempo, não podemos nos submeter a política dos partidos reformistas, seja na formação de um bloco classista e combativo (termos usados apenas como fraseologia por estes setores), muito menos na palavra de ordem “Fora Temer”, que sem uma estratégia coerente é tão vazia quanto “diretas já”. Ambas as políticas levaram o povo a derrotas, perda de direitos e o aumento considerável da precarização da vida.

Nesse sentido, nós do FOB chamamos a construção da greve geral pela base agregando diferentes categorias, movimentos sociais e estudantes para organizar a luta e a resistência contra as reformas de austeridade. Essa greve não pode ser uma greve de 24 horas numa sexta-feira com um trajeto aleatório, que caminha de uma praça para outra. Devemos caminhar para uma greve geral por tempo indeterminado, combinado com ações de ocupa para uma verdadeira paralisação dos centros de poder e produção, fechando as vias centrais do centro da cidade, parando a produção de petróleo e os bancos, além dos serviços públicos. Tomar o controle da produção efetivamente. Essa greve somente será construída por uma Plenária Autônoma de Delegadas e Delegados de Base, e não por centrais e mesmo reuniões de dirigentes, por mais sinceros que estes possam ser.

 

A greve geral do 28-A e suas lições

A greve geral do 28

A greve geral do 28-A e suas lições:

É preciso avançar na organização autônoma para derrotar as reformas neoliberais e o terrorismo de Estado

O dia 28 de Abril, dia da Greve Geral, foi um dia histórico para a classe trabalhadora brasileira. Esse dia explicitou, em termos nacionais, que a classe trabalhadora começa a se libertar das amarras da burocracia sindical e confrontar de forma efetiva o Estado. Começa a se libertar também da letargia. Essa reação, feita pela ação direta, sob a forma de piquetes e barricadas, foi fundamental.

A ação direta, realizada pelas categorias, foi determinante para colocar a luta de classes em novo patamar. A greve geral provocou um prejuízo de cinco bilhões em todo o Brasil, segundo as associações empresariais. Isso mostra que a greve tem um grande poder de pressão. O poder de afetar o capital. Mas é preciso aprender as lições claramente. Porém essa ação é insuficiente. Por isso é preciso compreender como essa luta se dá e como é preciso trava-la. Pois apesar de existir uma tendência, ela não é inevitável. Cabe às minorias ativas elevarem o patamar organizativo

1 – Terrorismo de Estado no Rio de Janeiro: laboratório da política nacional

O Rio de Janeiro está sendo um laboratório da política de reformas e ataques da burguesia comandados pela quadrilha do PMDB. No dia 28 de Abril não foi diferente. O terrorismo de Estado é o método escolhido para lidar com movimentos de massa. A questão social é, de agora em diante, e mais uma vez, caso de polícia.

O dia 28 de Abril foi marcado por três tipos de ato: 1) os piquetes e bloqueios de rodovia e sistema de transporte, realizados por diferentes categorias; 2) a Marcha combativa, com concentração na Alerj; 3) o “Ato Show”, agendado para Cinelândia pelas centrais sindicais.

  Esses três tipos de ato foram resultado da luta de classes dentro do movimento sindical e popular, de que falaremos abaixo. Mas a ação do Estado, sua lógica de repressão, indica um ponto fundamental da conjuntura.

Vivemos sob um regime de terrorismo de Estado. Esse terrorismo de Estado manifesto, construído com apoio do PT e do reformismo nos últimos anos, sempre foi visível nas favelas e periferias urbanas e no campo. Mas agora ele alcançou parcela da classe trabalhadora “protegida”.

 Ficou claro, para todos os ingênuos e indecisos, a polícia atacou uma multidão na Alerj, por volta das 16h, com uma guerra química indiscriminada. Foi um ataque covarde. A manifestação foi atacada pelas costas, quando se dirigia para a candelária. Caiu o mito, de uma vez por todas, de que a polícia “reage” a uma violência de minorias. Ou que qualquer ato isolado explique a violência policial.

Milhares de pessoas foram encurraladas com as armas químicas. Pessoas caiam sufocadas, foram pisoteadas, atingidas na cabeça por bombadas lançadas fumegantes. Só não foi pior porque uma rápida resistência se organizou. A manifestação seguiu combativa. Não foi completamente desarticulada. Ao contrário, a marcha seguiu com a fúria e o senso de unidade que somente a injustiça e opressão é capaz de produzir tão rapidamente. A perseguição e covardia policial não parou. Os manifestantes foram resistindo e se reagrupando. Blindados e motocicletas da polícia disparavam bombas e balas de borracha. Essa resistência, que se prolongou por todo o trajeto, impediu que a polícia chegasse à Cinelândia ainda mais rápido.

Outro episódio: o “Ato Show”, que tinha um palanque armado na Cinelândia, foi atacada covardemente. Milhares de pessoas, despreparadas, devemos dizer, apáticas, assistiam de longe uma repressão brutal como se não tivesse nada a ver com elas. É preciso uma autocrítica profunda de quem, ouvindo o barulho de bombas e vendo uma repressão generalizada, alimenta a ilusão de que não será atingido por ela. Obviamente, a polícia dispersou com violência. Os apelos realizados pelos deputados e burocratas apenas se tornaram patéticos, mostrando que a violência da polícia é uma política de Estado.

O terrorismo de Estado se espalhou pelas ruas. A polícia atirou contra bares e restaurantes, pessoas foram atingidas por bombas em lugares fechados e mesmo ruas estreitas tornaram-se câmara de gás.

A primeira lição é: o terrorismo de Estado seletivo, que vigorava no campo, nas favelas e periferias está se tornando generalizado. Se antes era possível para uma parcela da classe trabalhadora fechar os olhos para ele por não ser diretamente atingido, esse período chegou ao fim.

 As ilusões da democracia liberal foram enterradas no dia 28 de abril de 2017. Quem se apegar a tais ilusões será sepultado politicamente com elas. E permanecer na retórica de que a resistência popular é vandalismo é, efetivamente, adotar um comportamento covarde e criminoso. Vivemos um Estado de Exceção pleno. Somente uma organização séria e profunda será capaz de dar respostas a conjuntura.

2 – “Marcha combativa vs Ato Show”: a luta de classes dentro do movimento sindical e popular
A greve explicitou duas frentes de luta que já existem há tempos: 1) a luta contra a burguesia, o PMDB, e as reformas; 2) a luta contra a burocracia sindical, o reformismo e sua estratégia suicida. 

Para compreender o dia 28 de abril é preciso compreender que a greve geral não foi o resultado de uma ação das centrais sindicais. Ela foi o produto de uma contradição criada em junho de 2013: entre bases (que precisam, por necessidades econômicas defensivas, realizar ações de resistência) versus direções sindicais e burocracias (que negociam com o Estado e as classes dominantes em nome de seus próprios interesses). Essa contradição se manifesta de diferentes formas, inclusive a luta interna dentro das categorias.

A greve geral foi evitada por todos os meios pelas centrais sindicais. Ela deveria ter sido chamada há muito tempo, mas certamente desde o final do ano passado já havia condições objetivas para tal. Em março, depois do 15M, o lógico seria chamar uma greve geral para o dia 28 de março. Mas ocorreu uma total desmobilização da parte da centrais.

A estratégia das centrais sindicais era fazer uma “greve” moderada, mais um blefe. A greve geral, entretanto, foi se impondo a partir de várias categorias e o dia 28 de abril foi convocado e construído pela base. De fato, só é possível uma greve geral efetiva pela base.

No Rio de Janeiro, a política de desmobilização das centrais foi a de convocar um “Ato Show”. O Ato Show, criado pela Força Sindical, símbolo maior do sindicalismo de resultados, é uma festa e um palanque, criado para não produzir nenhum enfrentamento. Essa foi a única ação deliberada pela Plenária das Centrais Sindicais.

Mas aqui foi fundamental o surgimento de dois tipos de oposição: de sindicatos e categorias das bases das centrais, que apontaram para a realização de piquetes e bloqueios do sistema de transporte (e de outras correntes de esquerda); o papel do sindicalismo revolucionário como oposição dentro das categorias.

Foi o FOB que, denunciando há anos o papel da burocracia sindical, denunciou a política de um Ato Show, e levou para diversas categorias a proposta de realizar uma Marcha Candelária-Alerj, exatamente porque entendemos que os atos devem ser marchas combativas contra os centros de poder. Essa proposta, refletindo o estado de espírito das categorias, rapidamente ganhou adesão e arrastou diversas forças políticas.

O Ato na Alerj explicita a necessária dualidade organizacional e de poder sindical: de agora em diante, é preciso que os setores combativos se agrupem em ações autônomas ao controle das centrais sindicais. O ato da Alerj foi uma construção da classe trabalhadora combativa do Rio de Janeiro. A sua proposta surgiu da oposição sindicalista revolucionária, que interpretou corretamente o estado de espírito da massa e formulou uma correta estratégia de ação.

Mas tanto nacionalmente, como localmente, a greve geral foi vitoriosa apenas em uma das frentes: a luta contra a burocracia sindical. As oposições das bases contra as direções, e a vitória pontual e realização de uma grande marcha, no RJ, não são suficientes para ter condições de derrotar a ofensiva burguesa. Isso exige que os trabalhadores estejam mais organizados, mais preparados, mais conscientes dos problemas, mais capazes de tomar decisões.

 
3 – Amanhã vai ser maior… mas somente com estratégia organizacional autônoma e classista

A greve do dia 28 de abril esboçou uma dualidade de poder dentro do movimento sindical. O poder das bases em luta contra o poder da burocracia sindical, primeira linha de defesa do Estado. Mas é preciso que uma parcela crescente dos trabalhadores e trabalhadoras tenham consciência dessa luta, e aprofunde a sua auto-organização.

Somente com um grande poder organizacional seremos capazes de te chance de derrotar as reformas. Mas só teremos esse poder organizacional lutando contra a burocracia sindical, o espontaneísmo e individualismo. A desorganização não é só culpa da burocracia sindical. É fruto do imobilismo e individualismo.

 Por isso é preciso hoje combater nas duas frentes: lutar contra a burocracia sindical e reformista das centrais; derrubar o Governo Temer e quadrilha do PMDB. Temos por isso, no Rio de Janeiro, algumas tarefas práticas.

Primeira tarefa: organizar uma Plenária sindical, estudantil e popular autônoma: essa plenária deve ser composta por todas as categorias de trabalhadores, estudantes e movimento popular que aceitem a necessidade de lutar por meio da ação direta e da greve geral. Deve ser composta por delegados de base das categorias. Essa plenária deve articular diversos sindicatos, ser autônoma do Estado e da burocracia sindical e coordenar as ações de construção da greve geral e da resistência.

A autodefesa de massas deve ser ampliada e generalizada. Cada sindicato, cada universidade, cada movimento popular, deve organizar sua brigada de autodefesa. Devemos ter, em grandes marchas, milhares de militantes nessas brigadas. Essas brigadas de autodefesa devem estar equipadas e preparadas para deter a violência policial e apoiar o movimento de massas na sua ação ofensiva. Também devem ser organizadas equipes de primeiros socorros e de apoio logístico.

Segunda tarefa: denunciar e boicotar o Governo Temer. É preciso denunciar o Estado de Exceção e o terrorismo de Estado, e a cumplicidade de todos os partidos políticos com o mesmo. Devemos organizar dossiês e encaminhar para organizações de trabalhadores em todo mundo, conclamando ações de solidariedade contra a diplomacia brasileira, as empresas brasileiras e a burguesia brasileira. Conclamar o boicote aos produtos das empresas brasileiras e também difundir as denúncias e exigir sanções ao governo brasileiro.

Precisamos intensificar a mobilização. A greve geral de 28 de abril foi uma greve geral de advertência e organização, ou seja, defensiva. É preciso realizar outras greves defensivas e de organização nos meses de maio para culminar com uma grande greve geral ofensiva por tempo indeterminado em junho. Uma grande greve geral com marcha nacional a Brasília na semana do dia 17 de Junho.

 Por isso conclamamos todos os setores combativos a adotar essa plataforma de luta. Somente aprofundando a organização autônoma seremos capazes de resistir.

Greve Geral contra a Terceirização e as Reformas da Previdência e Trabalhista!
Organizar uma Plenária Sindical, Estudantil e Popular Autônoma!!!

CONSTRUIR O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!!
PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA!!

[FOB-RJ] O Poder e a Mentira: Nota sobre o 15M no Rio de Janeiro

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O ato contra a reforma da previdência, do dia 15 de março de 2017, foi marcado por uma grande adesão de massas. Dezenas de milhares de pessoas nas ruas. Entretanto, o ato, ao chegar na Central do Brasil, foi cenário de uma dupla ação repressiva: a ação comandada pela CUT e pelas centrais; a ação da Guarda Municipal e da Tropa de Choque da PM. Em nota oficial a CUT RJ declarou:

“Ao final do ato unificado das centrais sindicais que reuniu 100 mil pessoas na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, um grupo de pessoas atacou uma bandeira da CUT e tentou atear fogo ao mesmo tempo que outro grupo jogava bombas e fogos para dentro da sede da guarda municipal em frente a Central do Brasil. Esta ação, que muito nos lembra o avanço fascista sobre a unidade popular que existia no começo de junho de 2013, foi o estopim de uma confusão.”

Temos aqui três grandes mentiras. A primeira delas, a de que um grupo de pessoas tentou atear fogo em uma bandeira da CUT; a segunda, a de que os manifestantes teriam “arremessado” bombas contra a guarda municipal; a terceira, de que existiria um ataque “fascista” durante a manifestação.

A CUT, de tanto tempo junto ao poder de Estado, só consegue reproduzir os modos de ação do estadista: a mentira e manipulação. Assim como as polícias vivem forjando autos de resistência, nos quais sempre o negro, pobre e favelado “atira primeiro”, a CUT está agora forjando “autos de resistência” para as oposições sindicais, estudantis e populares; foram os “vândalos e Black Blocs” (equivalente ao negro-favelado, criado como inimigo número um pelas polícias) que teriam iniciado a ação que justifica a repressão policial. É a mulher, vítima de estupro, que provoca o agressor. São todas narrativas equivalentes. O autoritarismo da CUT criou um equivalente ideológico do racismo e do machismo: nos dois discursos a polícia age em defesa da sociedade para combater monstros que perturbam a ordem. Nos dois quem mais é vitimado aparece como o causador da sua própria agressão.

Essa narrativa, que criminaliza a juventude pobre e os trabalhadores rebeldes, se ampara na mentira. Apesar de a própria ideia de que a polícia “reage passionalmente” ser, em si mesma, absurda (ela recebe ordens, ela só dispersa um ato com ordem para tal, e não porque recebeu alguma “provocação”, e o aparato repressivo municiado só indica que a ordem preexistia a qualquer ataque), os fatos relatados são mentirosos.

Todos que estavam no momento do início da repressão, inclusive os primeiros relatos da imprensa oficial, afirmam que o ato era pacífico até a guarda municipal iniciar uma operação de liberação das vias. E imediatamente após o início da repressão, ainda realizada apenas com bombas lançadas pela GM de dentro da Central do Brasil, os primeiros a chegarem para tentar dispersar um segmento específico do ato, composto por milhares de pessoas que ocupavam a terceira pista da Presidente Vargas e que entoavam as palavras de ordem de greve geral, foram os seguranças contratados pelas centrais. Vejam, as imagens são claras, há um grande intervalo de tempo entre o momento em que explodem as primeiras bombas e a chegada da tropa, intervalo em que é possível ver dezenas de seguranças com bandeiras da CUT e Força Sindical tentando liberar a pista, expulsando manifestantes. Esses são os únicos fatos para os quais

existem registros e provas inumeráveis. Vários registros do momento de início da repressão mostram isso (ver vídeo do G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/manifestantes-fazem-protesto-no-centro-do-rio.ghtml ). Também há provas de militantes da CUT atacando os militantes autônomos feitas e divulgadas por vários coletivos de mídia independente. Além disso as provocações cutistas começaram antes do incidente na central do Brasil; o vazamento na internet de grupos incitando o ódio e violência contra os Black Bloc, e provocações durante a marcha comprovam isso.

A mentira é uma arma de Estado. A própria política do PMDB para justificar a reforma da previdência é amparada em mentiras. E para a CUT reivindicar um poder de polícia que ela não tem (pois mesmo que pessoas cometam quaisquer atos que as centrais considerem ilegais, elas estão em via pública e somente o poder de Estado tem amparo legal para reprimi-la) ela precisa mentir, criminalizar, criar o pânico no “bom manifestante” que, assim como a classe média assustada, irá dar graças a deus quando é preso um favelado ou um “Black Bloc”.

A mentira e o medo criam um clima irracional de polarização e aceitação acrítica dos poderes instituídos. O método da CUT para se manter no poder das direções sindicais é o mesmo da podre oligarquia para se manter no poder de Estado: a mentira, a violência e o medo.

Desse modo, a Nota da CUT apenas explicita como a degeneração da central no sindicalismo de Estado leva a mesma a reproduzir a prática das mentiras, típica da mídia golpista, e a prática de abuso de poder, típicas das polícias. Usando dos mesmos métodos de criminalização da polícia racista, que julga, condena e pune, sem prova, julgamento e contraditório, essa central – assim como as demais – apenas se mostram como instrumentos do sistema que dizem combater, mas ao qual servem tão bem, de corpo e alma.

Mesmo que acontecessem as fábulas inventadas pela CUT, ninguém tem autoridade e legitimidade para julgar e punir, sem contraditório, sem debate, na rua. Esta é lógica dos grupos de extermínio, dos Bolsonaros e companhia. O método da classe deve garantir o amplo debate, direito de defesa, democracia, tudo que o autoritarismo petista-cutista não conhece.                                               

Nós, representantes do sindicalismo revolucionário, que estamos nas barricadas, somos estudantes, trabalhadores, professores, operários, desempregados, camelôs, trabalhadores informais. Somos Rafael Braga. Somos os 23 da Copa. Somos Cláudia e Amarildo. Somos Junho de 2013. Somos Oziel Terena, os Guarani Kaiwá. Somos o povo. E o capuz é apenas o rosto de um povo que luta. A máscara é um ato de rebeldia; nos rebelamos contra a liderança carismática e personalista; nos rebelamos também contra a ditadura mascarada que quer identificar e punir. Nos atacar é atacar o povo. E o povo irá reagir, derrubando as mentiras e os poderes instituídos. Mais cedo ou mais tarde.

Por isso repudiamos a violência policial do Estado e para-policial da CUT. Repudiamos a agressão brutal contra professora Mônica, contra os estudantes no IFCS, contra os trabalhadores agredidos no amarelinho da Cinelândia (estes não mereceram, como a suposta bandeira da CUT, nenhuma solidariedade do petismo-cutismo). Repudiamos também a nota mentirosa. Conclamamos também os trabalhadores a repudiarem esta posição e prática das centrais, divulgando por todos os meios esta nota de repúdio e denúncia. Quem estava lá viu o que aconteceu. Quem reproduzir a nota e a versão da CUT reproduz a mentira e apoia o poder reacionário, pois só a verdade érevolucionária.

OUSAR LUTAR OUSAR VENCER!
IR AO COMBATE SEM TEMER!