ENOPES

Manifesto

Construir o Sindicalismo Revolucionário

O mês de junho explicitou a revolta do povo contra os governos, patrões e aumento do custo de vida. Explicitou também a antipatia e desconfiança dos trabalhadores em geral para com as direções de sindicatos, entidades estudantis, partidos e lideranças populares. Estas organizações estão na maioria do tempo apenas interessadas em garantir seus cargos, defender interesses estranhos aos da massa da população, tangendo as manifestações em caráter de procissão. Essas situações demonstram que, mesmo que o povo tenha disposição de luta afim de transformar sua realidade, ele é muitas vezes absorvido pelos acordos de cúpula realizados entre as direções dessas entidades e o governo.

Após os grandes levantes populares de junho de 2013, as centrais e partidos da esquerda legal eleitoral (CUT, CTB, Força Sindical, CGT, CONLUTAS) convocaram uma “paralisação nacional” ao invés de uma Greve Geral. Algumas poucas categorias realmente pararam a produção, os serviços e a circulação. Apesar disso, essas centrais e movimentos sociais governistas e para governistas continuaram na defesa da agenda do governo e do Estado policial/militar, auxiliando portanto na repressão e na criminalização dos movimentos.

A paralisação burocrática do dia 11 de julho (puxada pelas centrais sindicais) evidenciou toda a distância entre o levante relâmpago do proletariado marginal do mês anterior e a movimentação vagarosa e assustadoramente burocrática das direções sindical/estudantil, preocupadas em defender a ordem governamental que as favorece.

As jornadas de junho de 2013 provaram que os trabalhadores e a juventude querem a luta e querem a ação direta de classe. Mas eles enfrentam não somente os inimigos históricos, as oligarquias, o patronato e o Estado, mas também a burocracia sindical e partidária que se coloca inclusive enquanto esquerda. Essas organizações que deveriam organizar a luta dos trabalhadores, se voltam contra eles e os tornam auxiliares dos Governos, dos Patrões e dos interesses do grande capital.

O movimento sindical, estudantil e popular no Brasil se encontra diante de um dilema: hoje as principais organizações e direções (CUT, CTB, CONLUTAS, UNE, Anel, etc) não representam os interesses históricos e imediatos dos trabalhadores, já que atualmente elas estão integradas e cooptadas pelo Estado e pelo capital, ou paralisadas por suas interpretações teóricas e políticas.

As combativas manifestações de junho, realizadas em grande parte pela juventude e pela classe trabalhadora precarizada, também encontram-se diante de uma encruzilhada, pois se por um lado as ações diretas nas ruas estão sendo intensificadas, por outro os objetivos para os quais são canalizadas essas energias em boa parte se perdem por conta de bandeiras vagas e “moralizantes”, como é o caso dos protestos contra a corrupção, contra projetos de lei, ou contra as gestões atuais, como se fosse um mero problema de administração política ( e isso em grande parte é estimulado pelas organizações da própria esquerda, que se esquecem das pautas mais concretas enquanto sustentam apenas um discurso anti governador, “fora Cabral”, etc). É preciso que os trabalhadores e a juventude tomem o poder sobre suas próprias organizações, ou que construam novas ferramentas de luta que possam combater a burocracia sindical e partidária, de baixo para cima. A ação direta na rua deve ser transformada em auto-organização no local de trabalho, estudo e moradia, fazendo assim a necessária conexão entre as demandas específicas e as pautas gerais.

A situação histórica: crise mundial, megaeventos e desenvolvimentismo neoliberal

O levante de junho foi o resultado de um acúmulo de contradições estruturais. De um lado, um modelo econômico que combinou reformas neoliberais que intensificaram a exploração do trabalho e a precarização dos serviços públicos e da vida. Ao mesmo tempo, realizaram uma política de mega obras de infraestrutura que ameaça e destroem a vida de camponeses, indígenas, quilombolas e o meio ambiente, expropriando terras e impondo um regime repressivo e de terror. A resistência dos indígenas e camponeses em Belo Monte e Jirau são os exemplos dessa situação.

Nas grandes cidades do Brasil, a população vivencia uma situação dúbia. A “democracia”, baseada nas eleições periódicas se mostra cada vez mais como uma máquina de clientelismo. E ela é acompanhada por uma outra máquina, a de extermínio e de repressão. Amarildo não foi o primeiro, nem o último. Mas foi o primeiro a colocar a centralidade da luta contra o Estado racista e repressor na boca das massas. Ao mesmo tempo, a privatização dos serviços públicos essenciais (transporte, educação e saúde) faz com que a vida da juventude e da classe trabalhadora fique ainda mais precária. Perdemos parentes e amigos por conta da violência policial e pela precariedade dos hospitais. Ao mesmo tempo, os salários se mantém baixos, a liberdade de organização é cada vez mais restrita e as condições de trabalho duríssimas.

O surgimento das táticas de autodefesa e das mídias alternativas questionam o caráter autoritário e repressor do sistema capitalista brasileiro. Não queremos mais nem repressão física, nem repressão contra nossa liberdade de expressão. Mas precisamos entender também que a tarefa é maior, que precisamos disputar a consciência e organização de uma classe trabalhadora de mais de 40 milhões de pessoas no campo e na cidade, que enfrenta inúmeras contradições. Logo, essas ações precisam ser uma alternativa de organização no cotidiano, e não apenas no momento das grandes explosões de revolta popular.

Construir oposições por local de trabalho, estudo e moradia

É por isso que estamos convocando um Encontro Nacional de Oposições Sindicais, Estudantis e Populares para novembro de 2013. O encontro tem dois objetivos: 1. iniciar o debate sobre a conjuntura mundial junto com as principais contradições da sociedade brasileira e 2. traçar estratégias e formas de organização para a luta. Assim o encontro deve ampliar e consolidar as organizações de luta estudantil, popular e sindical, assimilando as novas experiências surgidas dentro dessas dimensões. Essa organização visa lutar contra os efeitos e arbitrariedades dos megaeventos e do desenvolvimentismo neoliberal, se colocando contra a precarização da vida, visando a liberdade.

Nesse sentido, o Fórum nacional de oposições pela Base convoca a construção de um encontro nacional para debater os desafios da reorganização da classe trabalhadora e impulsionar este momento através de oposições no movimento sindical, popular, estudantil, camponês, quilombola e indígena.

Por uma Tendência Classista e Internacionalista!

 

 

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