[Goiás] Surge a Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT)!

Reproduzimos abaixo o manifesto de fundação da Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT) em Goiás.

Mais informações: https://federacaoautonoma.wordpress.com

Emailfederacaoautonoma@gmail.com

PELA FEDERAÇÃO AUTÔNOMA DOS TRABALHADORES

Neste ano de 2017, um grupo de trabalhadores pobres de diferentes ofícios começou a se reunir, a discutir e a pensar formas de lutarmos contra a exploração que sofremos.

Somos catadores de recicláveis, garçons, professores de contrato temporário, porteiros, jardineiros e estudantes pobres.

Nossa união começou a dar forma ao objetivo de criar uma grande união dos trabalhadores pobres de Goiás, que chamamos agora de Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT).

Nossa vida sempre foi de dificuldades, de opressão e de exploração. Nos últimos anos, com a crise econômica e com os ataques do governo, ela tem se tornado ainda pior. Continuar lendo

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Sobre a luta reivindicativa e o papel do trabalho de base combativo: nem subjetivismo, nem fatalismo.

Este texto é uma contribuição feita em outubro de 2013 pelo estudante José Antônio, militante da Oposição CCI ao DCE-UnB, à Plenária Nacional da RECC e ao 1º Encontro Nacional de Oposições Populares, Estudantis e Sindicais (ENOPES) que ocorreram em novembro do mesmo ano no Rio de Janeiro.

Por José Antônio

“… a ciência social, enquanto doutrina moral, não faz outra coisa senão desenvolver e formular os instintos populares. Mas entre estes instintos e esta ciência, há no entanto um abismo que é preciso preencher. Pois se os instintos justos fossem suficientes para a libertação dos povos, eles já estariam libertos há muito tempo. Estes instintos não impediram as massas de aceitar no decurso da sua história, tão melancólica e tão trágica, todos os absurdos religiosos, políticos, econômicos e sociais de que foram eternamente vítimas.” (Mikhail Bakunin)

O objetivo inicial desse texto era combater o subjetivismo na militância, aspecto este responsável em grande parte por erros no curso das lutas reivindicativas e que levam em muitos casos a posteriores “desilusões” ou sectarismos diversos, porém, com o desenrolar da reflexão vimos a importância de incluir o seu oposto na crítica (o fatalismo), tendo em vista dissolver mal entendidos e de fato apresentar uma análise mais “completa” (ainda que obviamente com diversas lacunas). 

Primeiramente, devemos entender que as lutas reivindicativas não são logicamente construídas, elas não ocorrem ou deixam de ocorrer simplesmente por serem consideradas mais “justas” ou não, ou seja, as lutas reivindicativas não se formam unicamente por meio da argumentação lógica da justeza de uma causa “X” ou “Y” (o mesmo vale para a revolução: ela não é construída por meio da propaganda e da explicação lógica para os trabalhadores de que a revolução é necessária para acabar com seus males). As lutas reivindicativas ocorrem pelas condições objetivas e históricas que se encontra determinada fração de classe específica (no caso de reivindicações específicas), e o que determina se elas são lutas reivindicativas avançadas ou atrasadas é determinado nesse sentido por estes fatores históricos e objetivos, ou seja, relativos. Por exemplo, a luta internacional pela jornada de trabalho de 8 horas, ocorrida desde o século XIX, não nos torna mais avançados por lutarmos pela jornada de 6h atualmente. O mesmo pode ocorrer em algum local do país onde os estudantes estejam reivindicando o meio-passe, ao invés do passe-livre. Ou trabalhadores rurais que reivindicam o pagamento do salário atrasado, da marmita estragada, ou demais lutas reativas e defensivas, ao invés do salário mínimo indicado pelo DIEESE. Estudantes que defendem a não adesão ao ENEM, ou o fim das taxas do vestibular, ao invés do fim do vestibular. Talvez realmente em termos políticos estas sejam reivindicações “atrasadas”, porém, o são relativamente ao que está em pauta nas frações ou setores mais avançados do proletariado brasileiro, mas não, muitas vezes, em relação as condições particulares de determinado local de trabalho, estudo ou moradia.  

As conjunturas de refluxo ou assenso colocam toda a classe trabalhadora nestas condições, até mesmo seus setores mais combativos. Não é uma simples escolha própria (uma questão de decisão) fazer lutas “defensivas” ou “ofensivas”. Devemos sim compreender nossas tarefas na atual conjuntura internacional, nacional, estadual, em cada curso, escola, etc. e a partir das condições que encontramos nestes locais, buscar, a partir do nível de organização, da consciência da fração de classe, do nível de conflito social, disputar (isso sim!) o curso do desenvolvimento da luta reivindicativa. O que significa “disputar o curso da luta”? Significa dar a nossa opinião, a nossa orientação, propor métodos e formas de organização combativas, desfazer ilusões e desmascarar os oportunistas aos olhos da base, demonstrando que uma direção combativa pode levar as massas para as vitórias imediatas e históricas. E tudo isso especialmente pela prática, pela ação, pelo exemplo. 

Isso significa então que não devemos nos adaptar, estagnar, aceitar como “dado” o nível da consciência aparentemente “atrasada” de um determinado setor (nem desanimar frente a possíveis concepções conservadoras do povo), mas devemos trabalhar em cima dela para avançá-la, e não dar um salto mortale entre aquilo que achamos correto e aquilo que está dado. Um exemplo bem prático: uma escola que não possui grandes experiências de luta e os estudantes fazem um abaixo-assinado ou um “plebiscito” por alguma demanda, acredito que nós (militantes combativos) devemos participar e ajudar, mesmo sabendo que muito provavelmente esse método de luta não terá grandes efeitos. Ou seja, a greve estudantil, a manifestação de rua, a ocupação de órgãos públicos e demais métodos de ação direta de massas nem sempre são possíveis e, portanto, nem sempre devem ser defendidos, mesmo que saibamos que apenas eles poderão resolver um determinado problema pois, por outro lado, podem levar a grandes derrotas se organizadas de forma irresponsável (sem base e apoio real), podendo levar a grandes retrocessos políticos para os setores combativos (demissão, prisão, etc. sem uma retaguarda preparada). Continuar lendo

Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!

Este texto é uma contribuição do estudante Edson Guimarães, militante da Oposição CCI ao DCE-UnB, escrito em junho de 2014 para o debate amplo e coletivo sobre luta pela libertação da mulher.
Por Edson Guimarães

“A luta de classes, fato histórico e não a afirmação teórica, é refletida no nível do feminismo. As mulheres, como os homens, são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Elas não podem, portanto, travar a mesma batalha juntas.” (Mariátegui, Reivindicações Feministas.)

A construção do feminismo classista no Brasil hoje é um tema explosivo que vem gerando em diversas frentes de luta questionamentos, repulsa ou fortalecimento de um polo de mulheres combativas. Frente a uma sociedade fortemente marcada pelo conservadorismo patriarcal e pela mercantilização crescente do trabalho e do corpo da mulher, a luta feminista classista se demonstra uma necessidade inadiável. Apesar disso, tal construção bate de frente a um movimento feminista pequeno-burguês hegemônico e terá de se afirmar em uma dura convicção frente a uma “maioria” afundada em confusões teóricas, práticas e oportunistas, sob a pena de vencer ou se arruinar no pântano da luta fraticida (homens x mulheres) e/ou reformista.   

Para nós este é um debate central hoje não só na UnB como no Brasil. Atualmente dentro da esquerda e principalmente dentro de círculos universitários é comum escutarmos a defesa da importância do movimento de gênero, assim como do movimento de classe. Isto é fundamental e básico, pois o feminismo e a liberdade sexual assim como a igualdade social são elementos essenciais para qualquer organização revolucionária. Apesar disso, são costumeiramente tratados de forma separada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pautas de classe (“salariais”) e pautas de gênero (“liberdade corporal”).

Em nossa visão está na raiz dessa separação a concepção pequeno-burguesa de feminismo e do determinismo econômico que secundariza as opressões. Não adianta falarmos da sua transversalidade se ela não é pensada e colocada em prática. As deformações surgem dessa separação e o pós-modernismo e o marxismo reformista reproduzem este problema. A esquerda oportunista que elegeu o operário industrial como o único guia da revolução no Brasil, enxerga nos movimentos de gênero, assim como no movimento estudantil e camponês, setores pequeno-burgueses dispostos a apoiar o movimento revolucionário. Dessa forma pré-concebem a característica supostamente pequeno-burguesa (ou policlassista) do movimento de gênero e a potencializam, destinam-se assim a ser movimentos de apoio, e apenas isso, pois não é considerada a possibilidade se constituírem como autênticos movimentos de classe. Continuar lendo

[RMC – RJ]MANIFESTAÇÃO DE SERVIDORES ESTADUAIS TERMINA EM REPRESSÃO.

Servidores estaduais realizaram um Ato às portas do Palácio Guanabara contra Pezão, os atrasos do pagamento dos salários e as políticas de ajuste fiscal.

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No dia 08 de agosto, as categorias do funcionalismo estadual se reuniram no Largo do Machado, zona sul carioca e marcharam em direção ao Palácio Guanabara em Laranjeiras.

O ato contava com a presença de profissionais da educação, estudantes e servidores da UERJ, funcionários da saúde e pesquisadores bolsistas das instituições de pesquisa do Rio de Janeiro.

Ao chegar às portas do prédio governamental, os manifestantes que reivindicavam a normalização da folha de pagamento, a melhoria das condições de trabalho e contra as medidas de fechamento de turmas e escolas, receberam a informação que não havia nenhum representante do governo para dialogar. Os manifestantes então decidiram iniciar uma vigília.

Cansados de esperar os servidores buscaram romper as grades e entrar no Palácio e foram reprimidos pela Polícia Militar que, em sua rotina sanguinária, começou uma ação desproporcional com bombas e spray de pimenta que pôs fim ao ato.

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) convocou nova assembleia para a categoria no dia 12 de agosto, sábado, as 14 horas na ABI. Um dos pontos de pauta será a discussão sobre o indicativo de greve. A categoria se mobiliza para barrar as resoluções que buscam o fechamento de turmas e escolas.

[RMC-RJ] ATOS MARCAM A SEMANA DO JULGAMENTO DE RAFAEL BRAGA

Dois atos marcaram a semana do julgamento do Habeas Corpus e a continuidade da luta contra a política de encarceramento da juventude pobre e negra. Justiça fluminense mantém a prisão de Rafael.

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Na noite de 31 de julho, 300 pessoas se reuniram na porta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para reivindicar a soltura de Rafael Braga, condenado à pena de 11 anos e vítima da política de encarceramento da juventude pobre e negra.

Diversas foram as falas de vários movimentos sociais denunciando o genocídio que vitima a população pobre e negra no Brasil e que se exemplifica no caso de Rafael Braga, um catador de latinhas pobre e negro.

Rafael é vítima de uma ampla perseguição desde sua primeira prisão em 20 de junho de 2013, quando foi acusado de portar material explosivo durante uma manifestação. Na realidade, Rafael não participava da manifestação e portava um frasco de pinho sol.

Com o Habeas Corpus da primeira acusação, Rafael foi vítima de um flagrante forjado pelos policiais da UPP, Pablo Vinicius Cabral, Victor Hugo Lago, Farley Alves de Figueiredo, Fernando de Souza Pimentel e Luiz Renato Faustino da Silva, sendo conduzido à delegacia sob a acusação de porte de 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína.

Através de um processo obscuro que desconsiderou o depoimento de uma testemunha de defesa, Rafael foi condenado à 11 anos e 3 meses de prisão. Desde então, a campanha pela Liberdade por Rafael Braga tem realizado constantes atividades de mobilização política e tentativas judiciais de libertar Rafael.

O Ministério Público, através da figura de Júlio Roberto Costa da Silva, declarou parecer favorável a continuidade da prisão se baseando que é “incabível o argumento de que a prisão é demasiadamente rigorosa”.

Na tarde do dia 01 de agosto, os Juízes Katya Monetary e Antônio Boente votaram contra o Habeas Corpus, entretanto, a sessão foi suspensa pelo presidente da sessão Luiz Zveiter para vista dos autos do processo.

Com a interrupção do julgamento, novo ato foi convocado para as portas do Ministério Público no dia 07 de agosto. Novamente cerca de 500 pessoas marcharam pelas ruas do Rio, em direção à Lapa. Na Avenida Rio Branco, componentes da campanha discursaram para os trabalhadores que voltavam para a casa. Ao passar pelo quartel da polícia militar do Rio de Janeiro, as palavras de ordem “Policia Racista” e “Eu quero o fim da Polícia Militar” foram gritadas.

No dia 8 de agosto, a Justiça, em todo seu caráter racista, manteve a pena de Rafael Braga e desconsiderou o pedido de Habeas Corpus com um placar de 2 votos contra e 1 a favor. Um dia triste que demonstra as reais intenções do Estado Brasileiro que vitima pobres e negros diariamente.

Segundo o advogado de Rafael, Lucas Saad, o próximo passo é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, STJ. Aos apoiadores de Rafael, resta manter a mobilização e divulgar a causa de Rafael Braga, que hoje é o maior exemplo da política de encarceramento do Estado Brasileiro.

Para acesso à integra do pedido de Habeas Corpus de Rafael: http://cdn01.justificando.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2017/07/31134726/HC-Rafael-Braga.pdf

 

[RECC-DF] Autoritarismo, exploração e higienização social na UnB com a “REItora de esquerda”

por Oposição CCI – Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB (filiada à RECC/FOB)

No 2º semestre letivo de 2016 a UnB passava por eleições para reitoria. Concomitante a isso havia o processo de construção e organização do Congresso de Estudantes dessa mesma universidade, em uma conjuntura política tensa e de extrema necessidade de mobilização nas bases dos cursos. Contudo, quase totalidade dos grupos políticos presentes ditos “de esquerda”, dirigidos, sobretudo por partidos políticos eleitoreiros, entre esses, PT, PCdoB, PSOL, PSB e mesmo o coletivo UJC, vinculado ao PCB, suavam em forte campanha pela eleição da então candidata a reitora, Márcia Abrahão, ou minimamente usavam adesivos e manifestavam apoio por meio de materiais de propaganda. Parecia piada em alguns momentos a intensidade de esperanças desses coletivos políticos nas supostas mudanças positivas que aconteceriam na UnB a partir da vitória eleitoral de Márcia Abrahão.

Insistência histórica no erro e, na busca de heróis e heroínas para salvar estruturas condenadas a desgraça pela própria forma de funcionamento burocrático institucional, agora as/os estudantes que tanto soaram pela Chapa 94 (Abrahão) a criticam ao mesmo tempo em que ocultam a política repressiva, exploradora e higienista da atual reitora. São dezenas de artes nas paredes da UnB, existentes há anos sendo pintadas de cinza através do aval de Márcia. Junto a isso ainda temos baculejos frequentes de policiais militares no campus Darcy Ribeiro, sobretudo em “estudantes fora do padrão”. Demandas referentes à vida e a permanência de estudantes da assistência estudantil nesse espaço também não mudaram de situação e atingem cada vez mais quem mais precisa. As/os estudantes, filhas/os da classe trabalhadora, não deixam de ter dificuldades para ingressarem e se manterem na assistência, vários abandonam ou trancam os cursos.

A política da REItora “Márcia Abrahão”, mas conhecida atualmente como “Marcia Dória”, devido em maior peso às práticas de higienização das paredes do campus, na verdade, segue a mesma linha liberal, meritocrática/capitalista e de perseguição política do antigo REItor Ivan Camargo. Atuando forte no cumprimento das metas neoliberais no ensino superior. E com esse tipo de prática, mais uma vez os principais setores atingidos são as/os estudantes da assistência estudantil e trabalhadoras/es terceirizadas/os. Dessa vez são centenas delas/es prestes a serem demitidas/os de seus trabalhos com a justificativa de corte de gastos dado o “orçamento apertado” da Universidade de Brasília. As prioridades da REItora são para manter a estrutura desigual dentro e fora da instituição. Por “nada coincidência”, a imensa maioria das/os estudantes em situação de vulnerabilidade econômica, juntamente com as/os terceirizadas/os mais precarizadas/os, são pessoas negras e habitantes de regiões periféricas do DF e entorno.

É necessário combater essas ofensivas da reitoria com combatividade e trabalho de conscientização política nas bases dos cursos. Um ato efetivo e unificado de estudantes e terceirizadas/os faz-se a cada dia mais necessário. Assim como um debate sério acerca da real proposta de terceirizações e necessidade de efetivação pública com qualidade dessas/es trabalhadoras/es que a cada nova empresa no comando postergam suas férias.

TERCEIRIZADA É MINHA AMIGA, MEXEU COM ELA EU VOU PRA BRIGA!