[RMC – RJ]MANIFESTAÇÃO DE SERVIDORES ESTADUAIS TERMINA EM REPRESSÃO.

Servidores estaduais realizaram um Ato às portas do Palácio Guanabara contra Pezão, os atrasos do pagamento dos salários e as políticas de ajuste fiscal.

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No dia 08 de agosto, as categorias do funcionalismo estadual se reuniram no Largo do Machado, zona sul carioca e marcharam em direção ao Palácio Guanabara em Laranjeiras.

O ato contava com a presença de profissionais da educação, estudantes e servidores da UERJ, funcionários da saúde e pesquisadores bolsistas das instituições de pesquisa do Rio de Janeiro.

Ao chegar às portas do prédio governamental, os manifestantes que reivindicavam a normalização da folha de pagamento, a melhoria das condições de trabalho e contra as medidas de fechamento de turmas e escolas, receberam a informação que não havia nenhum representante do governo para dialogar. Os manifestantes então decidiram iniciar uma vigília.

Cansados de esperar os servidores buscaram romper as grades e entrar no Palácio e foram reprimidos pela Polícia Militar que, em sua rotina sanguinária, começou uma ação desproporcional com bombas e spray de pimenta que pôs fim ao ato.

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) convocou nova assembleia para a categoria no dia 12 de agosto, sábado, as 14 horas na ABI. Um dos pontos de pauta será a discussão sobre o indicativo de greve. A categoria se mobiliza para barrar as resoluções que buscam o fechamento de turmas e escolas.

[RMC-RJ] ATOS MARCAM A SEMANA DO JULGAMENTO DE RAFAEL BRAGA

Dois atos marcaram a semana do julgamento do Habeas Corpus e a continuidade da luta contra a política de encarceramento da juventude pobre e negra. Justiça fluminense mantém a prisão de Rafael.

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Na noite de 31 de julho, 300 pessoas se reuniram na porta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para reivindicar a soltura de Rafael Braga, condenado à pena de 11 anos e vítima da política de encarceramento da juventude pobre e negra.

Diversas foram as falas de vários movimentos sociais denunciando o genocídio que vitima a população pobre e negra no Brasil e que se exemplifica no caso de Rafael Braga, um catador de latinhas pobre e negro.

Rafael é vítima de uma ampla perseguição desde sua primeira prisão em 20 de junho de 2013, quando foi acusado de portar material explosivo durante uma manifestação. Na realidade, Rafael não participava da manifestação e portava um frasco de pinho sol.

Com o Habeas Corpus da primeira acusação, Rafael foi vítima de um flagrante forjado pelos policiais da UPP, Pablo Vinicius Cabral, Victor Hugo Lago, Farley Alves de Figueiredo, Fernando de Souza Pimentel e Luiz Renato Faustino da Silva, sendo conduzido à delegacia sob a acusação de porte de 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína.

Através de um processo obscuro que desconsiderou o depoimento de uma testemunha de defesa, Rafael foi condenado à 11 anos e 3 meses de prisão. Desde então, a campanha pela Liberdade por Rafael Braga tem realizado constantes atividades de mobilização política e tentativas judiciais de libertar Rafael.

O Ministério Público, através da figura de Júlio Roberto Costa da Silva, declarou parecer favorável a continuidade da prisão se baseando que é “incabível o argumento de que a prisão é demasiadamente rigorosa”.

Na tarde do dia 01 de agosto, os Juízes Katya Monetary e Antônio Boente votaram contra o Habeas Corpus, entretanto, a sessão foi suspensa pelo presidente da sessão Luiz Zveiter para vista dos autos do processo.

Com a interrupção do julgamento, novo ato foi convocado para as portas do Ministério Público no dia 07 de agosto. Novamente cerca de 500 pessoas marcharam pelas ruas do Rio, em direção à Lapa. Na Avenida Rio Branco, componentes da campanha discursaram para os trabalhadores que voltavam para a casa. Ao passar pelo quartel da polícia militar do Rio de Janeiro, as palavras de ordem “Policia Racista” e “Eu quero o fim da Polícia Militar” foram gritadas.

No dia 8 de agosto, a Justiça, em todo seu caráter racista, manteve a pena de Rafael Braga e desconsiderou o pedido de Habeas Corpus com um placar de 2 votos contra e 1 a favor. Um dia triste que demonstra as reais intenções do Estado Brasileiro que vitima pobres e negros diariamente.

Segundo o advogado de Rafael, Lucas Saad, o próximo passo é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, STJ. Aos apoiadores de Rafael, resta manter a mobilização e divulgar a causa de Rafael Braga, que hoje é o maior exemplo da política de encarceramento do Estado Brasileiro.

Para acesso à integra do pedido de Habeas Corpus de Rafael: http://cdn01.justificando.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2017/07/31134726/HC-Rafael-Braga.pdf

 

[RECC-DF] Autoritarismo, exploração e higienização social na UnB com a “REItora de esquerda”

por Oposição CCI – Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB (filiada à RECC/FOB)

No 2º semestre letivo de 2016 a UnB passava por eleições para reitoria. Concomitante a isso havia o processo de construção e organização do Congresso de Estudantes dessa mesma universidade, em uma conjuntura política tensa e de extrema necessidade de mobilização nas bases dos cursos. Contudo, quase totalidade dos grupos políticos presentes ditos “de esquerda”, dirigidos, sobretudo por partidos políticos eleitoreiros, entre esses, PT, PCdoB, PSOL, PSB e mesmo o coletivo UJC, vinculado ao PCB, suavam em forte campanha pela eleição da então candidata a reitora, Márcia Abrahão, ou minimamente usavam adesivos e manifestavam apoio por meio de materiais de propaganda. Parecia piada em alguns momentos a intensidade de esperanças desses coletivos políticos nas supostas mudanças positivas que aconteceriam na UnB a partir da vitória eleitoral de Márcia Abrahão.

Insistência histórica no erro e, na busca de heróis e heroínas para salvar estruturas condenadas a desgraça pela própria forma de funcionamento burocrático institucional, agora as/os estudantes que tanto soaram pela Chapa 94 (Abrahão) a criticam ao mesmo tempo em que ocultam a política repressiva, exploradora e higienista da atual reitora. São dezenas de artes nas paredes da UnB, existentes há anos sendo pintadas de cinza através do aval de Márcia. Junto a isso ainda temos baculejos frequentes de policiais militares no campus Darcy Ribeiro, sobretudo em “estudantes fora do padrão”. Demandas referentes à vida e a permanência de estudantes da assistência estudantil nesse espaço também não mudaram de situação e atingem cada vez mais quem mais precisa. As/os estudantes, filhas/os da classe trabalhadora, não deixam de ter dificuldades para ingressarem e se manterem na assistência, vários abandonam ou trancam os cursos.

A política da REItora “Márcia Abrahão”, mas conhecida atualmente como “Marcia Dória”, devido em maior peso às práticas de higienização das paredes do campus, na verdade, segue a mesma linha liberal, meritocrática/capitalista e de perseguição política do antigo REItor Ivan Camargo. Atuando forte no cumprimento das metas neoliberais no ensino superior. E com esse tipo de prática, mais uma vez os principais setores atingidos são as/os estudantes da assistência estudantil e trabalhadoras/es terceirizadas/os. Dessa vez são centenas delas/es prestes a serem demitidas/os de seus trabalhos com a justificativa de corte de gastos dado o “orçamento apertado” da Universidade de Brasília. As prioridades da REItora são para manter a estrutura desigual dentro e fora da instituição. Por “nada coincidência”, a imensa maioria das/os estudantes em situação de vulnerabilidade econômica, juntamente com as/os terceirizadas/os mais precarizadas/os, são pessoas negras e habitantes de regiões periféricas do DF e entorno.

É necessário combater essas ofensivas da reitoria com combatividade e trabalho de conscientização política nas bases dos cursos. Um ato efetivo e unificado de estudantes e terceirizadas/os faz-se a cada dia mais necessário. Assim como um debate sério acerca da real proposta de terceirizações e necessidade de efetivação pública com qualidade dessas/es trabalhadoras/es que a cada nova empresa no comando postergam suas férias.

TERCEIRIZADA É MINHA AMIGA, MEXEU COM ELA EU VOU PRA BRIGA!

[ORC-DF] SOMOS TOD@S CATITU | Não à perseguição política na Caesb

Oposição de Resistência Classista (ORC) / Trabalhador@s da educação

Nós trabalhadoras e trabalhadores da educação do DF, organizados na Oposição de Resistência Classista (ORC/FOB), viemos declarar toda a nossa solidariedade ao camarada Pedro Catitu, uma liderança sindical que tem cerca de 27 anos de serviço à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal – Caesb, e que vem sendo perseguido desde 2014 pela direção da empresa que busca a sua demissão na justiça, como forma de desmobilizar a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da Caesb e do DF.

A perseguição que começou em 2014 buscou a demissão de cinco dirigentes do Sindágua à época, em função de uma ocupação de mais de 100 trabalhadores que solicitavam o andamento das negociações daquela data-base que se fechou somente em outubro de 2015. Dos cinco dirigentes, quatro foram absolvidos e somente o camarada Catitu teve a sua demissão confirmada em segunda instância por 2 votos a 1.

Esse ataque não é apenas a uma pessoa ou uma instituição corporativa, mas um ataque a toda a classe trabalhadora e como tal deve ser abraçado de corpo e alma por todos os militantes e organizações populares comprometidos com a justiça e a luta pelos direitos do povo. A perseguição política feita pela Caesb às lideranças sindicais é um passo no caminho da privatização da empresa e faz parte do aumento da repressão anti-sindical que os governos e patrões vem utilizando para tentar enfraquecer as lutas em todo o país.

Em meio a crise, tudo que o Estado e os patrões querem é a classe trabalhadora dividida. Querem que fiquemos com medo. Querem que fiquemos arrependidos de lutar. Querem que deixemos de ocupar os órgãos públicos, fazer greves e fechar as ruas. Mas os trabalhadores podem e devem reverter essa situação através de táticas que promovam a solidariedade de classe. Nos momentos de dificuldade é importante ter coragem e decisão para contra-atacar os inimigos do povo. É necessário em cada local de trabalho, em cada greve, construir o Poder Popular contra o poder injusto e podre do Estado, sem nenhuma ilusão na justiça burguesa e nas promessas dos burocratas do estado e da empresa. E principalmente: nesses momentos percebemos que romper o corporativismo sindical não é uma opção, é uma necessidade!

O que a experiência recente das lutas vem nos mostrando (e a perseguição ao Catitu demostra cabalmente, assim como o corte de ponto aos professores do DF) é que devemos unir em todas as categorias a luta econômica (por aumento salarial, data-base, etc.) com a luta política (contra as perseguições e práticas anti-sindicais). Fragmentar a classe, fragmentar suas reivindicações, é a receita da burguesia e dos governos para derrotar a classe trabalhadora. O nosso papel de lutadores do povo é demonstrar na prática a relação entre a luta política e econômica, onde uma depende da outra. E a correta articulação entre elas depende não apenas a vitória dos trabalhadores da Caesb, mas do país inteiro. Por isso devemos unir aquilo que o governo quer dividir! É nosso papel fazer os burocratas do Estado se arrependerem de um dia pensarem em demitir um trabalhador honrado, um camarada que tanto lutou e derramou seu suor pelo saneamento de água do DF e pelos direitos do povo. A situação pode e deve se reverter até o ponto que sejam as ratazanas que hoje roubam a Caesb e o povo que sintam medo da mobilização popular.

Por isso nos somamos a campanha #SomosTodosCatitu e convocamos todos os trabalhadores e trabalhadoras do DF e Brasil a fazer o mesmo! “Quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro”!

NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

SOLIDARIEDADE E AÇÃO DIRETA CONTRA AS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS NA CAESB!

[RECC] Violência, encarceramento e racismo: 4 anos da prisão de Rafael Braga Vieira.

Comunicado Nacional da Rede Estudantil Classista e Combativa, julho de 2017.


“VOCÊ SÓ OLHA DA ESQUERDA PARA A DIREITA, O ESTADO TE ESMAGA DE CIMA PRA BAIXO” Violência, encarceramento e racismo: 4 anos da prisão de Rafael Braga Vieira.

“Que se espalhe a fúria e a ira,
que se levantem as vozes e as piras que iluminam a luta
Que não se calem as turbas quando a dor surgir em pilhas
Que não se acovardem os meninos e as meninas quando surgir a trilha,
Façam ação nas entradas das cadeias, desmanchem celas com seus punhos” (Hamilton Borges Onirê – Ira)

          A realidade Brasileira sempre foi – e segue sendo – a da desigualdade social, reconhecer o enorme abismo imposto entre as classes em nossa nação é o primeiro passo para compreendermos como o Estado estrutura e operacionaliza a contenção da luta pela libertação dos trabalhadores. Como bem sabemos, é papel principal de qualquer militante revolucionário comprometido combater com feracidade tal desigualdade imposta de cima para baixo. Devemos, para além de entender a efetiva e precária situação da classe trabalhadora em nosso país, nos dedicarmos em encontrar as saídas combativas para a estruturação da luta pela libertação do trabalhador, contra seu assassinato e aprisionamento. Porém, junto ao avanço e a radicalização da luta de classes no país, o Estado responde, cada vez mais, à mesma moeda. A violência policial, enquanto ferramenta para o assassinato irrestrito, o encarceramento e a repressão dos trabalhadores, intensifica-se cada vez mais. Exemplo patente disso é o genocídio cotidiano dos moradores de diversas favelas e periferias pelas mãos da polícia e, também, a ofensiva policial nos atos de rua contra manifestantes. A polícia que mais mata no mundo, segundo a própria Anistia Internacional, segue com um perfil sistemático de alvo: pretos e pobres. O documento exposto da PM de Campinas, que orienta a priorização de abordagens em negros, desvela essa realidade a quem quiser ver. A repressão diária sofrida pelo povo negro e pobre se escancara nos períodos onde a contradição da nossa sociedade de classes mais se acirra. O caso de Rafael Braga Vieira é exemplo disso.

   A polícia no Brasil surge, historicamente, como um braço armado, primeiramente dos grandes fazendeiros escravistas e do Estado colonial, e, posteriormente, da burguesia e do Estado burguês. Sua função primária é defender os mais ricos, exploradores da sociedade, e, ao mesmo tempo, reprimir cotidianamente e violentamente os mais pobres. Se, em um passado colonial e Imperial, perseguiam-se os escravizados, indígenas e quilombolas, hoje se reprimem os descendentes diretos desses: negros, indígenas e pobres,favelados e periféricos. Tal repressão, que sempre aconteceu às margens da sociedade, emerge com o acirramento da luta de classes e desce para o asfalto, onde tropas de choque e batalhões de operações especiais de vários cantos do país mostram seu verdadeiro dever: espancar, torturar e perseguir o povo. Assim foi nasJornadas de Junho de 2013, nas lutas contra os Megaeventos de 2014 e 2016 e nas paralisações gerais de 2017, nas quais, novamente, se colocou diante das câmeras o massacre exercido pelos novos capitães do mato.

      A política do Estado brasileiro está mais do que posta a quem quiser vê-la: encarcerar ou matar. Porém, enquanto o Lobby financeiro da segurança pública segue lucrando com suas pesquisas sobre aumento da violência, criminalidade e afins, a marcha fúnebre do trabalhador assassinado prossegue!Isso porque as pesquisas parciais escondemos verdadeiros criminosos: o Estado e o Capital. Documentos oficiais e pesquisas relativamente apresentam, mas pouco alteram, a realidade racista e violenta do cotidiano.Afinal, essa não é uma questão passível de resolução através das saídas de conciliação de classes oferecidas pela Política Institucional e a Burguesia: políticas públicas assistencialistas, filantropia, caridade, etc. Tais violência e a insegurança são resultados da Guerra de Classes e, nessa Guerra bem sabemos que não podemos contar com o estado e seus operadores, é ‘nós por nós’.

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        A violência policial se intensifica após grande incentivo, financiamento e militarização do setor de segurança nos últimos anos. A criação da Força Nacional pelo Governo Lula/PT, a aprovação da Lei Antiterrorismo pelo Governo Dilma/PT e os recentes investimentos gigantescos no setor de Segurança pelo governo Temer/PMDB, bem como a convocatória do Exército para reprimir a manifestação do dia 24 de maio em Brasília, nos mostram que essa não é uma questão de um ou outro governo, mas sim de uma política sistemática de Estado. As inúmeras chacinas ocorridas por todo o país, realizadas por grupos de extermínio e milícias, demonstram a quem realmente servea militarização. A chacina em Manaus em 2015, que causou a morte de 37 pessoas em um fim de semana, as recorrentes chacinas no Pará, como a mais recente de Pau D’Arco – que resultou na morte de 10 camponeses -,a Chacina de Messejana no Ceará, Chacina do Cabula na Bahia, de Osasco em São Paulo, a Chacina de Acari e as cotidianas mortes nas favelas do Rio de Janeiro expressam que nossos mortos não têm lugar nas estatísticas do estado!

       Ainda assim, os partidos da ordem seguem saindo em defesa dessa mesma polícia genocida, bem como as políticas de (in) segurança pública, como exemplo: PSTU, PSOL, PCR, PCB, PC do B e congêneres. Esses grupos apoiam as greves policiais por melhores condições para repressão, controle e extermínio. É possível citar como exemplo o PSOL e seu apoio à implantação de UPP’s nas favelas do RJ. Não bastasse o PT e a direita oficial (PMDB, DEM, PSDB, etc) apoiando a militarização e tornando a questão de segurança pública cada vez mais como uma questão de Estado, as linhas auxiliares deixam a marca da sua covardia e de sua face anti povo.

         Além desse genocídio aberto, execuções sumárias, chacinas e massacres, outra característica dessa guerra contra o povo é o encarceramento. A completa submissão de seres humanos aos interesses e vontades do Estado. E não há garantia constitucional que efetive melhores condições, isso por que as prisões não são uma crise, mas sim um projeto. O Brasil possui hoje a 4º maior população carcerária do país, contando com 646,6 mil presos em 2016 – segundo o Conselho Nacional de Justiça -, onde 56% são jovens entre 18 e 29 anos e desses mais de 60% são negros. E apesar de estarmos em 4º lugar em quantidade de pessoas presas, seguimos sendo o país que mais prende no mundo.

            As prisões são máquinas de moer gente, por isso todas as tentativas de “humaniza-las” são falhas, assim como as tentativas de “humanizar” a polícia. A superlotação das penitenciárias, a falta de condições mínimas de higiene e os abusos sofridos dentro das cadeias são alguns dos problemas que os internos sofrem. Tais problemas não serão sanados com políticas públicas, pois fazem parte da nossa sociedade de classes e da lógica punitivista estatal em relação aos pobres, considerados insubordinados por sua brava resistência cotidiana aos ataques do Estado e do Capital. Reformar o sistema de genocídio do povo não é a solução!

            As tentativas de humanização do sistema prisional são falhas, pois ignoram, ou colocam como apenas mais um elemento, as contradições de classe do nosso sistema. Logo, a via reformista de mudança do sistema prisional é geralmente debatida entre altos cargos do Sistema Judiciário e apoiado pelos setores reformistas da política nacional. Em 2013 a Campanha “Cárcere cidadão” reuniu, em campanha pela humanização das prisões, um ministro do STF e o diretor do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (DEPEN) onde se discutiram formas de reintegração dos presos à sociedade e uma nova organização do sistema penitenciário. Até em privatização do setor se falou, mostrando mais uma vez o projeto político que é o encarceramento da população. As prisões não estão passando por problemas, elas são o problema! São resultado de um projeto estatal que pretende controlar o ódio e revolta gerados pelos desmandos do Capital e do Estado.

            Dentro dessa política de “Segurança Pública”, racista e que criminaliza a pobreza, temos o caso emblemático de Rafael Braga Vieira, que no dia 20 de junho de 2013, em meio às combativas Jornadas que se estenderam por todo o país, foi abordado por policiais, e após revista foi levado preso. Segundo a mesma polícia que mais mata no mundo, seus crimes eram portar duas garrafas de desinfetante Pinho-Sol e um frasco de água sanitária. Rafael ficou cinco meses preso até o julgamento, e mesmo após um laudo detalhado que atestava que os produtos encontrados por Rafael não poderiam ser usados na criação de nenhum tipo de arma (como dito pelos seus algozes), ele foi condenado a cinco anos de prisão, sob a alegação de que Pinho-Sol e água sanitária seriam utilizados para fabricar uma bomba.

            Assim, em 2014, após uma acirrada disputa judicial, Rafael passou para o regime semiaberto, onde começou a trabalhar como auxiliar de serviços gerais. Porém, no dia 30 de outubro, quando voltava ao presídio de Niterói, posou para uma foto, ao lado de uma pichação em um muro que continham os seguintes dizeres: “Você só olha da esquerda para a direita, o Estado te esmaga de cima pra baixo”. Rafael foi punido por essa foto com 10 dias na Solitária, além da tentativa de regressão na sua pena.

            Em 2015 foi permitido que Rafael Braga cumprisse o restante de sua pena, fora da prisão, com a utilização de uma tornozeleira eletrônica, mas no dia 12 de janeiro de 2016 voltou a ser preso por policiais/milicianos da UPP (a mesma defendida pelos partidos da ordem) da Vila Cruzeiro, por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Segundo a acusação, o jovem estaria portando 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão. Rafael negou estar em posse desses materiais desde o seu primeiro depoimento,na 22º Delegacia da Penha, alegando que as drogas e o rojão teriam sido plantados pelos próprios policiais, após dizer que não teria informações sobre supostos traficantes da região. O Kit-flagrante é algo extremamente comum no meio policial, e inúmeras pessoas inocentes foram presas por conta disso todas com o mesmo perfil: pretos e pobres. Após essa prisão, no dia 20 Abril de 2017, Rafael Braga Vieira foi condenado a 11 anos de cárcere por tráfico de drogas e associação ao tráfico, sendo as únicas testemunhas de acusação os policiais que o prenderam. Houve também uma testemunha de defesa, que viu Rafael ser agredido pelos policias, e disse não ter avistado nenhum dos objetos que o acusavam de portar. Essa testemunha não foi aceita pelo juiz sob a justificativa de que esta seria parte interessada, por ser vizinha de Rafael.

            A condenação de Rafael Braga confirma o caráter racista do Estado, que condena um jovem pelo fato dele ser negro e favelado. O genocídio do povo negro, pobre e favelado não é programa desse governo, ou daquele: é um programa de Estado. Os pobres são empurrados para periferia e depois sumariamente assassinados, ou presos. A violência policial contra o povo trabalhador se torna cada vez mais forte, e só com organização e luta poderemos avançar. Como disse Malcom X: por qualquer meio necessário. É preciso demarcar o inimigo do povo, e esse é o Estado. O mesmo Estado que promove o genocídio, esse que entra nas favelas e assassina nossos filhos e filhas, irmãos e irmãs. Precisamos ter em mente que a polícia é o Estado, pois é seu braço armado. Por isso, não podemos nos iludir com a disputa eleitoreira, o objetivo dela é só dar cargos para partidários e gerenciar o Estado contra o povo. Eleição é farsa! Logo é preciso combater aqueles que defendem os agentes desse genocídio, partidos como: PT, PC do B, PSTU, PSOL, PCR, PCB e afins, que dizem estar ao lado do povo, mas defendem greve de policiais e demais políticas genocidas. Fazer esse verdadeiro “jogo da direita” é gritar por melhores armas para matar o povo, melhores salários pelos assassinatos em massa.

            Rafael Braga Vieira está preso há 4 anos, injustamente, longe de sua mãe Adriana Braga e de sua família, sem poder ajudá-la, como fazia antes. Ele é mais uma vítima do racismo estrutural e da violência de classe. Como Rafael, existem milhares nos presídios brasileiros, pois a justiça burguesa só serve ao burguês. A história nos mostra que a organização popular é o caminho da resistência, nos mostrou a quem servem os partidos eleitoreiros, e quais as consequências de suas politicas covardes de conciliação e de disputa do Estado. As favelas são os quilombos modernos, e é necessário queimar a Casa Grande, e não disputá-la!


LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA VIEIRA, PRESO POR SER POBRE E PRETO!
CRIAR COMITÊS DE SOLIDARIEDADE A RAFAEL BRAGA VIEIRA!
CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO: AUTONOMIA E COMBATIVIDADE!
A JUSTIÇA NÃO É CEGA, É RACISTA E BURGUESA!
ABAIXO A FARSA ELEITORAL! NÃO VOTE, LUTE!

 

 

 

 

[FOB-DF] SOBRE A GREVE GERAL DIA 30/06 NO DF E O ATO PELA EDUCAÇÃO NA PRAÇA DO RELÓGIO

Um setor da base presente no ato na Praça do Relógio rompeu com o papel de espectador e foi para as ruas. (Taguatinga-DF, 30/06/2017) Foto: Mídia NINJA

Fórum de Oposições pela Base / Distrito Federal e Entorno

No dia 30/06 o Brasil parou em mais uma greve geral contra as reformas canalhas do governo. Em Taguatinga, região administrativa do DF e grande centro urbano, um ato foi chamado pelas centrais sindicais CUT, CTB e o Sindicato dos professores (Sinpro). Mais uma vez essas centrais sindicais optaram por reagir ao governo de forma passiva, sem comunicação com a sociedade e demais trabalhadores (nem mesmo os professores tiveram uma assembleia preparatória para a greve geral), e sem uma postura realmente combativa aos desmandos do Estado. Continuar lendo