[EUA] CONVOCATÓRIA DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL COM A GREVE PRISIONAL DE 2018

Por Revolutionary Abolitionist Movement

Tradução de Domingos Passos – Anarquismo Anticolonial – https://www.facebook.com/anticolonial/

Greve prisao

A partir de 21 de agosto, pessoas encarceradas nas prisões de todo os Estados Unidos decidiram entrar em greve para chamar atenção não apenas para os graves abusos e condições subumanas das cadeias, mas também sobre a escravidão em que permanecem milhões pessoas em prisões americanas. Mesmo após o fim da Guerra Civil nos EUA, a escravidão se manteve institucionalizada na sociedade americana por meio da 13ª Emenda à Constituição, que permite manter a escravidão através da condenação por um crime. Nos EUA, o povo negro é criminalizado por uma polícia que muitas vezes atira impunemente e por juízes que impõem sentenças draconianas, para garantir a continuidade da escravidão nas fazendas modernas. Continuar lendo

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Racistas, não passarão!

RECC-RJ

Foram divulgadas denúncias de racismo cometidas durante jogos universitários no Rio de Janeiro, provenientes de estudantes da PUC, universidade localizada em um bairro de elite e dirigida majoritariamente a estudantes que podem pagar suas altas mensalidades. Aos adjetivos de “macaca” e “bichinha”, ditos durante jogos e nas arquibancadas, foram divulgados em seguida um conjunto de refrões e letras produzidos por estudantes de direito da Puc, com um conteúdo que reflete como o racismo mais asqueroso é impregnado e propagado por pessoas provenientes da elite, desmistificando a fachada de democracia festiva que impera na cidade e em seus eventos.

As letras expõem cruamente o racismo e o machismo mais torpes e violentos como estratégias de rebaixamento social de uma elite conservadora, e também amedrontada. O medo de uma classe ameaçada em seus privilégios e posições contribui para o acirramento dos conflitos e do ódio de classes; para que essa classe ameaçada lance mão, cada vez mais ferozmente, das mais nojentas divisões alavancadas pelo capitalismo. Isso é provocado não apenas pelo gradual agrupamento de grupos raciais e econômicos distintos nas mesmas instituições que o sistema de cotas universitárias proporciona, mas também pela multiplicação de levantes e manifestações ocorridas nos últimos anos pelo povo pobre e negro que tem sua vida constantemente ameaçada e ceifada pelas mãos do Estado, suas forças militares e paramilitares. Quando o povo pobre e negro se levanta, a casa grande treme!

Esse episódio evidencia o que nós, da Federação de Organizações Sindicalistas Revolucionárias, defendemos sobre a composição e o avanço da luta de classes no Brasil. As medidas paliativas e que se propõem a atenuar a discriminação em suas muitas faces no país, em termos de políticas públicas sobretudo no campo educacional, apesar de explicitar as contradições sociais do país, nunca serão capazes de sepultar o racismo e o machismo em uma sociedade de classes. Somente a organização combativa da classe trabalhadora poderá construir uma sociedade sem exploração e sem preconceitos genocidas! Não podemos esquecer que são esses mesmos estudantes de direito da PUC que irão continuar condenando Rafaéis Bragas a milhares, enchendo cadeias e mais cadeias como seus navios negreiros particulares!

AVANTE A LUTA COMBATIVA E O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!

[RECC-MS] CLODIODI VIVE: 2 Anos de Resistência de Kunumi Poty Vera

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Foto retirada do Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas

      No dia 14 de junho do ano de 2016, os Guarani e Kaiowá avançam na retomada das terras ancestrais de Toro Paso, recuperando parte de seu Tekoha Guasu (Grande Território) das mãos dos latifundiários da região de Caarapó e posicionando-se contra o avanço do agronegócio no Mato Grosso do Sul. Com violenta resposta contra a luta do povo, grupos de ruralistas e paramilitares juntamente com a Polícia Militar e a DOF (Departamento de Operações de Fronteira) atacaram o acampamento de retomada com centenas de camionetes, jagunços, pistoleiros uniformizados das milícias privadas que servem aos latifundiários, máquinas agrícolas, armas de fogo, balas de borracha e foguetes, resultando em mais de 20 guerreiros Guarani e Kaiowá baleados e no assassinato do agente de saúde Guarani e Kaiowá Clodiodi Aquileu de Souza.

2 anos

     Esta ocasião tornou-se referência nos levantes recentes desses homens e mulheres que combatem e resistem contra a expansão do agronegócio-latifúndio e remontam ao amplo processo histórico de colonização, espoliação, genocídio e etnocídio, ampliação das fronteiras de avanço do capital, exploração da mão-de-obra indígena e da consolidação do latifúndio no Brasil. Somente entre os anos de 2003 a 2016, segundo dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), o número absoluto de assassinatos de indígenas no Mato Grosso do Sul soma 444 pessoas mortas, enquanto no restante do Brasil foram 565, ou seja, quase metade do total dos assassinatos de indígenas de todo país em decorrência da luta pela terra. Após o violento assassinato do companheiro Clodiodi, a chama de resistência manteve-se acesa e os Guarani e Kaiowá seguem avante com a luta combativa insurgindo nestas terras tão devastadas.

     As retomadas não cessam! E hoje, uma delas carrega seu sangue e seu nome em Guarani: Kunumi Poty Vera. Logo após o massacre cometido pelas mãos do Estado e suas bancadas anti-indígenas, os Guarani e Kaiowa dispostos a resistir até a morte avançam em mais duas outras retomadas, como resposta ao ataque e fazendo jus à corajosa luta obstinada dos povos indígenas. Tais territórios recuperados também fazem parte do mesmo Tekoha Guasu, que no estudo antropológico ficou consagrado como Dourados Amambaipeguá I. Entre eles, Guapo’y e Jeroky Guasu, que receberam ordem de despejo no final de outubro de 2017. Através da organização de ampla resistência contra o despejo de Guapo’y e Jeroky Guasu, os Guarani e Kaiowá mobilizaram grande e histórica vitória, garantindo a suspensão de segurança para impedir a reintegração de posse, e demonstrando que apenas a luta, construída pela organização de base, pela ação direta, pelo corajoso enfrentamento contra o Estado e o latifúndio, pode barrar as ofensivas terroristas dos de cima, para além do oportunismo dos partidos que tentaram sequestrar o protagonismo da batalha que se anunciou na ocasião, e foi barrada de última hora, no raiar do dia que marcava a data final para a ação as forças armadas do Estado, já posicionadas em frente a aldeia para um “segundo massacre de Caarapó”, nas palavras dos guerreiros preparados para guerra. Além destas, a aldeia Pindo Roky que também é parte da mesma Terra Indígena Dourados Amambaipeguá I, recebeu notificação de despejo no início de 2018. Sendo este o lugar em que foi assassinado no ano de 2013 o guerreiro Denilson Barbosa de 15 anos. Ainda este mês, no dia 15 de maio, a retomada Te’yi Jusu também recebeu notificação de despejo.

     Frente a tal contexto, e considerando que novas batalhas se anunciam, o Comitê de Propaganda da RECC/FOB de Dourados adere ao chamado do Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas para construção de ato nacional no próximo dia 14 de Junho, conclamando às organizações populares e revolucionárias, aos movimentos sociais, e a todos os lutadores e lutadoras do povo a se levantarem em memória de Clodiodi de Souza, e em favor da luta revolucionária dos Guarani e Kaiowá, em ação e solidariedade às lutas contra os ataques dos assassinos do Estado e latifúndio, que não hesitam em derramar sangue para atender ao projeto de expansão das fronteiras do capital contra os territórios rebeldes dos povos indígenas.

GUERREIRO CLODIODI: PRESENTE NA LUTA!

TERRA, JUSTIÇA E LIBERDADE: FORA RURALISTAS DO CAMPO E DA CIDADE!

AVANÇAR AS RETOMADAS, DESTRUIR O LATIFÚNDIO!

Link de vídeos produzidos pelo Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas denunciando o despejo das retomadas Guapo’y e Jeroky Guasu:

https://www.youtube.com/watch?v=p8ukszLYxaI

Vaquinha de apoio à Assembleia da Retomada Aty Jovem (RAJ), espaço de organização e articulação da juventude Guarani e Kaiowá, que irá ocorrer entre os dias 10 a 14 de setembro de 2018:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/assembleia-da-retomada-aty-jovem-guarani-e-kaiowa

ABAIXO A FALSA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DO PEDAGOGO: PREPARAR A GREVE GERAL E REBELIÃO DOCENTE-ESTUDANTIL!

Comunicado Nacional do Coletivo Pedagogia em Luta (CPL – filiado à RECC e ao FOB)
Abril de 2018 | www.lutafob.wordpress.com| Facebook: /coletivopedagogiaemluta

COMUNICADO EM PDF

O PL n° 6847/2017 tem como objetivo regular a atuação dos pedagogos definindo seu campo de trabalho e a fiscalização de qualidade a partir da criação de conselhos locais. Segundo o PL, o Pedagogo atuará na gestão educacional, planejamento e avaliação de projetos educacionais, desenvolvimento de tecnologias educacionais entre outras possibilidades delimitadas na regulamentação. Compreende-se aqui que, ao tratar da regulamentação da profissão do pedagogo, falamos não só de seu campo de atuação, mas também da construção de sua identidade, formação e profissionalização.

33987290_1686859101429235_3727969288657567744_nCom o avanço do neoliberalismo e a gestão toyostista da produção, temos as seguintes características para a relação capita x trabalho: Expansão do trabalho assalariado, além da intensificação da subproletarização do trabalho, modelo de acumulação flexível, o que aprofunda a precarização das relações do trabalho.

Em um contexto de ajuste fiscal é notável alguns mecanismos para delimitar, fiscalizar e punir os setores organizados e/ou progressistas da sociedade, nesse caso, os pedagogos. Portanto, os Conselhos Regionais, previstos no Art. 4° do PL nº 6.847/2017, servirão para delimitar nossa área de atuação, pois tem como função “disporem sobre as demais atribuições, direitos, deveres, impedimentos, bem como sobre a jornada e o piso salarial do profissional de Pedagogia.”

Isso implica na retirada da autonomia docente e descaracterização do trabalho do pedagogo, dessa forma, retirando a docência de uma de suas atividades, colocando a profissão em um utilitarismo técnico, esvaziando politicamente a atividade e contribuindo para o ajuste fiscal.
O que está por trás da regulamentação da profissão do pedagogo?

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Além do que já foi exposto, vale salientar que o motivo da criação de Conselho para regulamentar uma profissão está associado a riscos que a mesma pode oferecer a sociedade. Sendo assim, qual o risco que pedagogos(as) oferecem ou podem oferecer a sociedade? Nós, pedagogos(as), causamos algum dano às crianças, jovens e adultos?

Não provocamos danos a nenhum sujeito de nossa classe! Pelo contrário, o que causamos são várias greves por tempo indeterminado por lutarmos por nossos direitos, e sim, greves e luta sem conciliação incomodam os governos, os tubarões/empresários do ensino, os que não se interessam por uma educação a serviço do povo.

Nesse sentido, o que está carregado neste PL é a descaracterização do trabalho do pedagogo, retirada da autonomia bem como da docência, e em ultima instância, fiscalização e punição para àqueles (as) que ousam se organizarem e lutarem contra a proletarização do trabalho e precarização da educação.

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O que o MEPe/ExNEPe deve fazer?
Desse modo, nós do CPL/RECC entendemos as seguintes tarefas a curto e médio prazo a serem feitas e/ou intensificadas:

  1. i) Intensificar passagens em salas, debates, assembleia de curso acerca da falsa regulamentação da profissão do pedagogo.
    ii) Realizar atos públicos/manifestações em conjunto com pedagogos(as) exigindo posicionamento contrário da Secretaria Municipal de Educação (SME) referente à regulamentação.
    iii) Auto-organizar e fortalecer a base estudantil de Pedagogia para a construção da greve geral estudantil afim de barrar a regulamentação da profissão do pedagogo.

PARA BARRAR A REGULAMENTAÇÃO, GREVE GERAL, GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!

É BARRICADA, GREVE GERAL, AÇÃO DIRETA QUE DERRUBA O CAPITAL!

 

[ORC-RJ] Por uma Greve Combativa Contra os Ajustes do MDB de Temer e Pezão

               Desde 2012 os movimentos grevistas vêm crescendo no Brasil, conforme aponta o balanço das greves de 2016 do Dieese.[1] Não por acaso, nesse mesmo período constatamos o aprofundamento da política neoliberal em todas as esferas administrativas do Estado, atacando severamente os direitos e as condições de trabalho e sobrevivência dos trabalhadores. Segundo o levantamento do Dieese foram registradas 2.093 greves em 2016, das quais “cerca de 81% das greves incluíam itens de caráter defensivo na pauta de reivindicações e nesse intervalo de intensa atividade paredista, itens relativos à defesa de direitos passaram a compor grande parte da pauta reivindicatória dos trabalhadores”. As nossas greves da rede estadual em 2011, 2013, 2014 e 2016 são exemplos desse fenômeno. Todas elas tiveram na pauta central o combate ao Plano de Metas, às perdas salariais e à resistência às retiradas dos nossos direitos por um governo que aplica severamente o a política neoliberal, que só beneficia as grandes empresas capitalistas e seus representantes políticos. Várias outras greves em todo o país se inscrevem nesse contexto e muitas delas tiveram em comum outro fato: a crise entre base e direção das entidades sindicais.

          A greve dos caminhoneiros, iniciada há mais de  uma semana, mais do que evidenciar a fragilidade do sistema brasileiro de transportes e os prejuízos da política privatista e entreguista da Petrobrás, traz à tona os mesmos elementos das lutas recentes: a resistência aos efeitos nefastos do aprofundamento da política neoliberal e; a ruptura entre a base mobilizada e as direções pelegas. Não se trata portanto de um fenômeno isolado, mas de mais uma resposta às medidas de austeridade contra o povo trabalhador. O diferencial está no fato de que a greve dos caminhoneiros iniciou atrelada aos interesses dos patrões, por isso a caracterização do locaute. A burguesia mais uma vez apostou na conciliação de classes, talvez na ilusão de que funcionasse como muito bem funcionou durante anos sob as batutas do PT/CUT e PC do B/CTB. Porém a patronal e as organizações pelegas perderam o controle do movimento, que segue desafiando o governo federal.

               Toda essa política de retirada de direitos dos trabalhadores, aumento da superexploração, elevação do custo de vida e o entreguismo ao imperialismo não poderiam, assim como não podem ocorrer tranquilamente, sem a resistência dos trabalhadores. No entanto, essas inúmeras greves precisam ser unificadas para que tenham efetividade, caso contrário, apenas continuaremos protelando a vitória total dos inimigos, que atacam em unidade. O contexto é favorável para realizar a unidade das lutas: o governo está mais enfraquecido, embora irredutível em manter sua política; a produção e circulação do capital estão fortemente comprometidas; há um clima geral de solidariedade com a greve dos caminhoneiros. Além do mais é preciso estar lado-a-lado com as demais categorias para combater a intrusão da direita no movimento dos trabalhadores.

                Sabemos que um movimento de massas é heterogêneo e que os diferentes campos políticos e mesmo os patrões e os governos tentam cooptá-los. Em nossas próprias greves da educação temos vários trabalhadores e trabalhadoras que aderem ao movimento, mas no dia-a-dia reproduzem os discursos e as práticas conservadoras da direita. Também é comum observarmos a cooptação de alguns diretores do sindicato pelo governo. Logo o que acontece na greve dos caminhoneiros não difere muito do que ocorre nas nossas. Talvez a diferença esteja no fato de que rejeitamos e combatemos publicamente esses desvios e eles ainda precisam avançar nesse sentido.

                  Em algum momento explodiria um grande movimento de massas contra os ajustes. Ocorreu de serem os caminhoneiros os novos protagonistas, mas a conjuntura exige que toda a classe trabalhadora entre em cena. Nós, trabalhadores e trabalhadoras da rede estadual de educação seguimos sendo massacrados pelo governo neoliberal do MDB e precisamos seguir o exemplo dos caminhoneiros e partir para a luta usando da ação direta e combatividade. Sabemos que as eleições do nosso sindicato estão próximas, mas elas podem esperar, a luta não pode! A hora é agora. Por isso convocamos todos profissionais da educação a partir para a ação e assumir sua responsabilidade na defesa de seus direitos e do povo. Nesse sentido defendemos que seja realizada uma assembleia extraordinária da rede estadual de educação com a pauta específica de avaliação da conjuntura e de  deflagração da greve. Também defendemos que todas as redes sindicalizadas ao SEPE realizem o mesmo movimento e façamos uma grande greve unificada da educação do Rio de Janeiro. Nosso sindicato sempre foi vanguarda na luta dos trabalhadores e deve honrar sua história colaborando na deflagração de uma GREVE GERAL contra os ajustes do MDB de Temer e Pezão.

 GREVE GERAL CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER!

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

[1](https://www.dieese.org.br/balancodasgreves/2016/estPesq84balancogreves2016.html).

OS CAMINHONEIROS DERAM O PRIMEIRO PASSO, AGORA É GREVE GERAL CONTRA O AJUSTE

    Por FOB-RJ

      A oscilação diária do preço de combustíveis unificou donos de transportadoras e caminhoneiros autônomos, mobilizando uma greve nacional dos caminhoneiros que se desenvolve em proporções inéditas. Após uma semana de greve seus efeitos são sentidos em todo o país, paralisando vários serviços. As empresas do setor de transporte, ao que tudo indica em desvantagem na disputa intraburguesa, tentaram cooptar o movimento e tirar vantagens dele. Porém os caminhoneiros autônomos, além de não reconhecerem os acordos de cúpula com o governo, seguiram se mobilizando com barricadas em crescente unificação, condenando os caminhoneiros que furam a greve e os bloqueios em detrimento da luta e dos esforços coletivos. O movimento ganhou uma dimensão que fugiu do controle das empresas e das entidades pelegas e agora assume um perfil de classe mais definido. Os prejuízos que os capitalistas já somam e os estragos no nefasto governo Temer/MDB são uma realidade que os caminhoneiros construíram através do uso de métodos históricos de luta como a greve, as barricadas, o bloqueio da circulação de mercadorias, os agrupamentos descentralizados e articulados. Mas a vitória dessa categoria depende ainda da sua capacidade de resistência e da solidariedade dos demais trabalhadores.

Seguir o exemplo da luta dos caminhoneiros

    1527180891_038789_1527181387_noticia_normal   A insatisfação geral com os preços dos combustíveis está unificando a classe trabalhadora e indica um apoio relativamente massivo à pauta dos caminhoneiros. Essa unificação, contudo, padece de uma dupla ilusão: a de que os preços dos combustíveis são a base e origem dos problemas e das condições de trabalho dos caminhoneiros; e a de que uma vitória do movimento dos caminhoneiros irá conduzir à redução dos combustíveis e, por conseguinte, a uma queda geral dos preços. A política de preços dos combustíveis na verdade compõe um conjunto de políticas neoliberais e entreguistas, de drástica desregulação econômica por parte do Estado em detrimento das condições de trabalho e de vida, que avançam a passos rápidos no governo Temer. Por isso o apoio à greve dos caminhoneiros deve ganhar as ruas. Só com os protestos populares em todo o país conseguiremos evitar que os caminhoneiros sejam multados e sofram com a repressão das medidas de Temer. É através da mobilização que conseguiremos barrar os ataques aos nossos direitos e o aumento da precarização das condições de vida.

          Nesse movimento os caminhoneiros por si alcançarão no máximo seus objetivos específicos. Os trabalhadores querem e precisam alcançar outras vitórias também. Fazer a Petrobrás e demais empresas públicas funcionarem para o povo, derrubar as reformas trabalhista e da previdência, acabar com a política de entrega do país, conquistar aumento real do salário, entre outras pautas só será possível se partirmos para a ação. Nenhum governo e nenhum patrão são capazes de conter um povo que se levanta. É isso o que os caminhoneiros estão mostrando. Devemos seguir seu exemplo e ir à luta, tendo a clareza de que o poder está somente nas mãos dos trabalhadores.

Toda ilusão em salvadores da pátria deve ser abandonada

          Os trabalhadores se solidarizam com a luta dos caminhoneiros porque sentem e entendem a necessidade de lutar pelas suas condições de vida. Não se trata simplesmente de levantar a bandeira a favor ou contra determinado político ou partido, mas de garantir minimamente a sobrevivência diante de um cenário de perdas. Temos que aprender corretamente a não confiar nas corjas eleitoreiras e sindicalistas pelegas. Mas a rejeição a uma quadrilha de ladrões não pode ter como alternativa o aprisionamento de toda a sociedade: O povo trabalhador precisa rejeitar também a ilusão de entregar o poder na mão dos militares. A solução para os problemas da classe trabalhadora virá somente através dos próprios trabalhadores organizados e unidos solidariamente.

Greve Geral Já!

          A esquerda burocrática e legalista (partidária e sindicalista) se debate perante um movimento de trabalhadores com uma dinâmica descentralizada e um perfil heterogêneo. Apressadamente tentou taxar a greve de locaute, como se fosse exclusivamente um movimento manipulado pelos donos das transportadoras. Ela só aposta em movimentos que conduzirão à estabilidade da democracia burguesa e à liberdade de seu hábil conciliador de classe. Se aderir ao movimento, irá tentar pautá-lo pela “defesa da democracia”, o que tem se mostrado como um escudo ao governo MDB. A direita também tenta pautar o movimento, tanto através do conservadorismo militar intervencionista quanto da pulverização das pautas através das mídias burguesas.

           Não podemos nos deixar levar por estes campos, que só estão interessados em desviar a luta dos trabalhadores para seus próprios interesses. A pauta que deve ser seguida é aquela que combate a política criminosa que tem roubado os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores e produzido a piora das condições de vida. A GREVE GERAL combativa é o meio de avançar nesse sentido. E o momento de fazê-la é agora. Sem aparelhamento das centrais sindicais. Sem apelar para o vago combate à corrupção. Sem temer a repressão. Sem conciliação com governos e patrões. Sem militarização. Todos às ruas parando toda a produção e circulação, pondo de joelhos os ladrões e exploradores do povo.

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!