Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!

Este texto é uma contribuição do estudante Edson Guimarães, militante da Oposição CCI ao DCE-UnB, escrito em junho de 2014 para o debate amplo e coletivo sobre luta pela libertação da mulher.
Por Edson Guimarães

“A luta de classes, fato histórico e não a afirmação teórica, é refletida no nível do feminismo. As mulheres, como os homens, são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Elas não podem, portanto, travar a mesma batalha juntas.” (Mariátegui, Reivindicações Feministas.)

A construção do feminismo classista no Brasil hoje é um tema explosivo que vem gerando em diversas frentes de luta questionamentos, repulsa ou fortalecimento de um polo de mulheres combativas. Frente a uma sociedade fortemente marcada pelo conservadorismo patriarcal e pela mercantilização crescente do trabalho e do corpo da mulher, a luta feminista classista se demonstra uma necessidade inadiável. Apesar disso, tal construção bate de frente a um movimento feminista pequeno-burguês hegemônico e terá de se afirmar em uma dura convicção frente a uma “maioria” afundada em confusões teóricas, práticas e oportunistas, sob a pena de vencer ou se arruinar no pântano da luta fraticida (homens x mulheres) e/ou reformista.   

Para nós este é um debate central hoje não só na UnB como no Brasil. Atualmente dentro da esquerda e principalmente dentro de círculos universitários é comum escutarmos a defesa da importância do movimento de gênero, assim como do movimento de classe. Isto é fundamental e básico, pois o feminismo e a liberdade sexual assim como a igualdade social são elementos essenciais para qualquer organização revolucionária. Apesar disso, são costumeiramente tratados de forma separada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pautas de classe (“salariais”) e pautas de gênero (“liberdade corporal”).

Em nossa visão está na raiz dessa separação a concepção pequeno-burguesa de feminismo e do determinismo econômico que secundariza as opressões. Não adianta falarmos da sua transversalidade se ela não é pensada e colocada em prática. As deformações surgem dessa separação e o pós-modernismo e o marxismo reformista reproduzem este problema. A esquerda oportunista que elegeu o operário industrial como o único guia da revolução no Brasil, enxerga nos movimentos de gênero, assim como no movimento estudantil e camponês, setores pequeno-burgueses dispostos a apoiar o movimento revolucionário. Dessa forma pré-concebem a característica supostamente pequeno-burguesa (ou policlassista) do movimento de gênero e a potencializam, destinam-se assim a ser movimentos de apoio, e apenas isso, pois não é considerada a possibilidade se constituírem como autênticos movimentos de classe. Continuar lendo

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[ORC-DF] A solidariedade de classe e seus dilemas atuais

Oposição de Resistência Classista (ORC-DF) | Trabalhador@s da Educação

Estamos vendo a cada dia um avanço da repressão e da tirania em nosso país em diversas esferas: em protestos, em ambientes de lazer, nos locais de trabalho, de estudo, no ambiente virtual, em nossas comunidades, na vida íntima e familiar. Essa repressão vem aumentando como causa e efeito das disputas burguesas pela ampliação da acumulação de capital e, nas condições de um país semiperiférico latino-americano, essa repressão toma contornos racistas, machistas e ditatoriais, atingindo especialmente as parcelas mais marginalizadas da classe trabalhadora (mas que tende a expandir para outras parcelas significativas do povo, a exemplo do OcupaBrasíia onde a violência letal foi utilizada em um protesto sindical-popular em plena esplanada dos ministérios). A repressão atual, portanto, não é abstrata, ela diz respeito a uma configuração específica da luta de classes e o seu aprofundamento é uma necessidade/exigência direta de controle e disciplina da burguesia sobre as massas populares para aplicação das reformas anti-povo (trabalhista, previdenciária, energética, etc) e evitar insurgências como junho de 2013.

Dito isso, a nossa intenção é refletir como as reações da burocracia sindical, no que tange a essa repressão, não só não tem praticado a solidariedade de classe como tem sido um entrave para o desenvolvimento desta. É um texto que responde a uma necessidade da luta de trabalhadores da educação na busca por uma nova prática sindical, que retifique os desvios em nossa categoria e combata a burocracia sindical que reproduz, aprofunda e se utiliza desses desvios para se perpetuar no poder. Continuar lendo

[RECC] O mercado da educação: O que o capital deseja ensinar aos filhos do povo?

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O mercado da educação: O que o Capital deseja ensinar aos filhos do povo?

“Em suma, se queremos que o país seja mais competitivo, teremos que fazer com que nossas escolas preparem os alunos para enfrentar a competição”

Fábio Giambiagi (economista do BNDES)[1]

Ser estudante não é uma tarefa tão simples, especialmente quando a maioria vem de família pobre, além de estudar e trabalhar. No Brasil, há cerca de 8.027.297 alunos matriculados no ensino superior, sendo 82,63% em cursos presenciais e 17,36% em cursos a distância (EaD)[2]. Destes, 14,5% concluem a graduação e apenas 3,8% de estudantes estão na pós-graduação (mestrado e doutorado).

As pessoas que estão no ensino superior, em sua maioria, estão na faixa etária de 18-24 anos correspondendo a 43,5%, seguido 20,1% com 25-29 anos dos alunos matriculados. Nessa faixa etária, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) cerca de 60% cumprem uma dupla jornada, trabalhando e estudando. Quando não cumprem tripla jornada por serem mães, pois além de estudar, trabalhar fora de casa também realizam as tarefas domésticas de cuidar da casa, dos filhos e até mesmo do marido.

Os empregos que os estudantes universitários pobres conseguem, geralmente são os informais ou terceirizados. Estes são os empregos com a carga horária mais flexível para poderem, minimamente, conciliar o trabalho com o estudo. Já que o emprego é a condição para poder ter o básico para sobreviver (pagar aluguel, ter o que comer, beber e vestir, pagar o transporte) e permanecer estudando, custeando o material que vai das xerox aos equipamentos mais técnicos, dependendo do curso.

Essa flexibilização quer dizer: trabalhar aos finais de semana e feriado, horário de almoço reduzido, desconto no salário quando fica doente e falta, turnos na madruga, dobras/plantão, freelancer, vender comida na universidade, corrigir trabalhos acadêmicos, revender cosméticos, dentre tantas outras formas encontradas para permanecer estudando. Inclusive porque as políticas de permanência na Universidade funcionam para serem insuficientes: burocratização dos processos de assistência estudantil (você tem que provar que é pobre e precisa de assistência!), faltam bolsas e aqueles que conseguem as vezes precisam cumprir uma carga horária de trabalho na universidade, moradia estudantil inexistente ou com infraestrutura ruim, bolsas de pós-graduação sem critério socioeconômico e unicamente por produção acadêmica/notas.

A terceirização para o estudante pobre que, na sua maioria gritante são negros, indígenas e descendentes destes, é a condição de emprego para se manter na universidade. E aqueles estudantes que conseguem bolsas e auxílio de permanência estudantil e/ou também são cotistas, também são majoritariamente negros e pobres. E mais do que isso, estar cursando uma graduação ou pós-graduação é a forma para qualificar a mão-de-obra e assim se manter no mercado de trabalho para ter como sobreviver. Diferentemente, daquela minoria de estudantes que ao estarem no Ensino Superior, é para se capacitarem melhor e serem gestores, além de tomar seus cargos de comando. Afinal, a carreira profissional destes está sempre estável e em ascensão antes mesmo de conseguir um diploma.

Tem se tornado comum aos estudantes pobres, mesmo depois de formados, terem empregos precarizados e vínculos cada vez mais informais. Esses empregos não garantem (e quando fazem isso é mínimo) os direitos trabalhistas conquistados, anos atrás, por outros trabalhadores. A carteira assinada, o 13º terceiro salário, a licença maternidade, o auxílio alimentação e vale transporte, o pagamento de hora extra, entre outros, estão indo para o ralo e o único beneficiado com isso é o patrão, empresários, banqueiros, políticos e governos – todos os nossos sanguessugas!

Portanto, não nos enganemos: o que passamos na universidade expressa a luta de classes que vivemos na sociedade e essa luta de classes é demarcada pela cor! Os estudantes negros, indígenas e seus descendentes apesar de ser a maioria da população do Brasil são expulsos sistematicamente pela porta de trás das universidades! Continuar lendo

[ORC-DF] A repressão na câmara legislativa na paralisação dia 05/09: combater o governo e as mentiras da mídia com solidariedade e mobilização

Oposição de Resistência Classista (ORC/DF) – Trabalhador@s da Educação

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertolt Brecht)

No dia 05/09 (terça-feira) os professores paralisaram e se juntaram ao ato em frente à Câmara Legislativa que reuniu mais de dois mil servidores contrários à reforma da previdência do governo Rollemberg (PSB). O ato aconteceu no dia de votação do famigerado Projeto de Lei Complementar (PLC) 122/17. Seguranças, policiais legislativos e logo atrás uma fileira de policiais militares faziam a segurança dos deputados que iriam votar um projeto de lei contra o povo.

Com o avançar da hora centenas de servidores tentaram forçar a barreira de seguranças e policiais com o objetivo de entrar no prédio da câmara, onde a seção de votação seria supostamente aberta ao público. Mas foram reprimidos e empurrados. Até então nada grave havia ocorrido.

Depois de muita pressão a entrada foi liberada oficialmente, mas a polícia e os seguranças fizeram uma contenção absurda que obrigava os servidores a se apertarem e pressionarem ainda mais a entrada. Poucas pessoas haviam passado quando a polícia legislativa começou uma agressão absurda contra apenas um professor que também tentava passar, com o objetivo de prendê-lo. Alguns professores ainda tentaram soltar o camarada, mas também foram agredidos pelo número muito superior de policiais e seguranças.

A prisão do professor foi completamente injusta, covarde e arbitrária. Enquanto o nosso camarada estava detido na Coordenadoria de Polícia Legislativa (Copol), a polícia, por não possuir uma justificativa para efetuar a prisão acusou-o inicialmente de arremessar uma garrafa no cordão policial (mentira reproduzida pela mídia sensacionalista, tal como o fez o Correio Braziliense), porém, a mentira dessa versão logo veio à tona. Não havia nenhuma prova, não havia nenhuma testemunha, nem mesmo a suposta “vítima da garrafada” teve coragem de acusar o professor. Não tendo qualquer acusação real e com o acompanhamento do advogado do Sinpro, o professor foi liberado, mas tudo isso depois de ter sido agredido física e verbalmente, e ainda ter seu nome difamado nos jornais… eis a justiça imunda do estado brasileiro, sustentada ideologicamente pela mídia!

Portanto, está claro que foi um circo montado unicamente para achar um bode expiatório e reprimir a manifestação. Poderia ter sido qualquer outro servidor ou servidora, ou mesmo algum dirigente sindical, tal como ocorreu na repressão no eixão sul no dia 28 de outubro de 2015.

Não podemos aceitar mais essa agressão a nossa categoria! É fundamental reforçarmos a solidariedade de classe e a combatividade na luta contra a reforma da previdência do governo Rollemberg (PSB), sem cair no jogo manipulador da mídia e nas falsas ilusões criadas por deputados “aliados”. É necessário aumentar a nossa mobilização para exercer pressão real. Nossa conquista será do tamanho da nossa luta.

NÃO DESMOBILIZAR, NÃO SE INTIMIDAR, AUMENTAR A LUTA!

ABAIXO A REPRESSÃO, A MÍDIA SENSACIONALISTA E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

NINGUÉM FICA PRA TRÁS!

[FOB] Solidariedade aos que lutam! – A luta contra o fascismo é internacional

O Fórum de Oposições pela Base manifesta seu profundo pesar e também toda a sua solidariedade aos ativistas antifascistas e militantes de organizações de trabalhadores que foram feridos e mortos no ataque neonazista na cidade de Charlottesville (EUA)  ocorrido neste dia 12.

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A advogada Haether Heyer de 32 anos foi confirmada como a primeira vitima fatal dessa covarde ação, suas  ultimas palavras em uma rede social antes de ser atropelada propositalmente foram: ” se você não está indignado você não está prestando atenção!”

 

Entre os que estão em estado grave estão militantes da organização Sindicalista Revolucionária IWW (Trabalhadores Industriais do Mundo) que a mais de cem anos se mantem nas fileiras contra as opressões em solo norte-americano. Continuar lendo

[RMC-RJ]DUQUE DE CAXIAS: PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO COMBATEM O AJUSTE FISCAL!

Profissionais da Educação de Duque de Caxias enfrentam o Ajuste Fiscal do prefeito Washigton Reis com paralisações, ocupação, atos e panfletagens.

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Desde a primeira semana de agosto, os profissionais da educação da cidade de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio, lutam contra os atrasos de salários e os projetos de ajuste fiscal do município.

O pacotaço da prefeitura atacam vários direitos adquiridos pelos servidores municipais, como a gratificação para os profissionais que atuam em escolas de difícil acesso. Se prevê ainda a diminuição da taxa de reajuste salarial e o aumento da contribuição previdenciária para ativos e aposentados, repetindo as medidas nos inúmeros ajustes fiscais que estão se dando na esfera nacional e estadual.

Na noite do dia 04 de agosto para barrar a votação do pacotaço, os professores ocuparam a Câmara de Vereadores e lá permaneceram sob constantes ameaças, até serem retirados pela Polícia Militar com bombas e spray de pimenta.

Como continuidade das mobilizações uma nova assembleia, na manhã de segunda feira, dia 07, decidiu por uma paralisação de 48 horas e com diversos atos e panfletagens por todo o município. Uma grande marcha percorreu as ruas do centro da cidade em direção à Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Educação.

Na manhã de quarta-feira, dia 09, os servidores se reuniram na porta da Prefeitura de Caxias, em Jardim Primavera, e protestaram novamente contra a autoridade municipal que recebeu uma comissão de professores. Nas falas de cada representante era possível notar o grau de precariedade e abandono da educação de Duque de Caxias com relatos de falta de material, violência escolar e problemas de saúde entre alunos e profissionais.

Na parte da tarde uma nova assembleia determinou paralisação de 72 horas, com assembleia a ser realizada no dia 14 para decidir os rumos do movimento, e os professores ocuparam uma pista da rodovia Washington Luís no final de tarde.

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Segue o calendário de mobilizações deliberado pela assembleia do dia 09 de agosto:

Dia 11 (sexta): Ato pela manhã (9 h) no IPMDC e à tarde (17 h) em Parada Angélica;
Dia 12 (sábado): Panfletagem no Caxias Shoping, às 14h;
Dia 14 (segunda): Conselho de Representantes às 9h e assembleia às 13 horas (centro de Caxias).