[RECC-PI] TERESINA: TODOS ÀS RUAS, PRECISAMOS PARAR A EXPLORAÇÃO DO POVO!

A LUTA DO CAMINHONEIRO É A LUTA DO POVO
Desde terça-feira (22), caminhoneiros autônomos retém suas cargas em Teresina. O ínicio da movimentação que acontecia próximo ao Posto de Fiscalização do bairro Tabuleta foi deslocado para o Terminal de Petróleo no Bairro Dirceu nas proximidades com a BR 343. Na sexta-feira (26) as movimentações no Terminal começava, no novo ponto de greve o número de caminhoneiros já era menor mas 16 caminhões de abastecimento de combustível pararam pelo movimento de greve que avança.

Se existe um movimento de trabalhadores que questionam a alta dos preços dos combustíveis, algo que afeta principalmente os autônomos que tiram de cada frete a sobrevivência de suas famílias, devemos apoiar os trabalhadores. Assim também pensou o povo que foi ao local, logo mais de 180 populares se reuniram para se solidarizar com os caminhoneiros montando uma barricada para impedir que os policiais conseguissem retirar os caminhões no ínicio da tarde.

Como já sabemos, o governo do Estado do Piauí no entanto não pensa o mesmo. Nenhum apoio ao trabalhador foi prestado, pelo contrário, um intenso policiamento foi montado ao redor das barricadas e junto dos caminhões. A desproporcionalidade e política de repressão era tamanha, mais de 35 viaturas de diferentes níveis (Força Nacional, Civil, Tática, DOE, BOPE, GTOP) foram colocadas para nos ameaçar. O que o Estado nos diz é que não está aqui pra resolver o que nos aflige e nos matariam enquanto estamos lutando por nossos direitos.

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O caminhoreiro, “B.”, há mais de 40 dias longe de casa, é um dos que pararam sua atividade de frete. Ele nos conta sobre infiltrados dentro da manifestação que desde o começo tentam atrapalhar a retenção dos veículos e as negociações pressionadas pelos donos de posto que querem a liberação do combustível. Para os empresários e ricos, a miséria do povo não importa e farão de tudo para que nossa revolta não tome conta das ruas. Pro caminhoneiro a alta dos preços do combustível é pura ganância e ele nos explicou o que influencia no preço, “cada estado cobra seu ICMS, o mínimo que cobra é 12 por cento, tem alguns que cobram 17 outros cobram 20, aí depois vem outros PIS e CONFIN que é mais 7 por cento, aí tudo isso aí vai em cima no preço final principalmente do combustível. O valor do que alcool que eu trouxe pra cá tá 2,10 mas quanto que tá na bomba hoje? 4,00 reais ou 3,90. Além disso aí eles lucram quase cem por cento em cima de nós. Isso é o mínimo, eu carreguei gasolina de 1,74. Quanto que tá a gasolina hoje?”

 

OS INIMIGOS DO POVO SÃO OS OPORTUNISTAS: DESDE OS PATRIOTAS AJOELHADOS EM BANDEIRAS ATÉ OS DONOS DOS POSTOS
Não esquecemos que entre os manifestantes, haviam 10 há 15 “patriotas”, conservadores e nacionalistas. Era a direita que tentava pautar em cima do movimento suas palavras de ordem conservadoras. Não esquecemos também que eram eles os escolhidos – e várias vezes se voluntariavam – pela mídia burguesa para discursar. Em todas as TVs do Piauí que cobriram o acontecimento, ao menos um deles apareceu. Na TV Clube (filiada a rede globo) eram eles inclusive os líderes da movimentação. Pois nós estivemos lá e afirmamos, o povo não eram eles, o povo esteve presente construindo consciência de classe. Mesmo muito a noite por volta das 20 horas quando a Força Tática resolveu aplicar seu discurso de terror de “ou sai ou leva, mas estou só fazendo o meu trabalho”, mesmo quando os conservadores diziam que a vitória já tinha sido conquistada pois a reinvidicação estava na televisão e era perigoso estar ali, o povo resolveu continuar.

O discurso terrorista e piedoso da Polícia, os que se ajoelharam diante da bandeira e foram embora antes do povo, os donos de postos de gasolina que enchem seu bolso as custas do precário trabalho do caminhoneiro e do aumento de preço na revenda são nossos inimigos. Eles se oportunizam de discursos diferentes, dispersam e diminuem nossas lutas. Eles inclusive conseguem facilmente estar na televisão sem suas falar serem cortadas pois tem o mesmo caráter da mídia que trabalha sob o viés de um discurso de resguarde de privilégios. Pra nenhum desses interessa a insurgência do povo trabalhador.

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Vimos diversas vezes quando os conservadores e nacionalistas faziam seu discurso anti-corrupção e anti-político na caixa de som e logo em seguida agiam como os próprios políticos que ignoram a voz da maioria do povo. No final da noite, entre às 19 e 20 horas, somente os 20 sujeitos consensuaram e se levantaram pra retirar os troncos de árvores que fazia a barricada do local. Queriam empregnar de desânimo ou outros que estavam no lugar. Como se fosse um espetáculo, cinco deles se ajoelharam em frente a uma bandeira do Brasil e tiraram fotos. Logo saíram e nos deixaram emboscados pelas viaturas e pelos policiais.

Infelizmente éramos poucos, apenas centenas e muitas mulheres com crianças de colo e pequena. Não tinhamos força pra levar bala de borracha ou bombas de gás. Os caminhoneiros sabiam disso e depois da reunião que durou mais de 6 horas, a maioria dos veículos cedeu. Um dos caminhões era conduzido por um policial.
Não podemos desanimar, a luta que travamos é histórica, é a luta do trabalhador contra o dono da riqueza. Por isso mesmo não podemos nos deixar levar por aqueles que mentem dizendo estar com o povo, que só estão interessados em desviar a luta dos trabalhadores para seus próprios interesses.

A pauta que deve ser seguida é aquela que combate a política criminosa que tem roubado os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores e produzido a piora das condições de vida. A GREVE GERAL combativa é o meio de avançar nesse sentido. E o momento de fazê-la é agora. Sem aparelhamento das centrais sindicais. Sem apelar para o vago combate à corrupção. Sem temer a repressão. Sem conciliação com governos e patrões. Sem militarização. Todos às ruas parando toda a produção e circulação, pondo de joelhos os ladrões e exploradores do povo.

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NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER
NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

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[ORC-DF] A greve dos caminhoneiros e os rumos das lutas dos professores no DF: Construir a Greve Geral pelos direitos do povo!

Após a deflagração de uma greve de caminhoneiros que já dura mais de uma semana envolve todo o país no debate, em Brasília não poderia ser diferente. Após manifestações de caminhoneiros e motoboys em apoio à greve nacional, vimos o governo Rollemberg (PSB) cancelar dois dias de aula, montar operações com quase todo o efetivo policial para dispersar qualquer manifestação, piquetes e fechamento de vias em apoio à greve.

Enquanto as centrais sindicais timidamente se posicionam, os grandes sindicatos em Brasília, como o Sinpro-DF, se calam e se tornam correia de transmissão do governo Rolllemberg, dizendo de forma acrítica quando há ou não aula. Além de não haver a menor condição para manter as aulas, é um vexame por parte do sindicato não se posicionar! Se por um lado, adiaram o 11º CTE (Congresso de Trabalhadores da Educação, que ocorreria esse feriado) para o outro semestre, alegando falta de condições de realização devido a greve dos caminhoneiros, por que então manter as aulas? Quais condições existem para as aulas? Nenhuma.

Numa conjuntura de ataques neoliberais, de desmonte da educação pública e dos demais serviços públicos, de aumento da carestia de vida não pode ser uma opção se posicionar ou não diante das lutas. Devemos não só nos posicionar, mas encorpar a luta. A caristia de vida afeta a toda classe trabalhadora, isso significa uma baixa nos preços dos combustíveis são pautas que interessam a toda classe. Embora haja beneficiamento do empresariado com uma medida como esta, não podemos ignorar o problema que um aumento dos combustíveis causa, efeito em cascaca, encarecendo e tornando mais difícil o acesso as condições básicas de alimentação e higiene para os setores mais precarizados. Continuar lendo

[ORC-RJ] Por uma Greve Combativa Contra os Ajustes do MDB de Temer e Pezão

               Desde 2012 os movimentos grevistas vêm crescendo no Brasil, conforme aponta o balanço das greves de 2016 do Dieese.[1] Não por acaso, nesse mesmo período constatamos o aprofundamento da política neoliberal em todas as esferas administrativas do Estado, atacando severamente os direitos e as condições de trabalho e sobrevivência dos trabalhadores. Segundo o levantamento do Dieese foram registradas 2.093 greves em 2016, das quais “cerca de 81% das greves incluíam itens de caráter defensivo na pauta de reivindicações e nesse intervalo de intensa atividade paredista, itens relativos à defesa de direitos passaram a compor grande parte da pauta reivindicatória dos trabalhadores”. As nossas greves da rede estadual em 2011, 2013, 2014 e 2016 são exemplos desse fenômeno. Todas elas tiveram na pauta central o combate ao Plano de Metas, às perdas salariais e à resistência às retiradas dos nossos direitos por um governo que aplica severamente o a política neoliberal, que só beneficia as grandes empresas capitalistas e seus representantes políticos. Várias outras greves em todo o país se inscrevem nesse contexto e muitas delas tiveram em comum outro fato: a crise entre base e direção das entidades sindicais.

          A greve dos caminhoneiros, iniciada há mais de  uma semana, mais do que evidenciar a fragilidade do sistema brasileiro de transportes e os prejuízos da política privatista e entreguista da Petrobrás, traz à tona os mesmos elementos das lutas recentes: a resistência aos efeitos nefastos do aprofundamento da política neoliberal e; a ruptura entre a base mobilizada e as direções pelegas. Não se trata portanto de um fenômeno isolado, mas de mais uma resposta às medidas de austeridade contra o povo trabalhador. O diferencial está no fato de que a greve dos caminhoneiros iniciou atrelada aos interesses dos patrões, por isso a caracterização do locaute. A burguesia mais uma vez apostou na conciliação de classes, talvez na ilusão de que funcionasse como muito bem funcionou durante anos sob as batutas do PT/CUT e PC do B/CTB. Porém a patronal e as organizações pelegas perderam o controle do movimento, que segue desafiando o governo federal.

               Toda essa política de retirada de direitos dos trabalhadores, aumento da superexploração, elevação do custo de vida e o entreguismo ao imperialismo não poderiam, assim como não podem ocorrer tranquilamente, sem a resistência dos trabalhadores. No entanto, essas inúmeras greves precisam ser unificadas para que tenham efetividade, caso contrário, apenas continuaremos protelando a vitória total dos inimigos, que atacam em unidade. O contexto é favorável para realizar a unidade das lutas: o governo está mais enfraquecido, embora irredutível em manter sua política; a produção e circulação do capital estão fortemente comprometidas; há um clima geral de solidariedade com a greve dos caminhoneiros. Além do mais é preciso estar lado-a-lado com as demais categorias para combater a intrusão da direita no movimento dos trabalhadores.

                Sabemos que um movimento de massas é heterogêneo e que os diferentes campos políticos e mesmo os patrões e os governos tentam cooptá-los. Em nossas próprias greves da educação temos vários trabalhadores e trabalhadoras que aderem ao movimento, mas no dia-a-dia reproduzem os discursos e as práticas conservadoras da direita. Também é comum observarmos a cooptação de alguns diretores do sindicato pelo governo. Logo o que acontece na greve dos caminhoneiros não difere muito do que ocorre nas nossas. Talvez a diferença esteja no fato de que rejeitamos e combatemos publicamente esses desvios e eles ainda precisam avançar nesse sentido.

                  Em algum momento explodiria um grande movimento de massas contra os ajustes. Ocorreu de serem os caminhoneiros os novos protagonistas, mas a conjuntura exige que toda a classe trabalhadora entre em cena. Nós, trabalhadores e trabalhadoras da rede estadual de educação seguimos sendo massacrados pelo governo neoliberal do MDB e precisamos seguir o exemplo dos caminhoneiros e partir para a luta usando da ação direta e combatividade. Sabemos que as eleições do nosso sindicato estão próximas, mas elas podem esperar, a luta não pode! A hora é agora. Por isso convocamos todos profissionais da educação a partir para a ação e assumir sua responsabilidade na defesa de seus direitos e do povo. Nesse sentido defendemos que seja realizada uma assembleia extraordinária da rede estadual de educação com a pauta específica de avaliação da conjuntura e de  deflagração da greve. Também defendemos que todas as redes sindicalizadas ao SEPE realizem o mesmo movimento e façamos uma grande greve unificada da educação do Rio de Janeiro. Nosso sindicato sempre foi vanguarda na luta dos trabalhadores e deve honrar sua história colaborando na deflagração de uma GREVE GERAL contra os ajustes do MDB de Temer e Pezão.

 GREVE GERAL CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER!

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

[1](https://www.dieese.org.br/balancodasgreves/2016/estPesq84balancogreves2016.html).

OS CAMINHONEIROS DERAM O PRIMEIRO PASSO, AGORA É GREVE GERAL CONTRA O AJUSTE

    Por FOB-RJ

      A oscilação diária do preço de combustíveis unificou donos de transportadoras e caminhoneiros autônomos, mobilizando uma greve nacional dos caminhoneiros que se desenvolve em proporções inéditas. Após uma semana de greve seus efeitos são sentidos em todo o país, paralisando vários serviços. As empresas do setor de transporte, ao que tudo indica em desvantagem na disputa intraburguesa, tentaram cooptar o movimento e tirar vantagens dele. Porém os caminhoneiros autônomos, além de não reconhecerem os acordos de cúpula com o governo, seguiram se mobilizando com barricadas em crescente unificação, condenando os caminhoneiros que furam a greve e os bloqueios em detrimento da luta e dos esforços coletivos. O movimento ganhou uma dimensão que fugiu do controle das empresas e das entidades pelegas e agora assume um perfil de classe mais definido. Os prejuízos que os capitalistas já somam e os estragos no nefasto governo Temer/MDB são uma realidade que os caminhoneiros construíram através do uso de métodos históricos de luta como a greve, as barricadas, o bloqueio da circulação de mercadorias, os agrupamentos descentralizados e articulados. Mas a vitória dessa categoria depende ainda da sua capacidade de resistência e da solidariedade dos demais trabalhadores.

Seguir o exemplo da luta dos caminhoneiros

    1527180891_038789_1527181387_noticia_normal   A insatisfação geral com os preços dos combustíveis está unificando a classe trabalhadora e indica um apoio relativamente massivo à pauta dos caminhoneiros. Essa unificação, contudo, padece de uma dupla ilusão: a de que os preços dos combustíveis são a base e origem dos problemas e das condições de trabalho dos caminhoneiros; e a de que uma vitória do movimento dos caminhoneiros irá conduzir à redução dos combustíveis e, por conseguinte, a uma queda geral dos preços. A política de preços dos combustíveis na verdade compõe um conjunto de políticas neoliberais e entreguistas, de drástica desregulação econômica por parte do Estado em detrimento das condições de trabalho e de vida, que avançam a passos rápidos no governo Temer. Por isso o apoio à greve dos caminhoneiros deve ganhar as ruas. Só com os protestos populares em todo o país conseguiremos evitar que os caminhoneiros sejam multados e sofram com a repressão das medidas de Temer. É através da mobilização que conseguiremos barrar os ataques aos nossos direitos e o aumento da precarização das condições de vida.

          Nesse movimento os caminhoneiros por si alcançarão no máximo seus objetivos específicos. Os trabalhadores querem e precisam alcançar outras vitórias também. Fazer a Petrobrás e demais empresas públicas funcionarem para o povo, derrubar as reformas trabalhista e da previdência, acabar com a política de entrega do país, conquistar aumento real do salário, entre outras pautas só será possível se partirmos para a ação. Nenhum governo e nenhum patrão são capazes de conter um povo que se levanta. É isso o que os caminhoneiros estão mostrando. Devemos seguir seu exemplo e ir à luta, tendo a clareza de que o poder está somente nas mãos dos trabalhadores.

Toda ilusão em salvadores da pátria deve ser abandonada

          Os trabalhadores se solidarizam com a luta dos caminhoneiros porque sentem e entendem a necessidade de lutar pelas suas condições de vida. Não se trata simplesmente de levantar a bandeira a favor ou contra determinado político ou partido, mas de garantir minimamente a sobrevivência diante de um cenário de perdas. Temos que aprender corretamente a não confiar nas corjas eleitoreiras e sindicalistas pelegas. Mas a rejeição a uma quadrilha de ladrões não pode ter como alternativa o aprisionamento de toda a sociedade: O povo trabalhador precisa rejeitar também a ilusão de entregar o poder na mão dos militares. A solução para os problemas da classe trabalhadora virá somente através dos próprios trabalhadores organizados e unidos solidariamente.

Greve Geral Já!

          A esquerda burocrática e legalista (partidária e sindicalista) se debate perante um movimento de trabalhadores com uma dinâmica descentralizada e um perfil heterogêneo. Apressadamente tentou taxar a greve de locaute, como se fosse exclusivamente um movimento manipulado pelos donos das transportadoras. Ela só aposta em movimentos que conduzirão à estabilidade da democracia burguesa e à liberdade de seu hábil conciliador de classe. Se aderir ao movimento, irá tentar pautá-lo pela “defesa da democracia”, o que tem se mostrado como um escudo ao governo MDB. A direita também tenta pautar o movimento, tanto através do conservadorismo militar intervencionista quanto da pulverização das pautas através das mídias burguesas.

           Não podemos nos deixar levar por estes campos, que só estão interessados em desviar a luta dos trabalhadores para seus próprios interesses. A pauta que deve ser seguida é aquela que combate a política criminosa que tem roubado os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores e produzido a piora das condições de vida. A GREVE GERAL combativa é o meio de avançar nesse sentido. E o momento de fazê-la é agora. Sem aparelhamento das centrais sindicais. Sem apelar para o vago combate à corrupção. Sem temer a repressão. Sem conciliação com governos e patrões. Sem militarização. Todos às ruas parando toda a produção e circulação, pondo de joelhos os ladrões e exploradores do povo.

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

[RECC-MS] Carta de Apresentação do CP-RECC/FOB de Dourados/MS

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   Através desta carta, apresentamos a construção do Comitê de Propaganda da Rede Estudantil Classista e Combativa (CP-RECC), e da construção da Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) de Dourados, Mato Grosso do Sul (MS). Nosso intuito é fazer avançar o sindicalismo revolucionário, cerrando fileiras aos povos indígenas na luta pela terra, no contexto de nossa localidade fronteiriça: a faixa de gaza brasileira. Nosso propósito é atuar na defesa intransigente da revolução, da greve geral pela base, da solidariedade às autonomias territoriais indígenas insurgentes, através da combatividade, da autonomia e independência, da horizontalidade, do anti-governismo e da ação direta. Inauguramos o CP justamente no dia 1º de maio, onde realizamos nossa primeira ação junto à apoiadores em bairro periférico da região, dialogando com trabalhadores e trabalhadoras do comércio, da indústria, autônomos; trabalhadores e trabalhadoras desempregados; professores, estudantes e aposentados. Ressaltamos que neste primeiro de maio, os trabalhadores das usinas de cana-de-açúcar não pararam, em sua jornada extenuante de trabalho que tem entrada as 4h da manhã, já empunhando seus facões.

   Sobre o contexto em que vivemos, não poderíamos iniciar de outro modo senão pela saudação da resistência indígena. O povo Guarani e Kaiowá inicia o ano de 2018, no estado do Mato Grosso do Sul, anunciando grandes levantes em defesa das retomadas Jeroky Guasu e Guapo’y, na região de Caarapó, então ameaçadas de despejo. A mobilização resultou em importante vitória do movimento indígena, que barrou mais um ataque do latifúndio através de sua combatividade, erguendo resistência até a morte pelo território, em contexto de aprofundamento das políticas anti-indígenas comandadas pelo agronegócio e o Estado brasileiro. As frentes de colonização estatal no MS remontam ao amplo processo de expulsão dos Guarani e Kaiowá e subsequente confinamento em reservas, que se encontram hoje superlotadas, demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), anterior à FUNAI, nas primeiras décadas do século 20. A Reserva Indígena de Dourados, por exemplo, totaliza apenas 3.500 hectares para mais de 10.000 pessoas. Os postos de trabalho mais precarizados no estado são ocupados por indígenas, a exemplo da coleta de lixo, das cooperativas de reciclagem, da construção civil, telemarketing, trabalho doméstico, prostituição, e o trabalho nas usinas, incluindo o corte de cana-de-açúcar, apesar da ampliação da mecanização.

   O esbulho territorial, o confinamento e a escravização de mão-de-obra indígena tem início nos ervais, no final do século XIX. A erva-mate, através da Companhia Matte Laranjeiras, sendo seguida pela formação da Colônia Agrícola de Dourados (CAND) e a expansão da pecuária através da ditadura Vargas, e finalmente, a consolidação das monoculturas de soja, milho, cana-de-açúcar e eucalipto, até o tempo presente fazem sangrar as terras indígenas do pantanal ao cone sul do estado, aprofundando o genocídio e etnocídio das 9 etnias presentes no MS (Guarani, Kaiowá, Terena, Atikum, Ofayé-Xavante, Kinikinau, Kadiwéu, Guató e Kambá, não reconhecida oficialmente). É importante destacar que o estado abriga a 2ª maior população indígena do Brasil, superando 70.000 pessoas, ocupando apenas 0,6% das terras demarcadas no Brasil.

   A violência contra a mulher também é latente no estado. De acordo com o Mapa da Violência (2015), as taxas de atendimento às mulheres vítimas de violência são as mais altas, em níveis estaduais, em comparação ao resto do país. Para se ter uma noção da gravidade do problema, enquanto a média nacional de atendimentos por violência é de 14,2 por 10 mil habitantes, MS tem a média de 37,4. Esse índice é bem maior que o segundo colocado nacional, Acre, com 26. Tal violência acomete principalmente as mulheres dos povos originários, dadas as variáveis que as atingem. Segundo o CIMI, os números de feminicídio aumentaram em 495% sobre essas mulheres.

   Compreendemos o aprofundamento das crises econômica e política no Brasil, gestadas pelos 13 anos de conciliação de classe do governo PT, responsável pelo fortalecimento do agronegócio por meio das políticas de crédito, através do BNDES, beneficiando grandes latifundiários e empresas multinacionais. Os megaprojetos, a partir do PAC, a militarização das favelas e do campo, e a subsequente consolidação de regressões coloniais para o estabelecimento de uma política econômica voltada para a exportação de commodities e manutenção da condição de dependência do país, demonstra com que mãos foram acordadas a nova fase de exploração rapinadora da terra de Abya Yala onde pisamos: os partidos, governos e patrões, juntos do imperialismo criminoso e multipolar, fizeram avançar os campos de morte, como se referem os Guarani e Kaiowá à monocultura – uma monocultura de plantações, tanto quanto uma monocultura do pensamento e da vida. Os recentes avanços da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), ou bancada ruralista, junto ao governo atual, sinalizam o tempo de chacinas em que vivemos, à exemplo dos massacres de Caarapó, de Pau D’Arco, de Colniza, o massacre contra os Gamela e demais ataques contra nossa classe, dando continuidade ao processo anterior de forma agudizada. Estes fatos nos alertam para o ritmo avassalador do avanço do capital, em vias de estremecimento em sua crise estrutural, para arrancar do nosso povo o que lhe é mais fundamental: seu direito à existência. E assim se relaciona a concentração de terras às reformas trabalhista e da previdência, que andam juntas das consequências trazidas pelas diferentes cadeias produtivas no campo, vinculadas às empresas multinacionais que aqui atuam. O capital procura avançar, deste modo, contra as últimas fronteiras de sua expansão, territórios defendidos pelos povos indígenas e camponeses em luta.

   As retomadas Guarani e Kaiowá, neste contexto, insurgem como um processo de recuperação das terras historicamente usurpadas pelo Estado e suas frentes de colonização. É um processo também de defesa e recuperação da terra, de motivação profundamente ecológica e cosmológica. O Comitê de Propaganda da RECC/FOB de Dourados pretende alcançar a construção de um núcleo local, participando da construção das lutas indígenas, compreendendo e respeitando a autonomia e a radicalidade de suas lutas pelo tekoha, “lugar onde se é”, segundo os Guarani e Kaiowá. É assim que se referem à suas terras tradicionais. Deste modo, buscamos aprender com os povos indígenas, especialmente os Guarani e Kaiowá, como lutar: não temer as grandes batalhas, mantendo firme a esperança na construção de um mundo onde caibam muitos mundos, ainda que tantos males rondem essas terras devastadas. Relembramos também a mobilização dos secundaristas de Dourados, que no ano passado, consolidaram a Juventude Autônoma e Combativa, bloqueando a empresa de ônibus da cidade durante a falsa Greve Geral, ocupando uma escola na sequência, a 1ª ocupada de Dourados, em oposição ao peleguismo e oportunismo dos partidos e burocracias sindicais que realizavam festa na avenida central. A mesma juventude realizou o único ato no dia do trabalhador do estado, como neste ano também, em que as burocracias sindicais e estudantis direcionaram suas bases para a defesa de Lula e da farsa eleitoral.

   Como os Guarani e Kaiowá, procuramos nos organizar horizontalmente, inspirados na estrutura de conselhos da Aty Guasu, grande assembleia Guarani e Kaiowá, hoje lado a lado das outras assembleias do mesmo povo: a Retomada Aty Jovem (RAJ), assembleia da juventude, e Kuñangue Aty Guasu, assembleia das mulheres. Nosso intuito é fortalecer os processos em ebulição nos nossos locais de estudo, moradia, trabalho e pesquisa, criando uma frente estudantil, com atuação na Universidade Federal da Grande Dourados, junto às mobilizações da FAIND, Faculdade Intercultural Indígena onde existe o curso de Licenciatura da Educação no Campo (LEDUC) e o Teko Arandu, curso de formação superior para os Guarani e Kaiowá. A FAIND é fruto de grandes lutas dos indígenas junto às reivindicações estudantis por educação, e a conquista deste espaço é elaborada em conjunto da LEDUC e da luta por permanência estudantil. Construiremos também uma frente comunitária, para atuação nos bairros periféricos de Dourados, margeando as rodovias com espaços de acampamento e retomadas indígenas e camponesas; e uma frente central de solidariedade aos povos indígenas, atuando junto às aldeias, retomadas e acampamentos Guarani e Kaiowá em defesa da terra.

Por um mundo onde caibam muitos mundos!

Avançar às retomadas, destruír o latifúndio!

Pelo fortalecimento do internacionalismo proletário e dos povos, avançar a luta estudantil classista e combativa!

Território, Justiça e Liberdade: o povo Guarani e Kaiowá resiste!

 

 

[RECC-SP] Carta de Apresentação do CP-RECC/FOB de São Paulo

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    A cidade de São Paulo é a 7º mais populosa do mundo, sendo também a 8º maior aglomeração urbana do mundo. Uma região que se destaca internacionalmente no que se refere a economia, política e cultura, e é a cidade brasileira mais influente mundialmente. Por conta disso, costumam chamar atenção os eventos que aqui ocorrem, inclusive e melhor destacando, as manifestações políticas e sociais de diversas vertentes. O levante de junho de 2013 foi um grande exemplo da grandiosidade e influência que os movimentos sociais e políticos da cidade de São Paulo exercem em todo o país.

    Um dos problemas identificáveis na cidade de São Paulo, porém, é a predominância da social-democracia e seus sindicatos aparelhados a partidos sociais-democratas, como o PT, a CUT e a UNE, por exemplo, que exercem influência significante entre os trabalhadores e estudantes.  Assim, apesar de existirem alguns movimentos independentes e combativos, percebe-se um desfalque neste sentido, sendo poucos deles e muitas vezes pouquíssimo influentes no cenário total da cidade. Dessa forma, o combate as forças reacionárias, que estão mostrando as caras cada vez mais, também fica numa situação complicada.

   Desse modo, se torna mais do que necessário a organização classista, combativa e independente em São Paulo, tanto pela importância da cidade para o país e o mundo, quanto pelo enfrentamento às forças reacionárias e pelegas que se faz urgente, principalmente diante da atual crise econômica e política, que aprofunda ainda mais as contradições do capitalismo, quando precisa salvar os lucros da grande burguesia brasileira utilizando a classe proletária como escudo e escada, para se proteger e para continuar em cima na pirâmide social. Isto se evidencia nas reformas neoliberais propostas pelo atual governo do PMDB de Michel Temer (2018), mas que já apareceram ainda no governo Lula e Dilma, do PT. Esta organização deve se opor tanto a social-democracia, quanto ao neoliberalismo, já que ambos prejudicam a classe trabalhadora e seus filhos, e surgir como uma alternativa realmente revolucionária.

    Diante desse cenário político e social, compreendemos a urgência da organização do Comitê de Propaganda da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) na cidade de São Paulo, pois a educação não está a parte da totalidade da sociedade e reflete em muito as desigualdades e opressões, ocasionando a perpetuação do status quo, e também reflete a estrutura burocrática dos sindicatos e entidades estudantis, totalmente distantes das bases, jogando com os interesses e demandas da classe trabalhadora e dos estudantes da classe trabalhadora.

    A RECC, neste, sentido, surge como uma alternativa, inicialmente atuando em uma universidade privada, em que muitos estudantes vêm de famílias da classe trabalhadora, muitos são bolsistas e quando não são, trabalham para poder pagar as mensalidades abusivas que aumentam a cada ano. Os ataques neoliberais já chegaram e estão prejudicando alunos, professores e funcionários. Como por exemplo, os cortes de salários de professores, aulas em EaD (Educação à Distância) sendo ministradas por profissionais que não são especialistas na área, quando as propagandas desta universidade divulgam que todos os professores têm mestrado e doutorado. A infraestrutura é precária, muitas vezes a internet não funciona e o professor não consegue dar a aula preparada. O DCE da universidade é tão burocrático que os alunos não conhecem e não sabem identificar quem são os responsáveis, além da repressão e perseguição de estudantes que tentam enfrentar a estrutura da universidade. Entendemos a universidade privada como uma prestadora de serviços, que está mais interessada em garantir seus lucros, na contramão da educação de qualidade. Portanto, uma atuação preparada e combativa irá conseguir garantir minimamente os direitos dos alunos, pretendendo também avançar para fora da universidade, organizando estudantes de diversas localidades, universidades (públicas e particulares) e escolas na cidade de São Paulo.

    Inicialmente, também atuará numa escola pública estadual de periferia, que é totalmente desvalorizada e abandonada pelo Estado, sendo sua estrutura e funcionamento, reflexo imediato da política neoliberal, que forma mão de obra para o trabalho técnico e alienado, deixando de lado a formação completa dos estudantes. No que diz respeito a gestão escolar nesta instituição, nota-se posicionamentos totalmente antidemocráticos, as decisões são tomadas de cima para baixo, sendo os estudantes os últimos a saberem de tudo, assim como toda a comunidade escolar, ou seja, a gestão democrática não é colocada em prática. Os professores estão desunidos e isso interfere no consenso de aderir ou não as greves dos professores do Estado de São Paulo. Também é importante mencionar que a estrutura física da escola é precária e os alunos do período noturno não têm acesso às salas como a biblioteca e o laboratório de informática, por exemplo. Nesta escola, o grêmio estudantil existe, porém, é quase inteiramente submisso à hierarquia escolar, sendo regulado o que se pode ou não fazer, muitas vezes não conseguindo avançar em projetos importantes para os alunos, restando apenas propostas rasas. Assim, uma organização combativa e preparada teoricamente, vai em oposição ao grêmio que é submisso com o objetivo de organizar politicamente os alunos para garantir direitos fundamentais e expandir para toda a comunidade escolar.

    Por fim, a RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) iniciará sua atuação como Comitê de Propaganda, que visa a organização de estudantes da classe trabalhadora, adotando alguns princípios importantes que devem ser salientados, são eles:

  • AÇÃO DIRETA: É o princípio que defende que para conquistar direitos e alcançar mudanças, os estudantes e os trabalhadores devem tomar o destino em suas mãos. Ou seja, a luta deve ocorrer através de protestos, ocupações, greves, etc. É uma oposição a meios indiretos, tais como a eleição de representantes políticos nos governos, que prometem soluções para uma data posterior, ou depositar ilusões no sistema jurídico. Portanto, ação direta não quer dizer, necessariamente, ação violenta, e sim o povo sendo agente das próprias mudanças.

 

  • AUTONOMIA FRENTE A PARTIDOS E GOVERNOS: O vínculo com o governo traz junto à necessidade de defendê-lo em troca de cargos e benefícios. Mesmo quando os governos estão aplicando medidas que prejudicam a vida da população, vemos que os movimentos estudantis “governistas” deixam em segundo plano as reivindicações estudantis. Para garantir que nossos objetivos sejam atendidos, não podemos nos vincular a nenhum governo, afinal o governo costuma ter um lado, que não é o nosso. Quando se defende autonomia também frente a partidos, isso se dá pelo fato de os partidos que temos atualmente são “eleitoreiros”, isto é, buscam entrar no governo a qualquer custo e pela experiência podemos ver que aqueles que entram no governo costumam ter medidas bem parecidas com todos os outros anteriores. Muda-se o discurso, mas a prática é a mesma.

 

  • ANTI-GOVERNISMO: Quando falamos da importância de ser antigovernista estamos defendendo que além de mantermos a autonomia frente aos governos, devemos lutar contra ele, mesmo que se diga de “esquerda”. Isso foi algo que não aconteceu com a UNE que defende o governo do PT desde 2002, recebendo verba até para a realização dos seus congressos. O “governismo estudantil” da UNE e da UBES deve ser criticado e combatido, pois atrapalha e trai a luta dos estudantes.

 

  • ANTIRREFORMISMO: O sistema capitalista é um sistema baseado na opressão e na desigualdade, sem ricos e pobres o sistema capitalista acaba. Sendo assim, se quisermos o fim das desigualdades não temos que lutar simplesmente para reformar o sistema capitalista, mas sim lutar para que ele acabe.

 

  • DEMOCRACIA DE BASE: Hoje existe uma prática burocrática (antidemocrática) de grupos e partidos que dominam algumas organizações estudantis. Nós acreditamos que as organizações devem tomar decisões de baixo para cima, e não o contrário. Defender isso quer dizer que os estudantes devem ter maior poder de decisão do que a diretoria do Grêmio ou de uma entidade. A diretoria do Grêmio e outras entidades representativas não devem nunca colocar seus interesses acima dos interesses dos estudantes. Na democracia de base, as assembleias são a instância superior de um Grêmio Estudantil.

 

  • CLASSISMO: Acreditamos que a sociedade é dividida em classes, de um lado temos os capitalistas (os donos de grandes empresas, de grandes propriedades de terra, donos dos bancos) que têm interesses diferentes da outra classe, a classe trabalhadora (composta pela maioria da população que trabalha diariamente para tirar seu sustento ou que está desempregada). Os trabalhadores, apesar de tudo produzirem, ficam com uma pequena parcela da riqueza. Sendo assim, acreditamos que os estudantes que fazem parte da classe trabalhadora devem se organizar e lutar junto dessa classe. A vitória dela será a sua e vice-versa.

    Com base nesses princípios, a RECC compreende a luta da mulher como a luta da classe trabalhadora e também o contrário. Historicamente oprimida pela estrutura patriarcal e pela ideologia machista, a mulher sofre no dia-a-dia, inúmeras violências, como por exemplo, a violência física, psicológica, emocional, patrimonial, entre outras. A taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo. [1]  Portanto, se faz necessário inclusive, colocar a luta da mulher como parte da luta contra o sistema capitalista-patriarcal, se opondo ao feminismo liberal e burguês, que não compreende a questão de classe, propondo que todas as mulheres se unam independente de sua posição social. Sabemos que, a mulher burguesa, assim como o homem burguês oprime a mulher e o homem da classe trabalhadora, então, não há razões para que as mulheres do povo se unam as mulheres burguesas na luta contra a opressão.

    Também se compreende a luta do movimento negro como parte da luta contra o sistema capitalista e supremacista branco. A história nos mostra como o povo negro sofreu com a escravidão na época da colonização portuguesa e a realidade nos mostra como ainda persiste a opressão racista contra os negros e as negras no Brasil, sendo ela estrutural do sistema capitalista em sua forma atual e intrínseca ao Estado burguês. O genocídio do povo negro avança numa velocidade brutal, de 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. [2]

    Visto isso, acreditamos que a estrutura patriarcal e supremacista branca atinge diretamente a população mais pobre, e que se faz necessário que essas parcelas da sociedade, que são maioria numérica e minoria em questão de direitos, se organizem em movimentos combativos, a fim de garantir minimamente seus direitos sociais e políticos, como condições mínimas para sobreviverem, e assim, poderem lutar pela superação da sociedade capitalista, patriarcal e racista. Neste sentido, de imediato, propomos comitês de autodefesa para populações mais vulneráveis, como as mulheres, negros e a população LGBT+ para garantir sua sobrevivência. Porém, autodefesa não apenas no sentido físico, de confronto direto, mas também no sentido político, munindo os mais oprimidos de teoria que embasem suas ações práticas.

    É importante frisar que a RECC não faz recorte ideológico, tem como modelo estratégico, organizativo e programático o Sindicalismo Revolucionário, podendo ingressar marxistas, anarquistas ou estudantes que apenas se identifiquem com os princípios da organização. Não é feito recorte religioso, de gênero e étnico-racial, prezando e considerando a diversidade dos estudantes da classe trabalhadora. 

    O Comitê de Propaganda da RECC em São Paulo convida a todos os estudantes comprometidos com as causas da classe trabalhadora a nos conhecer e compor conosco um movimento que visa construir uma educação de qualidade do povo e para o povo, a serviço da classe trabalhadora.

Avante os estudantes da classe trabalhadora!

Avante os estudantes revolucionários!

Avante a Rede Estudantil Classista e Combativa!

 E-mail para contato: cprecc-sp@protonmail.com

[RMC] Fundada a Nova Internacional: Confederação Internacional dos Trabalhadores (CIT)

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Entre os dias 11 e 13 de maio foi realizado o Congresso Internacional que aprovou os estatutos e fundou a Confederação Internacional dos Trabalhadores (CIT) depois de três anos de discussões. A associação internacional que englobará o anarcosindicalismo e o … Continuar lendo