[SP] NOTA DE REPÚDIO CONTRA AS 35 SINDICÂNCIAS NA UNESP DE MARÍLIA

Comunicado nº2 da Ação Direta Estudantil (ADE) – Filiada a RECC/FOB

Na noite de ontem (05/07/17), 35 militantes ativos da esfera política do M.E. de Marília, entre estudantes regulares de graduação e pós-graduação, foram notificados, através de um e-mail institucional, sobre uma reunião com a Direção da FFC nesta tarde (06/07/2017). O corpo da mensagem não descriminava o motivo do chamado encontro, ao se fazerem presentes, nossos companheiros foram informados da continuidade de seus processos de sindicância, abertos em 2015 por razão de um piquete realizado pelo M.E. da FFC em apoio às ocupações escolares de 2015 e pelas pautas de Permanência Estudantil.

Tal piquete foi deliberado nas instâncias válidas e reconhecidas do M.E., em Assembleia Geral dos Estudantes no dia 03/12/2015 – anterior ao dia do piquete –, aprovado devidamente pelos estudantes a partir das necessidades de luta pontuadas pelas bases. Agora, quase dois anos após o ocorrido, em um momento de novo acirramento das disputas e conflitos políticos da faculdade, a Direção volta a ameaçar os estudantes com processos de sindicância que podem resultar em sua perda de vínculo com a própria instituição, além da perda de bolsas acadêmicas e de permanência e a suspensão de suas atividades regulares para com a instituição. Esse processo, levado a portas fechadas desde sua abertura, foi uma das principais pautas do movimento de Greve e Ocupação de 2016, que exigia seu cancelamento imediato. Da maneira tão comum ao burocratismo universitário, a Direção da FFC informou não ter conhecimento do andamento desses processos, negando qualquer conhecimento de causa sobre os fatos relacionados a esse. Agora, após a organização estudantil contra a repressão policial no Campus e os atos da Greve Geral dos dias 28/05 e 30/06 – ambos compostos pelo bloco de estudantes da UNESP – a Direção volta a adotar a tática de intimidação direta sobre nossos camaradas.

Manifestação dos estudantes da UNESP em solidariedade aos 35 estudantes perseguidos políticos (13/07/2017)

A criminalização da luta estudantil, dos estudantes organizados e da ação direta através da intimidação, de processos institucionais e assédio moral é um sempre presente na vida dos que se colocam em luta. Mais uma vez, os estudantes combativos da FFC são chamados às barricadas da luta por nossa resistência na universidade. É necessário, nesse momento, compreendermos que tais ações repressivas não são isoladas ou terminadas em si, mas parte de um processo político que atravessa os anos e vem ganhando balanço nas lutas populares. O piquete de apoio às ocupações escolares de 2015 – que se colocavam contrárias à nefasta reorganização escolar do governo PSDB do Estado – e às pautas de permanência, não é uma criação local de uma vanguarda descolada das bases estudantis, a Ação Direta é uma forma de luta histórica do trabalhador contra os ataques burgueses impostos de cima para baixo.

Cabe compreendermos nosso lugar no corpo estudantil da universidade e, para além disso, na sociedade de classes: somos estudantes e membros da classe trabalhadora. Enquanto tanto, somos frequentemente chamados a defender aqueles que se põe ao lado da luta do proletariado. Aqueles que na universidade se põe ao lado das lutas por Permanência – moradia, alimentação, etc. – merecem nosso apoio e solidariedade em todo seu processo de lutas. É chegado o momento dos estudantes da FFC compreenderem que, aos ataques institucionais aos nossos, devemos apresentar respostas contundentes, enérgicas e baseadas na Ação Direta. É preciso organizar os estudantes para combater a repressão institucional e garantir a continuidade da luta estudantil na faculdade. A chamada de atos de protesto, trancaços e piquetes se comprovam, historicamente como formas efetivas da resistência estudantil e trabalhista. Se, em algum momento, é necessário superar o imobilismo e o burocratismo estudantil para garantir a continuidade de nossa luta, a hora é chegada!

A chamada para Assembleia Estudantil, dia 12/07/2017, é parte integrante desse necessário momento de organização dos estudantes. É nesse espaço que podemos nos fazer presentes e pensar, coletivamente, as saídas combativas para os Estudantes. Esse não é o momento de escondermo-nos nas inefetivas esquinas do burocratismo, mas sim de organizar a luta direta e combativa dos nossos pelos nossos. É o momento de paralisar a faculdade, de ocupar seus espaços e de não retroceder, nem mesmo um passo, na defesa de nossos camaradas. Somente a organização estudantil por via da ação direta pode garantir a efetividade e a vitória de nossas lutas. O momento é de ação , cabe a nós tomarmos em nossas mãos as lutas que nos pertencem, sem medo da repressão de nossos inimigos, que só visam nos desarticular e silenciar.

SÃO 30 ANOS SEM DITADURA E A REPRESSÃO AINDA CONTINUA!
NINGUÉM FICA PRA TRÁS, MEXEU COM UM MEXEU COM TODOS!
LUTAR NÃO É CRIME!

ASSINAM ESSA NOTA:
Ação Direta Estudantil – RECC/FOB
Nós Por Nós – Santa Catarina – RECC/FOB
Oposição Classista Combativa e Autônoma – Mato Grosso do Sul – RECC/FOB
Oposição Combativa Classista e Independente ao DCE da UNB – Distrito Federal – RECC/FOB
Oposição Classista Combativa e Autônoma ao DCE da UFG – Goiás – RECC/FO
B
Coletivo Tempo de Luta – Mato Grosso do Sul – RECC/FOB
Coletivo Tempo de Luta – Goiás – RECC/FOB
Coletivo Pedagogia em Luta – Brasília – RECC/FOB
Coletivo Pedagogia em Luta – Goiás – RECC/FOB
Rede Estudantil Classista e Combativa – Rio de Janeiro – RECC
Oposição de Resistência Classista – Distrito Federal – FOB
Oposição de Resistência Classista – Rio de Janeiro – FOB
Aliança Classista Sindical – Rio do Janeiro – FOB
Liga Sindical Operária e Camponesa – LSOC

Liga de Defesa da Educação- LDE

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[RECC- SP] BARRICADA ESTUDANTIL Nº2 – Dizimar o fascismo e o liberalismo, enterrar a vanguarda: as saídas classistas para o Movimento Estudantil.

“Todas as oposições afiliadas ao Fórum de Oposições Pela Base (FOB), em qualquer estado desse país defendem com coerência a mesma política. Sempre estamos dispostos a discutir qualquer polêmica com as demais correntes do movimento sem sectarismo. Olho no olho, assumindo publica e honestamente nossas posições. E principalmente respeitando as divergências e debatendo com aqueles/as que tenham essa mesma conduta.” ORC/FOB (setembro/2016)

Políticas de corredor: o cancro do M.E

Nós da A.D.E, tomamos como necessária uma resposta às pichações encontradas por volta de outubro/2016 nos arredores do campus da FFC, as quais correlacionavam a sigla da organização política a qual somos filiados à uma suástica (símbolo primeiro do Nazismo) e buscamos aqui estabelecer a relação entre tal fato e as políticas informais –mas que são formadoras de condutas e opiniões- adotadas pelo M.E. da Unesp-Marília.

Políticas essas que definimos em sua totalidade como “políticas de corredor” e que se baseiam em conversas paralelas, em espaços informais e com pouco acúmulo, interferindo, assim, nos espaços políticos formais. Consideramos tal prática, destrutiva ao M.E. por contribuir para a despolitização do movimento, já que partimos da compreensão que todas as ações colocadas como pertencentes ao âmbito pessoal são, na verdade, também ações políticas. Sendo imprescindível o debate na esfera formal.

Tais mecanismos são atravancadores do acúmulo das discussões, pois estabelecem uma cultura política estruturada na decisão arbitrária e individual de como se pontuar uma crítica, ora a uma individualidade, ora a uma organização política, de forma velada e indireta, pois se constroem a partir da mera conversa em espaços informais onde se pode selecionar com quem e de que forma se discutir questões provenientes dos espaços políticos.

Entretanto, tais críticas surgidas na informalidade liberal retornam aos espaços políticos formais a fim de construir um “limbo” em torno de uma individualidade ou de uma organização política por meio do convencimento no espaço “pessoal” com concepções políticas unilaterais e sem real conhecimento dos fatos em si. Em síntese, “políticas de corredor” são os conchavos políticos feitos em espaço informal.

Uma exemplificação dessa prática liberal é a difusão do escracho como método de “denúncia”. Entendemos a necessidade de um debate qualificado e pedagógico sobre possíveis opressões, objetivando a solução de casos com esse teor no seio da classe trabalhadora, pois vemos como tarefa revolucionária o combate ao machismo, ao racismo e a homolesbotransfobia. Porém, a difusão de escrachos não cumpre o papel de combate às opressões.

Partindo dessa análise, devemos ressaltar que práticas caracterizadas como nazismo/fascismo se configuram como o combate à luta revolucionária que tocamos. Como por exemplo, o assassinato de Guilherme Irish por seu pai em razão de sua participação ativa na luta classista e combativa.

Devemos, porém, reiterar que nossa posição não parte de uma cobrança moral relacionada a discussões fora dos espaços políticos formais ou de um apontamento exclusivo sobre as pichações, que por si só já representam essas políticas, por ser uma acusação grave (nazismo/fascismo), saída do próprio M.E, direcionada à uma organização que se coloca a partir do princípio de auto-organização da classe trabalhadora e de um movimento estudantil combativo e independente. Mas sim que o intuito, diferente desses aspectos citados, é da construção de um debate frontal a fim de combater o que interfere negativamente ao M.E.

Concluímos que há a necessidade de combate a essas políticas que não contribuem em nada para a construção da luta estudantil com único intuito oportunista de comprometer a luta e quem se coloca nela por meio da difusão de calúnias no moldes liberais.

O Liberalismo travestido de luta pela educação e a escola sem partido

Não são segredo, os fortes ataques aos direitos trabalhistas e a classe trabalhadora que vêm sendo operados em nosso país e ao redor do globo através da ofensiva ideológica burguesa sendo propiciada pelos operadores do capital. Entretanto, além da forte resistência externa – explicitada hoje na disputa dos espaços políticos burgueses, outra antiga trincheira ideológica tem voltado a ganhar força dentro da própria luta de classes. Tal disputa, porém, se mostra muito mais nociva à causa revolucionária dos trabalhadores pelo fato de não estar explicitada em uma disputa externa, mas sim de infestar nossas fileiras e espalhar, dissimuladamente, a desarticulação e a despolitização dentro do próprio movimento estudantil e trabalhador.

Sob a dissimulada máscara da ‘new-left’ e o impulso ideológico garantido pelo alardeamento de doutrinas pós-modernas, a corrente ideológica pequeno-burguesa do Liberalismo segue perpetuando a desarticulação revolucionária e a segmentação política dentro da militância estudantil. Sob um pretexto de falsa harmonia, uma harmonia alheia aos princípios da luta dos estudantes e trabalhadores, fortalecem-se hoje, a doutrina e a prática Liberal de maneira alarmante dentro do movimento estudantil universitário.

É Possível encontrar sinais da infiltração do liberalismo em nossas fileiras na figura do personalismo, do trabalho descompromissado, da constante recusa da autocrítica e revisão de métodos, da falta de metodologia e disciplina nos espaços organizacionais. Esses são alguns dos sintomas da nefasta infiltração de tal ideologia burguesa e contrarrevolucionária em nosso meio.

Dentre as muitas práticas liberais atualmente aplicadas no movimento estudantil, nenhuma, entretanto, talvez seja mais nociva do que o esforço por anular, da participação de espaços políticos da universidade, as organizações políticas. Os liberais, ao mesmo passo em que exigem politização e organização das lutas e das pautas caras à luta estudantil, esforçam-se ativamente por anular de determinados espaços de disputa política dentro da universidade a disputa ideológica e organizacional trazida pelas organizações. Tal prática remete profundamente ao polêmico projeto da “escola sem partido”, popularmente conhecido como “lei da mordaça”, que prevê a anulação da discussão ideológica nas escolas públicas brasileiras, criminalizando as individualidades ou organizações que se propõe a realizá-la.

O liberalismo, disfarçado de “politização estudantil”, aproxima-se assustadoramente de tal criminalização dentro da própria universidade. Trabalhando para garantir a anulação da disputa ideológica, política e organizacional dentro de determinados espaços políticos e institucionais da universidade, sob a máscara de desavenças pessoais, não baseadas em críticas aprofundadas e sólidas, os liberais asseguram a segmentação, desarticulação, desorganização e a efetiva despolitização das massas estudantis tão sonhadas pela burguesia. Impera a incoerência, tão característica aos liberais que, enquanto se consagram como “verdadeiros revolucionários” ou “agentes políticos efetivos”, perpetuam em sua prática valores e ações pequeno-burguesas e despolitizadoras. A construção de uma luta classista e combativa na universidade dá lugar a práticas personalistas, focadas no interesse e preferenciais pessoais de algumas individualidades.

O afastamento de organizações e correntes dos espaços políticos, ao contrário do que defendem os liberais disfarçados de revolucionários, não garante o funcionamento “livre de ideologias” de tais espaços, mas, pelo contrário, assegura a despolitização, desarticulação e segmentação da luta estudantil. Rechaçar ativamente a participação de organizações e correntes nos espaços políticos da universidade é garantir a continuidade da ideologia e do projeto burguês da “lei da mordaça” clandestinamente no espaço universitário. Em última instância, garante que a burguesia e seus operadores atinjam, precisamente, seus objetivos de dividir e despolitizar as bases estudantis e de desorganizar, devido a ausência de disciplina e de profundidade teórica e prática revolucionárias, os espaços históricos, conquistados com muita luta pelo movimento estudantil.

A saída dada para o combate ao liberalismo dentro da universidade deve ser a de construção de uma luta e um movimento estudantil classista e combativo. Criar espaços que privilegiam o debate e a politização das bases, garantindo que agiremos com disciplina e método nos espaços políticos. Realizar constantemente a autocrítica e a revisão de nossos métodos e táticas, nos apoiarmos nas táticas históricas de luta de nosso e outros movimentos populares dos trabalhadores. Somente um esforço ativo no sentido de construir a luta classista na universidade pode garantir a expulsão dos oportunistas liberais inseridos em nossas fileiras, com a politização das bases em torno de nossas pautas históricas garantimos que a vanguarda pequeno-burguesa e liberal não seja incapaz de articular seus desmandos sobre a luta estudantil.

No intento de fortalecer a luta classista dentro da universidade, garantindo uma unidade ideológica e prática com as outras lutas da classe trabalhadora, seja na fábrica ou no campo, a primeira tarefa a se realizar é a de expulsar, de dentro de nossas fileiras, o oportunismo pequeno-burguês e seu imobilismo que nos divide e atrasa, permitir a perpetuação do oportunismo liberal em nossas fileiras, nos recusarmos a reavaliar nossas práticas e métodos é, essencialmente, falhar com a luta de classes. Como disse Mao, todos os militantes revolucionários “devem unir-se para lutar contra as tendências liberais de certos indivíduos entre nós, e conseguir chamá-los ao bom caminho. Essa é uma das nossas tarefas na frente ideológica”. Combater o liberalismo sem medo, sem piedade e com contundência torna-se, cada vez mais, uma das únicas saídas para superarmos a dupla-crise organizacional e de lideranças que assola a articulação revolucionária estudantil atualmente.

A decadência de uma falsa vanguarda e a necessidade de ascensão de um movimento estudantil independente

A partir das ideias apresentadas quanto às condições do Movimento Estudantil da Unesp-Marília, devemos apontar, portanto, a posição de construção que a A.D.E./R.E.C.C. defende. Para tal é necessário que nos debrucemos sobre a caracterização das forças politicas atuantes no M.E. que apresentam diversas concepções de saída para o nosso refluxo de mobilização, às quais concebemos que há um espectro errôneo de vanguarda do movimento.

Essa vanguarda, composta pelos mortos-vivos se levanta oportunamente nos momentos de fervor para atuar no M.E., apresentando-se aos estudantes como a linha política que nos levará à vitória. Porém, por não possuir uma linha concreta para tal, atua de forma liberal, nos fazendo andar em círculos em uma linha ilusória. Assim, depois de desgastar a estudantada em momentos cruciais, atravanca as ações concretas que nos trariam algum êxito e retorna para sua sepultura ególatra confortavelmente, sem assumir, portanto, as consequências de suas atuações oportunistas e liberais.

Como aparece em momentos pontuais, tal vanguarda, desconhece as demandas reais da FFC e ainda atua distante da realidade. Deste modo, a cada reaparecimento repentino contempla cada vez menos os estudantes e sua imagem se desgasta, entrando em decadência.

A propaganda dos governistas e paragovernistas apresenta as conquistas da luta estudantil de forma mágica, mas nunca como palpável e por meios concretos. Ao invés disso, possuem políticas conciliadoras de classe que além de serem ineficientes, atrasam e desgastam a nossa luta. Assim, essas vitórias alcançadas por meios mágicos, não mais trazem a juventude para a mobilização e ainda a culpabiliza por não compor esse movimento tão descolado de nossa realidade.

Sem dúvidas, a Ação Direta Estudantil compreende que o desgaste com essa falsa vanguarda atrelado aos espaços sem metodologia, a uma discussão maçante e repetitiva e ao tarefismo inócuo culminam no afastamento de estudantes combativos do nosso movimento, contribuindo assim para o momento de refluxo em que ultrapassamos.

As saídas práticas para nosso refluxo ultrapassam uma mobilização pelas bases: organização dos cursos por meio da articulação de suas pautas em uma semana de curso;  a estruturação prática da metodologia dos espaços políticos de forma democrática; o combate ao parlamentarismo estudantil -uso do M.E. como palanque-. Assim conseguiremos superar o refluxo o qual enfrentamos e desenvolver um trabalho de base concreto.

Desta forma, é urgente a mobilização de baixo pra cima para que novamente possamos vislumbrar um horizonte de vitórias para nossa luta revolucionária com tripla tarefa: combater o governismo e paragovernismo; aniquilar o liberalismo em nossas fileiras; organizar estudantes classistas e combativos. Com o único objetivo de confrontar os impecilhos pontuais: liberais; governistas e os ataques à educação.

 

[RECC- SP] BARRICADA ESTUDANTIL Nº1 – Superar o sectarismo, organizar a luta, preparar a resistência: a greve nas Estaduais frente aos cortes e a impotência reformista.

”Num movimento onde as críticas são sempre mal recebidas e se prefere viver sem elas, estão comprometidos os alicerces de uma verdadeira democracia de base e, consequentemente, o ME fica desprovido do exercício da crítica, tão fundamental para encaminhar a luta. As consequências dessa atitude são danosas para o ME, criando um ambiente amorfo, carente de debate político e desprovido de senso crítico.”
A permanência da crítica ou coleguismo, a doença infantil do ME – OCC/RECC, 2010

OS SENTIDOS DA GREVE: ENTRE O PODER DA BASE X GREVISMO

A greve das estaduais paulistas decorridas durante o mês de maio ocorreu por conta do corte no repasse de verbas de Alckim/PSDB para as Universidades Paulistas (USP, UNESP, UNICAMP), totalizando um corte de 233 milhões de reais anuais. A Unesp, como a prima pobre das Universidades Paulistas, sentiu o peso desses cortes em uma conjuntura já marcada pela evasão estudantil e pelo aumento de sindicâncias contra estudantes lutadores ancorados no aumento da carestia de vida nacional. O processo de greve traz consigo diversas possibilidades políticas em aberto, por isso é fundamental avaliarmos corretamente as diferentes concepções que se expressam no movimento grevista. Caso contrário, incorreremos em uma unidade sem conteúdo, o que implica em um empobrecimento político da luta. Um dos momentos políticos do processo de greve é a avaliação política de suas estruturas em relação continua com a luta política, no que poderíamos denominar de processo de ”prática-crítica-prática”. Para as burocracias tradicionais do movimento sindical e estudantil, o sentido de uma greve se resume à conscientização da sociedade, através da greve de sensibilização, para impor às estruturas de poder um desgaste público devido ao não atendimento de pautas consideradas justas pela comunidade acadêmica. Por outro lado, a Ação Direta Estudantil compreende que decretar uma greve é um passo necessário, mas não suficiente para a conquista das demandas.Para tanto, é preciso exercitar o caminho do conflito, criando instrumentos de pressão que invertam a correlação de forças a favor do movimento grevista. A despeito da vontade da reitoria, o atendimento das pautas pode ser imposto por via do enfrentamento direto, que impõe sérias dificuldades ao projeto em curso, forçando a negociação. Tal confronto é a expressão máxima do poder do M.E. e, para tanto, deve ser promovido por meio de instâncias cujo funcionamento garanta a soberania da vontade das bases auto-organizada.

ESTUDAR PARA LUTAR, LUTAR PARA ESTUDAR: CONSTRUIR A AUTONOMIA DAS LUTAS

A greve estudantil da UNESP-Marília/FFC, como explicitado na Assembleia Geral de 24/05, foi deflagrada tendo como eixo central a permanência estudantil (reabertura do R.U. noturno; ampliação da moradia; aumento de bolsas; e a defesa das verbas que foram prometidas como forma complementar ao aumento de estudantes cotistas na FFC); Bem como as pautas especificas dos cursos (como a defesa da criação de um departamento para o curso de R.I.; mudanças curriculares nas Ciências Sociais e a considreção do estágio remunerado da Pedagogia como parte das atividades curriculares). Isso decorre do fato de que parte sinificativa dos estudantes da FFC são oriundos de cidades do interior de SP ou de periferias da capital, estudantes que encontram muitas dificuldades em permanecer na Universidade, por conta da vida precária em Marília, provocando altos indíces de evasão nos cursos. Assim como muitas estudantes mães que percorrem, por muitas vezes, jornadas triplas de trabalho (estudo, trabalho e trabalho doméstico) por não terem condições de custear uma creche. A FFC, limitando o acesso às mesmas por meio das poucas vagas no CCI (Centro de Convivência Infantil), colabora para o agravamento desse, já precário, quadro. A falta de iluminação ao redor do campus, local com vários casos de assédio, demonstra o machismo institucional da UNESP, que lava as mãos para o que ocorre fora do campus com as estudantes. A ideia de deflagrar a greve em uma assembleia uma semana antes da assembleia docente, para que não ficassemos a reboque dos professores, não foi suficiente, posto que a greve corporativista e de pijama dos docentes (sem nenhuma pespectiva de comando e assembleia de bases com os técnicos e estudantes) acabou, também, por minar a autonomia da luta estudantil, já que os estudantes não tem data-base, muito menos obrigação de direcionar a mobilização em um seguidismo a qualquer setor. Fica assim o balanço da necessidade de impulsionar nossas demandas a partir da própria força, buscando a unidade entre as categorias pelas bases, e sempre pelas base.

OS GOVERNISTAS, SEUS AUXILIARES E SEUS GOLPES:

A deflagração da greve em Assembleia Geral ocorreu após o fomento das demandas específicas dos cursos que não tinham tradição assembleária, construída com o esforço sincero de vários estudantes e com a humilde participação da ADE, que se revezava entre uma assembleia e outra e nos CEB’s (Conselho de Entidades de Base), a fim de construir uma greve representativa, ou seja, que se apoiasse no trabalho de base e nas questões específicas. Contudo a greve por permanência foi constestada pelo oportunismo do PT e suas linhas auxiliares, este não construindo nada nas bases e tentando se aproveitar de algumas assembleias viciadas (aquelas em que as pautas especificas são secundarizadas, problema latente no curso de Ciências Sociais). Esses queriam que a greve se colocasse contra o golpe institucional de Temer/PMDB, algo semelhante ao que a UNE/UBES tentou fazer com as ocupações secundaristas, querendo assim transformar todo apelo das pautas especificas do movimento de massas em refém do jogo institucional burguês. Para nós, apesar do evidente golpe institucional do PMDB, a base programática de Temer e sua “Ponte Para o Futuro” se assemelha, a grosso modo, a “Agenda Brasil” de Dilma/PT, com seus planos de cortes orçamentários em áreas sociais para pagamento da dívida a banqueiros, reestruturação produtiva no mundo do trabalho, com o agravante de que o programa “Pátria Educadora” do PT prevê, como eixo central da expansão do ensino, as parcerias público-privadas na Educação Básica e Superior e o neotecniscimo,com a intromissão do Sistema S diretamente no currículo escolar, na educação básica. A questão é que o PT conseguiu ser um grande aporte para a burguesia durante mais de uma década, mas o levante de Junho de 2013 demonstrou que os braços governistas no movimento de massas (CUT, UNE, MST) já não podiam conter a furia popular; o PT, assim, tornou-se obsoleto para a burguesia, que em crise, necessitava de medidas mais incisivas, após o PT cumprir sua grande missão de desorganizar a classe trabalhadora brasileira. Lúcidos de suas pautas e tarefas, os estudantes da FFC rechaçaram a greve em defesa do PT com o ”Fora Temer”, apesar de toda histeria do governismo e seus auxiliares. Nós da ADE, por defendermos o Sindicalismo Revolucionário, entedendemos que a greve em defesa de condições econômicas, como permanência estudantil, é em si mesma uma greve também política, posto que para Alcmikin a educação é uma área estrategica no corte de gastos da atual gestão para prover o máximo de verbas para a divida pública.

PARLAMENTARISMO ESTUDANTIL E CRISE DE ORGANIZAÇÃO

Compreendemos que a chave do triunfo da greve estudantil está em superar um modelo de movimento hoje hegemônico na FFC, que reflete uma profunda crise de organização do M.E. brasileiro. O atrelamento das lutas estudantis à agenda política parlamentar/institucional (exemplo disso é a relativa subordinação da construção da greve estudantil ao momento da disputa em torno da data-base das demais categorias) e a opção por atuar privilegiando protocolos de negociação que deixam o M.E. de mãos amarradas nas mesas de negociação com a reitoria, implicaram em um recuo da capacidade política do conjunto dos estudantes de organizar-se para o enfrentamento direto.Tal cenário é terreno fértil para a atuação vanguardista de correntes políticas, que operam aproveitando o esvaziamento dos espaços para conduzir a mobilização da maneira que melhor convier aos seus interesses, desrespeitando o tempo político dos setores com menor tradição de luta, promovendo de fora pra dentro a adoção de certas bandeiras e pautando as decisões a partir de acordos entre correntes – uma postura cupulista. Desse modo, contribuindo para a despolitização e o individualismo imperarem dentro do M.E., perpetuando um modelo que torna o movimento refém da atuação de partidos e correntes, retirando, portanto, o protagonismo dos estudantes e arrefecendo sua capacidade combativa. A pouca participação dos estudantes nas atividades grevistas confirma a debilidade do trabalho de base na FFC, com a exceção de alguns cursos. Existe, em nossa opinião, uma mitificação sobre o que seja trabalho de base – Entendemos que a greve por si não seria capaz de resolver os problemas pretéritos da organização de base. Defendemos o método materialista de mobilização popular, que cria as condições para se efetivar a luta e não parte do pressuposto de que os estudantes estão conscientes e preparados para a luta de classes na Universidade. Trabalho de base é uma política concreta, é a defesa de conselhos de representantes de turma (coretur), delegados eleitos em assembleia de base, construção de semanas de cursos e de debates específicos envolvendo a demanda de cada área/curso. Por exemplo, a criação de uma semana de curso que debata o problema curricular e da precarização do mundo do trabalho nas licenciaturas, arma e orienta a luta de base para um norte estratégico. Um congresso na FFC que possa aprofundar temas específicos, em mesas, gd´s e defesas de teses, cria, igualmente, condições da luta. Essas propostas, se realizadas de maneira organizada e participativa, podem superar o vício assembleário muito recorrente na FFC, que não compreende que a assembleia é um importante momento deliberativo, mas que deve ser precedido por outros espaços que possam aprofundar temas e concepções estratégicas.

BUROCRACIA: DO MOVIMENTO SINDICAL AO MOVIMENTO ESTUDANTIL

Nos processos de mobilização sempre se mostra evidente a postura passiva e burocrática do setor docente em relação ao próprio processo e ao movimento estudantil, a greve docente é pautada pela sensibilização da reitoria e do governo. Essa categoria detêm 70% do poder de decisão na universidade e sempre pauta os momentos de greve como reivindicação de aumento salarial somente. A burocracia sindical dessa categoria entrava o processo de luta dos outros setores a despeito de sua posição privilegiada nos espaços decisórios da universidade, neste ano não foi diferente. O congelamento de verbas para contratação de funcionários e docentes efetivos desde o ano de 2014, implicou no grande aumento de professores substitutos no quadro da FFC e, após a greve do mesmo ano, como retaliação, a reitoria passou a efetivar esses contratos em um período de tempo determinado: 5 meses. Com esse novo tipo de contrato, os professores substitutos não poderiam repor as aulas após o términio da greve, pois o posicionamento da reitoria foi de que não haveria recontratação dos mesmos para reposição de aulas. A partir desse fato, o posicionamento da categoria docente foi o de jogar parte de sua própria categoria, com regimes de trabalho extremamente precarizados, na boca dos leões. A “resolução” apontada foi a efetivação do restante das aulas dos professores substitutos durante o período de greve, dessa forma não garantindo o direito de greve de parte de sua própria categoria e desmobilizando o processo de luta, alegando enfrequecimento da greve, portanto a impossibilidade de qualquer ação efetiva frente a esse fato. Como já apontado, entendemos a mobilização e o trabalho de base como algo concreto, o que implica métodos de ação, e o que nos ficou evidente é que o setor docente não tem intenção de fomentar qualquer mobilização real e efetiva. A burocracia sindical se estendeu ao movimento estudantil amparada por um setor que fica refém das resoluções de seu partido (PCB/UJC), levadas a cabo pelo setor docente. O papel do movimento estudantil deveria ser, nesse momento, o de apoio a uma categoria extremamente precarizada e uma postura ativa frente a tal ataque da reitoria ao movimento grevista, já que, com a permanencia desse tipo de contrato, em toda greve nos depararemos com tal situação. Porém, o posicionamento desse setor atuante no movimento estudantil foi o de corroborar com a decisão pelega dos docentes sob o mesmo argumento, levando o movimento estudantil a uma posição de passividade frente ao acontecido. A burocracia evidente no movimento estudantil levou, também, a um processo equivocado de ocupação de salas de aula, deflegrado sem construção prévia e esvaziado de formação política, muito cara principalmente aos estudantes ingressantes que necessitam de um processo de aprendizado nos momentos de luta. O vício tarefista de proposição de várias atividades que não expressavam a demanda do conjunto de estudantes levou ao esgotamento dos militantes que se colocaram em luta e não sanou o problema pretérito da falta de trabalho de base, minando,consequentemente, as possibilidades de adesão mais ampla do movimento de greve e, também, de um avanço organizacional. A ocupação foi mais um dos elementos que evidenciaram a profunda crise que sofre o M.E da FFC, carente de trabalho de base efetivo e formação de militantes.

UM PROBLEMA LOCAL, UM VÍCIO ESTADUAL:

É evidente para ADE/RECC que a cultura assemblearia da FFC reverbera nos vícios estaduais expressados nos dois últimos CEEUs (Conselho de Entidades Estudantis da UNESP), um espaço viciado e hostil a estudantes recém chegados à mobilização. Desde a construção do Conselho, que ocorreu de forma obscura e por cima das bases, com a realização de reuniões convocadas por um setor, cujo interesse, em verdade, era a auto promoção valendo-se da mobilização das três estaduais paulistas, ficou evidente, e foi por nós denunciada, a real intenção de construção de tal espaço: conclamar um Conselho de Entidades com debates rasos, meramente pelo fetiche de uma articulação estadual superestrural visando, tão somente, a construção de um DCE por fora das bases. Pelo histórico de mobilização qualitativo por parte do campus de Marília, temos expressividade nos espaços estaduais e alguns setores levam, portanto, os vícios de nossos espaços locais para os estaduais, sendo recebidos de forma negativa por parte dos outros campi ali presentes. Vícios estes que nao contribuiram para efetividade das finalidades fundantes propostas: táticas de luta e articulação estadual. Estes mesmos setores mostraram, então, a tentativa de diluir a mobilizaçãoo combativa que preza pela democracia de bases. Além dos vicios levados aos espacos estaduais, os setores governistas e paragovernistas levaram as habituais festividades para os últimos atos realizados durante o Fórum das Seis, momentos que deveriam ser lembrados pela combatividade histórica do Movimento Estudantil. Mas, na verdade, nos ficou notável o interesse em difundir o sindicalismo de Estado oportunista por parte dos professores, sem apoio concreto ao setor dos estudantes, a partir de ”showsmícios” em trios elétricos, sem intencao de enfretamento, apenas a fim de sensiblizar a reitoria com um discurso derrotista. Não só a crítica a tal prática nos é cara mas, também, a possiblidade de resposta concreta: unir os estudantes combativos. A saída que se mostra eficaz e com possibilidade de vitória à estudantada é, portanto, a aglutinação dos setores combativos por meio de um polo estadual de mobilização com tripla tarefa: articular e organizar estudantes; Denunciar e combater o governismo e o paragorvernismo; Criar a possiblidade da correlação de forças com a reitoria. Naturalmente, uma organizacao de base dentro do Movimento Estudantil estadual será atacada pelos setores governistas que se utilizam do M.E. como palanque para ganhar visibilidade na disputa do Estado burguês, sendo tarefa da estudantada combativa dizimar tal prática – o Parlamentarismo Estudantil – cada vez mais presente em nossa universidade e expressado pelo interesse desses setores em entidades desconexas da base. Desta forma, a possiblidade do trabalho de base qualitativo se clarifica em nossas fileiras como tarefa elementar para evidenciar aos nossos inimigos – Direção e Reitoria – que buscamos a vitória. Sem a ilusão de que os inimigos travestidos de lutadores contribuirão para as nossas conquistas.

[RECC] NÃO VAI TER SARESP!

       Nos dias 24 e 25 de novembro ocorre a aplicação do SARESP – Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – uma prova realizada por alguns anos do ensino fundamental e médio das escolas estaduais paulistas. Trata-se de uma ferramenta de avaliação do desempenho das escolas e estudantes da rede estadual, cujos resultados são transformados em índices que estabelecem metas para as escolas e orientam as políticas do Estado para a educação.

       A avaliação é um instrumento extremamente problemático, por sua forma (os índices são imprecisos, pois as provas desconsideram as diferenças entre cidades, escolas e regiões) e especialmente por seus resultados, pois com esse sistema é criado um ranqueamento punitivo: as escolas com notas mais altas recebem maiores investimentos, enquanto as que apresentam piores resultados sofrem cortes de verbas. Os resultados são frequentemente manipulados, para direcionar as bonificações por desempenho para alguns funcionários de confiança das Diretorias de Ensino e justificar os cortes e precarização das escolas mais periféricas.

    Desse modo, as escolas consideradas ruins recebem ainda menos investimentos, o que agrava ainda mais sua situação de precariedade. Com isso, cria-se uma hierarquização entre as escolas com melhores e piores resultados, impondo para a educação pública a mesma lógica do mercado, a da meritocracia e da competitividade para atrair investimentos.

         Boicotar o SARESP é uma forma de retirar do governo uma suposta fonte para os dados irreais que legitimam o projeto de reorganização da rede estadual. Para impedir essa farsa do governo estadual, ocupar e piquetear as escolas para inviabilizar a realização das provas.

        Quando isso não for possível, organizar os estudantes para que entreguem a prova em branco, para que não possa haver avaliação.

        Já são mais de 100 escolas ocupadas em todo o Estado de São Paulo,e a luta contra a reorganização e o fechamento das escolas se fortalece a cada dia, demonstrando para o Governo do Estado a força da mobilização dos estudantes secundaristas. O boicote ao SARESP é mais uma etapa desse combate, mais uma forma de pressionar os inimigos da educação à retrocederem em seus ataques.

Ocupe sua escola! Se solidarize com as escolas ocupadas!

Educação não é mercadoria! Boicote o SARESP!

A reorganização não vai passar!

Ação Direta Estudantil/RECC

[RECC] RECC cresce em Marília-SP com o grupo Ação Direta Estudantil (ADE).

Este documento tem por finalidade publicizar a fundação da Ação Direta Estudantil – núcleo Marília (ADE – UNESP/Marília), bem como solicitar filiação à Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), integrante do Fórum de Oposições pela Base (FOB).

Nosso coletivo surge em um contexto em que o Movimento Estudantil, tanto  local quanto  nacionalmente, se encontra fragilizado e imobilizado devido aos modelos  de atuação política hoje hegemônicos, cujas características apontam, por um lado, para o parlamentarismo e o colaboracionismo das entidades oficiais  (UNE  e cada vez mais reproduzido pela ANEL) e, por outro, para a dispersão e o imediatismo das tendências autonomistas, fortemente influenciadas pelos paradigmas pós-modernos de culturalização da política. Diante dessas formas degeneradas, a estudantada se vê carente de formas organizacionais democráticas e de métodos de luta coerentes e efetivos para o atendimento das demandas da classe trabalhadora.

Nós, estudantes, compomos uma categoria social transitória, pois inseridos nas instituições de ensino, estamos sendo preparados para nossa futura inserção no mundo do trabalho. O sistema educacional brasileiro reproduz as contradições sociais, formando tanto os próximos gestores da exploração do trabalho quanto a mão de obra pouco qualificada que vende sua força para a manutenção do sistema. Expresso que a educação brasileira é marcada pela contradição entre as classes, a luta estudantil não deve ser encarada em separado do conjunto da classe.

O empenho na construção de uma alternativa de luta no interior do ME da UNESP já existe há alguns anos, através da construção do Comitê de Propaganda (CP) da RECC. A Ação Direta Estudantil (ADE-UNESP) surge em um contexto desafiador: organizar a estudantada contra a ofensiva neoliberal contra a educação – que avança a passos largos – orquestrada pela gestão PSDB no governo de São Paulo em uma Universidade pulverizada, distribuída por 25 cidades em todo o estado.

Nesse período, vivenciamos alguns processos que nos permitiram acumular experiências e lições que proporcionaram amadurecimento político e a convicção na defesa de princípios que encontram sua resolução programática na linha da RECC/FOB. São eles:

Classismo: Compreendemos que o capitalismo organiza a sociedade entre aqueles que detêm meios de produção e vivem da exploração do trabalho alheio: burguesia, e aqueles que precisam vender sua força de trabalho para sobreviver, muitas vezes não podendo sequer fazê-lo, se encontram em situação de extrema marginalidade: classe trabalhadora. Portanto, a contradição burguesia e proletariado é o elemento fundamental da luta por melhores condições de existência, cujos protagonistas são os que tem a necessidade vital da mudança e da justiça. Apenas a classe trabalhadora tem o potencial de transformar a estrutura social. Continuar lendo

[RECC-SP] UNESP : SOLIDARIEDADE AO COMPANHEIRO MARCELLO PABLITO (SINTUSP)

por Comitê de Propaganda da RECC-SP
          A Universidade de São Paulo (USP) recentemente deu início a um processo judicial pedindo a demissão por justa causa de Marcello “Pablito”, diretor do Sindicato de Trabalhadores da USP – SINTUSP. Pablito é trabalhador do restaurante universitário e também diretor da Secretaria de Negros, Negras e do Combate ao racismo do SINTUSP, perseguido pela Reitoria por lutar contra o desmonte da universidade pública e defender cotas raciais.
         No dia 14 de abril, durante reunião do Conselho Universitário, ocorria uma paralisação de trabalhadores por reajuste salarial, em defesa dos restaurantes, creches e hospitais universitários e por mais contratações. No local da reunião, estudantes, trabalhadores e o movimento negro se manifestavam exigindo o debate sobre a adoção de cotas raciais na USP, discussão sistematicamente ignorada pela Reitoria da universidade que, demonstrando todo seu autoritarismo e intransigência, cancelou a reunião.
          A ameaça de demissão de Pablito é parte dos esforços da Reitoria da USP para aniquilar a luta contra seu projeto de universidade embranquecida e excludente, é repressão política contra aluta sindical combativa, contra a aliança entre estudantes e trabalhadores, contra os direitos das negras e negros da classe trabalhadora, que hoje são apenas 7% entre o grande número de estudantes da USP, mas são maioria absoluta nos postos de trabalho mais precários e terceirizados.
          O assédio e a perseguição política visam coibir a luta coletiva das categorias e devem ser respondidos exemplarmente, em uma ofensiva na luta pela implementação das cotas e contra a terceirização, os Planos de Demissão Voluntária, a militarização e todos os ataques aos estudantes e trabalhadores pobres! Acreditamos firmemente que através da organização das trincheiras do povo em seus locais de trabalho e estudo e por meio da GREVE GERAL a realidade de exploração e opressão será radicalmente transformada. É preciso resistir! Não podemos permitir que eliminem nossos lutadores! Todo apoio ao companheiro Pablito!
RECONSTRUIR O SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO PARA DEFENDER OS DIREITOS DOS TRABALHADORES!
PELO FIM DOS PROCESSOS AOS LUTADORES DA USP!
LUTAR NÃO É CRIME! DEMISSÕES NÃO PASSARÃO!

[RECC-SP] UNESP: revogada as 17 expulsões!

UNESP: No dia 7 de maio, a reitoria da UNESP sobre forte pressão do movimento estudantil finalmente recuou. Na última reunião do Conselho Universitário foi REVOGADO AS EXPULSÕES dos 17 estudantes que participaram da ocupação do prédio da reitoria (Junho de 2014) e as punições foram convertidas em uma suspensões de 180 dias. Ainda assim, trata-se de uma vitória conquistada! Uma luta contra a repressão e toda perseguição política existente na UNESP contra os que ousam lutar. A Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) e o o Comitê de Autodefesa das Mulheres – MarílIa (UNESP) apoiou toda a campanha em prol dos 17 estudantes. Reafirmamos: LUTAR NÃO É CRIME!

IR AO COMBATE SEM TEMER!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
NINGUÉM FICA PRA TRÁS!